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Questão de Português — Orações Subordinadas Adverbiais — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsOrações Subordinadas Adverbiais
Código
qa599132
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref Angra
Ano
2024
Cargo
Doc ( )

Um clássico da literatura brasileira, com adaptações para a televisão, o cinema e o teatro, O Meu Pé de Laranja Lima é desses livros que marcam época. Lançado em 1968, trata-se de uma história fortemente autobiográfica, que demonstra a mão de um escritor experiente, ciente do efeito que pode provocar nos leitores com suas cenas e com a composição de seus personagens.

 

O protagonista Zezé tem 6 anos e mora num bairro modesto, na zona norte do Rio de Janeiro. O pai está desempregado, e a família passa por dificuldades. O menino vive aprontando, sem jamais se conformar com as limitações que o mundo lhe impõe – viaja com sua imaginação, brinca, explora, descobre, responde aos adultos, mete-se em confusões, causa pequenos desastres.

 

As surras que lhe aplicam seu pai e sua irmã mais velha são seu suplício, a ponto de fazê-lo querer desistir da vida. No entanto, o apego ao mundo que criou felizmente sempre fala mais alto. Só não há remédio para a dor, para a perda. E Zezé muito cedo descobre isso.

 

A alegria e a tristeza não poderiam estar mais bem combinadas do que nestas páginas. E isso, se não explica, justifica a imensa popularidade alcançada pelo livro.

 

Adaptado de: AGUIAR, L. A. A literatura de O meu Pé de Laranja

Lima. In: VASCONCELLOS, J. M. O Meu Pé de Laranja Lima. São

Paulo: Melhoramentos, 2019.

Leia o texto a seguir para responder à questão.

   

Sobre o emprego do “se” em “E isso, se não explica, justifica a imensa popularidade alcançada pelo livro.”, é correto afirmar que

  1. Aestipula uma comparação.
  2. Bindetermina o sujeito.
  3. Cintroduz uma condição hipotética.
  4. Denfatiza a ação do verbo “explicar”.
  5. Eindica que a ação do verbo recai sobre o próprio sujeito.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — introduz uma condição hipotética.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O valor condicional do "se" em "se não explica, justifica"

Gabarito: letra C. O "se" em "E isso, se não explica, justifica a imensa popularidade alcançada pelo livro" introduz uma condição hipotética: a oração "se não explica" estabelece uma ressalva — caso a alegria e a tristeza combinadas não expliquem a popularidade, ao menos a justificam. A pista decisiva está na própria estrutura do período, em que o "se" poderia ser substituído por "caso" ou "ainda que", e na relação de oposição entre "explicar" e "justificar", que revela a hipótese levantada pelo autor.

O comando da questão

A questão pede que se identifique a função sintático-semântica do "se" no trecho destacado. Isso não é uma questão de compreensão literal do texto, mas de análise gramatical contextualizada: é preciso reconhecer qual valor o "se" assume naquele período específico. O comando "é correto afirmar que" indica que apenas uma alternativa descreve com precisão o papel do vocábulo.

O texto e o trecho analisado

O texto fala sobre o livro O Meu Pé de Laranja Lima, destacando a combinação de alegria e tristeza como fator de sua popularidade. O trecho final é a chave:

"A alegria e a tristeza não poderiam estar mais bem combinadas do que nestas páginas. E isso, se não explica, justifica a imensa popularidade alcançada pelo livro."

Aqui, o autor afirma que a combinação de alegria e tristeza justifica a popularidade do livro. O "se não explica" funciona como uma concessão/condição: mesmo que não explique (hipótese), ao menos justifica. O "se" poderia ser substituído por "caso" ou "ainda que" sem alterar o sentido: "E isso, caso não explique, justifica..." — o que confirma o valor condicional.

A técnica que decide: o teste da substituição

Para identificar o valor do "se", o método mais eficaz é substituí-lo por outras conjunções e verificar qual preserva o sentido:

  • "se" condicional → substituível por "caso", "desde que", "contanto que". Ex.: Caso não explique, justifica.

  • "se" concessivo → substituível por "embora", "ainda que". Ex.: Ainda que não explique, justifica. ✅ (também funciona, pois a concessão é uma condição contrariada)

  • "se" integrante → substituível por "isto". Ex.: Não sei se ele vemNão sei isto. ❌ (não se aplica)

  • "se" reflexivo → indica que a ação recai sobre o sujeito. Ex.: Ele se feriu. ❌ (não se aplica)

  • "se" indeterminador → acompanha verbo transitivo indireto ou intransitivo. Ex.: Precisa-se de empregados. ❌ (não se aplica)

No trecho, o "se" não é integrante (não introduz objeto direto), não é reflexivo (o verbo "explicar" não é pronominal), não indetermina o sujeito (o sujeito é "isso") e não estabelece comparação. A única leitura possível é a condicional: o autor levanta a hipótese de a combinação não explicar a popularidade, mas afirma que, ainda assim, ela a justifica.

Análise das alternativas

1Condicional
Substituível por "caso"
"se não explica, justifica"
2Concessivo
Substituível por "embora"
"ainda que não explique"
3Integrante
Substituível por "isto"
"Não sei se ele vem"
4Reflexivo
Ação recai no sujeito
"Ele se feriu"
5Indeterminador
Verbo transitivo indireto/intransitivo
"Precisa-se de empregados"
Valores do "se"
LEVELsoulevel.com.br
Valores do "se": Condicional (Substituível por "caso", "se não explica, justifica"); Concessivo (Substituível por "embora", "ainda que não explique"); Integrante (Substituível por "isto", "Não sei se ele vem"); Reflexivo (Ação recai no sujeito, "Ele se feriu"); Indeterminador (Verbo transitivo indireto/intransitivo, "Precisa-se de empregados")

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. O "se" não estabelece comparação. Comparação seria introduzida por "como", "tal qual", "mais que", "tanto quanto". Ex.: Ela é tão estudiosa como o irmão. No trecho, não há dois termos sendo comparados; há uma hipótese sendo levantada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. O "se" não indetermina o sujeito. A indeterminação ocorre com "se" + verbo transitivo indireto ou intransitivo (ex.: Precisa-se de ajuda). No trecho, o verbo "explicar" tem sujeito claro: "isso" (a combinação de alegria e tristeza). O "se" não está ligado à indeterminação.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. O "se" introduz uma condição hipotética. A oração "se não explica" expressa uma hipótese: caso a combinação não explique a popularidade, ela a justifica. A substituição por "caso" confirma: E isso, caso não explique, justifica a imensa popularidade. O valor condicional é inequívoco.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. O "se" não enfatiza a ação do verbo "explicar". Ênfase seria dada por recursos como repetição, exclamação ou advérbios de intensidade (ex.: Ele realmente explica). O "se" aqui tem função conectiva, não enfática.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. O "se" não indica reflexividade. Na voz reflexiva, o sujeito pratica e recebe a ação (ex.: Ele se cortou). No trecho, "explicar" não é um verbo pronominal; o "se" não faz a ação recair sobre o sujeito "isso".

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os diversos valores do "se". A alternativa C é a única que reconhece o valor condicional, mas muitas vezes o candidato marca B ou E por associar "se" a indeterminação ou reflexividade, sem testar a substituição por "caso".

PEGA ESSA DICA!

Sempre que a questão perguntar o valor do "se", faça o teste da substituição: "caso" = condicional; "embora" = concessivo; "isto" = integrante; "a si mesmo" = reflexivo. O valor que preservar o sentido é o correto.

Gabarito: letra C.

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