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Questão de Português — Crase — Quadrix 2024

PortuguêsCrase
Código
qa600416
Banca
Quadrix
Órgão
CRQ 19 (PB)
Ano
2024
Cargo
AgFisc ( )

O uso de perfumes é um hábito muito antigo, que teve início nas civilizações antigas do Egito, passando pelos impérios persa, grego e romano. Com os mais variados preços, aspectos e fragrâncias, os perfumes deixaram de pertencer à realeza e, nos dias atuais, são parte do cotidiano de muitas pessoas, despertando, por meio do olfato, emoções como prazer, atração e sensação de limpeza. A arte de fazer perfumes é uma expressão dos impactos que a química tem nos produtos que consumimos, uma vez que as fragrâncias têm suas propriedades ditadas pelas particularidades das moléculas que as compõem.

 

Fragrâncias são compostos químicos com cheiro agradável. Elas podem ser extraídas de plantas ou até mesmo de animais. Porém, atualmente, a demanda do mercado forçou químicos e engenheiros a recorrerem ao laboratório para o design de novas fragrâncias e a fazerem uso de processos produtivos mais interessantes do ponto de vista econômico e ambiental.

 

Antigamente, as fragrâncias eram classificadas de acordo com sua origem. Por exemplo, uma fragrância extraída de flores era alocada no grupo de florais. Atualmente, a classificação baseia‑se na volatilidade de seus compostos. A volatilidade é um conceito muito importante em química, pois diz respeito à capacidade de uma substância de passar do estado líquido para o estado de vapor ou gasoso. Substâncias mais voláteis passam ao estado gasoso mais facilmente. Quando você passa por uma loja, borrifam um pouco de perfume em um pedaço de papel e dão uma sacudida antes de entregá‑lo a você para sentir o cheiro. Isso é feito para favorecer a volatilização da primeira nota, para que você identifique qual cheiro o perfume vai ter por um período maior de tempo.

 

De maneira simplificada, cheiros e odores são produto de moléculas leves o suficiente para se espalhar pelo ar. Para a fabricação de perfumes, selecionam‑se odores e fragrâncias que são mais atrativos ao olfato humano. Um fato interessante é que as percepções de cheiros podem ser alteradas de pessoa para pessoa por motivos genéticos. Dependendo de alterações no genoma, os receptores de cheiros podem ser diferentes, o que faz com que um odor não seja o mesmo para você e para seus colegas.

 

Internet: <www.ppgquimica.propg.ufabc.edu.br> (com adaptações).

Texto para o item a seguir.     De acordo com a estrutura linguística do texto e com sua tipologia, julgue o item a seguir.   É facultativo o emprego do sinal indicativo de crase no “a” presente na expressão “a você”.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase facultativa antes de pronome pessoal

Gabarito: letra E (Errado). O emprego do sinal indicativo de crase no “a” presente na expressão “a você” não é facultativo: é proibido, pois “você” é pronome de tratamento que não admite artigo definido feminino. A regra que decide a questão é a da crase proibida antes de pronomes de tratamento, e o texto-base apenas contextualiza o uso da expressão, sem alterar essa norma gramatical.

O comando da questão

O enunciado pede um julgamento certo/errado sobre a facultatividade da crase em “a você”. Isso muda completamente a resolução: não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar uma regra gramatical (crase) a uma expressão que aparece nele. A banca mistura duas competências: a leitura do texto (para localizar a expressão) e o domínio da norma culta (para decidir se a crase é facultativa, obrigatória ou proibida).

A regra que decide

A crase é a fusão da preposição “a” com o artigo definido feminino “a” (ou com o “a” inicial de pronomes demonstrativos/relativos). Para que haja crase, é preciso que o termo seguinte admita o artigo feminino. Os pronomes de tratamento (você, senhor, Vossa Excelência, etc.) não admitem artigo, por isso a crase é proibida antes deles. A única exceção tradicional é “senhora”, “senhorita”, “madame” e “dona”, que podem receber artigo — mas “você” não está nessa lista.

No trecho do texto, a expressão é:

“borrifam um pouco de perfume em um pedaço de papel e dão uma sacudida antes de entregá‑lo a você para sentir o cheiro”

Aqui, “a você” é formado pela preposição “a” (exigida pelo verbo “entregar”: quem entrega, entrega algo a alguém) + o pronome de tratamento “você”. Como “você” não admite artigo, não há fusão de preposição com artigo — logo, não pode haver crase. Escrever “à você” é um erro clássico de gramática.

Por que a afirmação está errada

A afirmação diz que o emprego da crase é facultativo. Facultativo significa que o uso é opcional, ou seja, tanto faz escrever “a você” quanto “à você”. Isso é falso: a forma “à você” é incorreta em qualquer contexto, pois viola a regra de crase proibida antes de pronomes de tratamento. O que é facultativo, na crase, são outros casos: antes de nomes próprios femininos (posso dizer “refiro-me a Maria” ou “refiro-me à Maria”), antes de pronomes possessivos femininos (“refiro-me a minha amiga” ou “refiro-me à minha amiga”) e na locução “até a” (“até a loja” ou “até à loja”). Nenhum desses casos ocorre com “você”.

A pegadinha da banca

A banca tenta confundir o candidato de duas formas: primeiro, fazendo-o achar que a questão é de interpretação de texto (quando é de gramática normativa); segundo, explorando a confusão entre crase facultativa (que existe em alguns casos) e crase proibida (que é o caso aqui). O candidato que sabe que existe crase facultativa em alguns contextos pode marcar “certo” sem verificar se “você” se enquadra nesses contextos.

1Regra geral
Proibida (não admite artigo)
Ex.: você, senhor, Vossa Excelência
2Exceções (admitem artigo)
Senhora
Senhorita
Madame
Dona
3Casos facultativos (não se aplicam a "você")
Nomes próprios femininos
Pronomes possessivos femininos
Locução "até a"
Crase antes de pronome de tratamento
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Crase antes de pronome de tratamento: Regra geral (Proibida (não admite artigo), Ex.: você, senhor, Vossa Excelência); Exceções (admitem artigo) (Senhora, Senhorita, Madame, Dona); Casos facultativos (não se aplicam a "você") (Nomes próprios femininos, Pronomes possessivos femininos, Locução "até a")
NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre crase facultativa (antes de nomes próprios, possessivos e “até a”) e crase proibida (antes de pronomes de tratamento). O candidato que decora os casos facultativos sem entender a lógica da crase cai na armadilha.

Conclusão

A expressão “a você” não admite crase, pois “você” é pronome de tratamento que repele o artigo feminino. Portanto, a afirmação de que o emprego é facultativo está errada. A regra de ouro: antes de pronome de tratamento, crase é proibida — salvo “senhora”, “senhorita”, “madame” e “dona”.

Gabarito: letra E (Errado).

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