Questão de Português — Orações Subordinadas Adjetivas — Quadrix 2024
Português›Orações Subordinadas Adjetivas
Código
qa600442
Banca
Quadrix
Órgão
CRF AC
Ano
2024
Cargo
Aux Adm ( )
Na Grécia Antiga, três séculos antes de Cristo, foi fundada a Escola Estoica. O ideal de seus seguidores era viver “de acordo com a natureza”, e assumir uma atitude impassível e racional diante dos acontecimentos, fossem eles marcados pela dor ou pelo prazer. Séculos mais tarde, de acordo com os valores da cultura judaico‐cristã, a dor passou a ser encarada como forma de redimir os pecados intrínsecos à espécie humana, ou como castigo pelos erros cometidos. Prova disso está nas súplicas – “A vós suplicamos gemendo e chorando neste vale de lágrimas” –, ou na ira divina ao punir a desobediência de Eva no Paraíso: “Entre dores darás à luz os filhos”. Nem os poetas escaparam dessa postura de aceitação da dor – “Ser mãe é padecer no Paraíso” – como mal necessário a caminho da redenção.
Sob o enfoque da medicina moderna, porém, a dor é um sinal de alarme e o sofrimento que provoca, além de absolutamente inútil, debilita o organismo e compromete a qualidade de vida. Mas nem sempre se pensou assim. Durante muito tempo, as faculdades de medicina e de enfermagem não capacitaram os alunos para lidar com a dor, fosse ela aguda ou crônica, e muitos médicos estão despreparados para enfrentar esse desafio, apesar dos avanços tecnológicos e na área da farmacologia. Não estamos nos referindo aquiA) às dores mais levesB) que passam com a administração de analgésicosC) comuns, masD) às dores agudas e crônicas, que requerem tratamentoE) mais agressivo e especializado.
Hoje, infelizmente, a despeito de todo o progresso terapêutico, essas dores ainda não recebem a abordagem necessária e estão se transformando em um problema de saúde pública no Brasil.
Texto para o item a seguir. Em relação à pontuação do período do texto “Não estamos nos referindo aqui às dores mais leves que passam com a administração de analgésicos comuns, mas às dores agudas e crônicas, que requerem tratamento mais agressivo e especializado.”, uma alteração que manteria a coerência e a correção gramatical do trecho seria a inserção de vírgula após
A“aqui”.
B“leves”.
C“analgésicos”.
D“mas”.
E“tratamento”.
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GabaritoB — “leves”.
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Pontuação: vírgula antes de oração adjetiva restritiva
Gabarito: letra B. A inserção de vírgula após “leves” transformaria a oração adjetiva restritiva “que passam com a administração de analgésicos comuns” em explicativa, alterando o sentido do trecho e, portanto, quebrando a coerência pretendida pelo autor. A passagem que sustenta essa leitura é a que distingue dois grupos de dores: as “mais leves” (que passam com analgésicos) e as “agudas e crônicas” (que requerem tratamento especializado).
O comando pede uma alteração de pontuação que mantenha a coerência e a correção gramatical. Isso significa que a vírgula inserida não pode mudar o sentido original do período. A questão testa, na prática, a diferença entre oração adjetiva restritiva (sem vírgula, restringe o sentido) e oração adjetiva explicativa (com vírgula, explica algo já conhecido).
No trecho, a oração “que passam com a administração de analgésicos comuns” é restritiva: ela delimita quais dores são “mais leves”, distinguindo-as das “agudas e crônicas”. O autor não está dizendo que todas as dores leves passam com analgésicos; ele está definindo o subconjunto das dores leves que passam com analgésicos. A vírgula após “leves” eliminaria essa restrição, fazendo a oração virar um comentário geral sobre todas as dores leves — o que contradiz a estrutura contrastiva do período (“mas às dores agudas e crônicas”).
A técnica para resolver: identifique se a oração adjetiva restringe ou explica. Se restringe, a vírgula é proibida; se explica, é obrigatória. No texto, a restrição é evidente pela oposição “mais leves” × “agudas e crônicas”. Inserir vírgula após “leves” tornaria a oração explicativa, sugerindo que todas as dores leves passam com analgésicos — o que não é o que o autor afirma, pois ele fala de um grupo específico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação automática de que “toda oração com ‘que’ pode ser isolada por vírgula”. A pegadinha é a troca de sentido: a vírgula transforma restritiva em explicativa, e o candidato que não percebe a diferença marca a letra B achando que é só uma pausa.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Inserir vírgula após “aqui” separaria o adjunto adverbial “aqui” do restante da oração. Embora adjuntos adverbiais deslocados possam ser isolados, “aqui” está na ordem direta, logo após o verbo “referindo”. A vírgula criaria uma pausa desnecessária e quebraria a fluidez, sem ganho de clareza. Erro: pontuação sem função sintática ou de sentido.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A vírgula após “leves” é a única que altera o sentido de forma relevante. Ela transformaria a oração adjetiva restritiva “que passam com a administração de analgésicos comuns” em explicativa. No texto, a restrição é essencial para contrapor as dores leves (que passam com analgésicos) às agudas e crônicas (que requerem tratamento especializado). Sem a vírgula, o autor delimita um grupo; com a vírgula, ele generaliza. A alteração quebra a coerência, pois o período perderia a distinção que sustenta o argumento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Inserir vírgula após “analgésicos” separaria o adjunto adnominal “comuns” do substantivo “analgésicos”. A vírgula não pode separar o núcleo do seu adjunto. A frase ficaria “analgésicos, comuns”, o que é gramaticalmente incorreto e semanticamente estranho. Erro: separação de termo que integra o sintagma nominal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Inserir vírgula após “mas” é proibido pela norma culta. A conjunção adversativa “mas” é a única que não pode ser isolada por vírgula quando inicia oração coordenada. A vírgula deve vir antes de “mas”, não depois. A frase ficaria “mas, às dores agudas”, o que é um erro de pontuação clássico. Erro: vírgula após conjunção coordenativa (caso proibido).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Inserir vírgula após “tratamento” separaria o verbo “requerem” do seu objeto direto “tratamento mais agressivo e especializado”. A vírgula não pode separar verbo de complemento. A frase ficaria “requerem, tratamento”, o que é gramaticalmente incorreto. Erro: separação de verbo e objeto direto (caso proibido).
Conclusão: a questão cobra a distinção entre oração adjetiva restritiva e explicativa. A vírgula após “leves” é a única que altera o sentido, pois transforma uma restrição em explicação, quebrando a coerência do contraste entre dores leves e dores agudas/crônicas. As demais opções ou são casos proibidos de vírgula ou não têm função relevante.