Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — Quadrix 2024

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
qa600466
Banca
Quadrix
Órgão
CRB 6
Ano
2024
Cargo
Ass Adm ( )

Texto para a questão.

 

Pádua começou a falar da administração interina, não somente sem as saudades dos honorários, nem o vexame da perda, mas até com desvanecimento e orgulho. A administração ficou sendo a hégira, donde ele contava para diante e para trás.

 

— No tempo em que eu era administrador...

 

Ou então:

 

— Ah! sim, lembra‑me, foi antes da minha administração, um ou dois meses antes... Ora espere; a minha administração começou... É isto, mês e meio antes; foi mês e meio antes, não foi mais.

 

Ou ainda:

 

— Justamente; havia já seis meses que eu administrava..

 

Tal é o sabor póstumo das glórias interinas. José Dias bradava que era a vaidade sobrevivente; mas o padre Cabral, que levava tudo para a Escritura, dizia que com o vizinho Pádua se dava a lição de Elifás a Jó: “Não desprezes a correção do Senhor; Ele fere e cura”.

 

“Ele fere e cura!”. Quando, mais tarde, vim a saber que a lança de Aquiles também curou uma ferida que fez, tive tais ou quais veleidades de escrever uma dissertação a este propósito. Cheguei a pegar em livros velhos, livros mortos, livros enterrados, a abri‑los, a compará‑los, catando o texto e o sentido, para achar a origem comum do oráculo pagão e do pensamento israelita. Catei os próprios vermes dos livros, para que me dissessem o que havia nos textos roídos por eles.

 

— Meu senhor, respondeu‑me um longo verme gordo, nós não sabemos absolutamente nada dos textos que roemos, nem escolhemos o que roemos, nem amamos ou detestamos o que roemos; nós roemos.

 

Não lhe arranquei mais nada. Os outros todos, como se houvessem passado palavra, repetiam a mesma cantilena. Talvez esse discreto silêncio sobre os textos roídos fosse ainda um modo de roer o roído.

 

Internet: <www.machado.mec.gov.br> (com adaptações).

Com base no texto, julgue o item a seguir.   No sétimo parágrafo, a forma verbal “desprezes” é um imperativo de terceira pessoa do singular.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A forma “desprezes” é imperativo de 3ª pessoa?

Gabarito: letra E (Errado). A forma “desprezes” é presente do subjuntivo, 2ª pessoa do singular (tu), e não imperativo de 3ª pessoa. No trecho bíblico citado, “Não desprezes a correção do Senhor”, o verbo está no modo subjuntivo, empregado em uma oração negativa com valor de ordem — e, em português, a negativa de imperativo se constrói com o presente do subjuntivo. A passagem que ancora a análise é:

“Não desprezes a correção do Senhor; Ele fere e cura”.

A forma “desprezes” corresponde a tu não desprezes — 2ª pessoa, não 3ª.

O comando e o que ele exige

A questão pede um julgamento (Certo/Errado) sobre uma classificação morfológica da forma verbal “desprezes”. Não se trata de interpretação de texto, mas de reconhecimento de tempo, modo e pessoa verbais — conteúdo de morfologia. O comando é direto: a afirmação diz que “desprezes” é “imperativo de terceira pessoa do singular”. Para resolver, você precisa saber:

  1. Qual é o modo da forma (imperativo ou subjuntivo?);

  2. Qual é a pessoa (2ª ou 3ª?).

A forma “desprezes” no texto

No sétimo parágrafo, o padre Cabral cita a Escritura: “Não desprezes a correção do Senhor”. A forma “desprezes” vem do verbo desprezar (1ª conjugação). No presente do subjuntivo, a conjugação é:

  • eu despreze

  • tu desprezes

  • ele despreze

  • nós desprezemos

  • vós desprezeis

  • eles desprezem

A terminação -es é característica da 2ª pessoa do singular do presente do subjuntivo. Já o imperativo afirmativo de “desprezar” para “tu” é despreza (sem “s”), e para “você” é despreze.

A pegadinha: imperativo negativo

Em português, o imperativo negativo é formado com o presente do subjuntivo. Assim, “Não desprezes” é a forma negativa do imperativo para “tu”, mas a forma verbal em si é subjuntivo. A banca tenta fazer você confundir o valor de ordem (que existe) com o modo verbal (que é subjuntivo).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o valor semântico (ordem) e a forma morfológica (subjuntivo). “Não desprezes” tem valor de ordem, mas é subjuntivo, não imperativo.

Análise da assertiva

1Modo
Presente do subjuntivo
Não é imperativo
2Pessoa
2ª do singular (tu)
Não é 3ª pessoa
3Imperativo negativo
Usa presente do subjuntivo
"Não desprezes" = ordem
Forma "desprezes"
LEVELsoulevel.com.br
Forma "desprezes": Modo (Presente do subjuntivo, Não é imperativo); Pessoa (2ª do singular (tu), Não é 3ª pessoa); Imperativo negativo (Usa presente do subjuntivo, "Não desprezes" = ordem)

Assertiva — ❌ Errada

A afirmação diz que “desprezes” é “imperativo de terceira pessoa do singular”. Isso é falso por dois motivos:

  1. Modo: é presente do subjuntivo, não imperativo.

  2. Pessoa: é 2ª pessoa do singular (tu), não 3ª.

A forma correta do imperativo afirmativo para “tu” seria despreza (ex.: “Despreza a correção”). A forma “desprezes” só aparece no imperativo negativo, mas aí é subjuntivo.

Conclusão

A assertiva está errada. A forma “desprezes” é presente do subjuntivo, 2ª pessoa do singular, usada no imperativo negativo.

PEGA ESSA DICA!

Para reconhecer o imperativo, lembre-se: no afirmativo, usa-se a forma própria (despreza tu, despreze você); no negativo, usa-se o presente do subjuntivo (não desprezes tu, não despreze você). Se a frase tem “não” antes do verbo, desconfie: provavelmente é subjuntivo.

Gabarito: letra E (Errado).

Link permanente: /questoes/qa600466