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Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — Quadrix 2024

PortuguêsRegência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
qa600523
Banca
Quadrix
Órgão
CRC RR
Ano
2024
Cargo
Cont Fis ( )

Foi a Itália o primeiro país a fazer restrições à prática da contabilidade por um indivíduo qualquer. O governo passou a reconhecer como contadores somente pessoas devidamente qualificadas para o exercício da profissão. A importância da matéria aumentou com as guerras ocorridas nos séculos XVIII e XIX, que consagraram numerosas falências e a consequente necessidade de se proceder à determinação das perdas e dos lucros entre credores e devedores.

 

A partir de 1516, começaram a ser lançadas obras sobre contabilidade em diversas partes da Europa, como a de Gian Francesco Aritmético, que tinha algumas páginas sobre a partida dobrada. Em 1517, começou a fase moderna da contabilidade, com o aparecimento do inventário e do modo como ele deveria ser feito. A cultura contábil europeia ultrapassara a difusão da obra de Luca Pacioli (frade franciscano e célebre matemático italiano), publicada em 1494, e penetrava na era pré‑científica. A obra L’indirizzo degli economia, de Ângelo Pietra (economista beneditino italiano), de 1586, inicia uma série de outras que buscariam conceitos em contabilidade e a explicação de fatos da riqueza, embora estivessem ainda muito comprometidas com os processos de apenas registrar e informar. Em 1590, surgiu a obra de especialização, dentro da contabilidade, sobre o livro caixa, de Bartolomeu Salvador de Solorzano, na Espanha.

 

A primeira obra de contabilidade industrial surgiu em 1601. Foi escrita por Giovanni Antonio Moschetti e editada na Itália. Embora sem teor de ciência, essa obra tem méritos inequívocos, como o levantamento de fenômenos que mais tarde seriam objeto de questionamentos. Já em 1636, o jesuíta italiano Ludovico Flori lançou a obra que foi uma das bases de um princípio contábil da prudência. Flori foi o primeiro a difundir o critério da partida de múltiplos débitos e créditos, rompendo com a tradição de um só crédito e um só débito. Pietra (1586) e Flori 1636), ambos monges, formam as mais expressivas bases do período inicial pré‑científico.

 

O século XVII ficou conhecido como o berço da era científica. Pascal já tinha inventado a calculadora e Francisco Villa, italiano da cidade de Lombardia, extrapolou os conceitos tradicionais de contabilidade para participar de um concurso promovido pelo governo da Áustria. Para ele, a contabilidade implicava conhecer a natureza, assim como os detalhes, as normas, as leis e as práticas que regem a matéria administrada, ou seja, o patrimônio.

 

Internet: <www.jornalcontabil.com.br> (com adaptações).

Texto para o item a seguir.

   

Considerando a estrutura linguística e o vocabulário empregados no texto, julgue o item a seguir.

 

O emprego da preposição em após a forma verbal “implicava” prejudicaria a correção gramatical do texto.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência do verbo "implicar": preposição "em" e correção gramatical

Gabarito: E (Errado). O emprego da preposição "em" após a forma verbal "implicava" não prejudicaria a correção gramatical do texto, pois o verbo "implicar", no sentido de "acarretar", "trazer como consequência", é transitivo direto e, portanto, não admite preposição. A afirmação do item está incorreta.

O comando pede um julgamento sobre a estrutura linguística do texto, especificamente sobre a regência do verbo "implicar". A questão é de gramática aplicada ao texto: não se trata de interpretar uma ideia, mas de avaliar se uma alteração hipotética (inserir a preposição "em") manteria a correção gramatical. Para resolver, é preciso identificar o sentido do verbo no contexto e sua consequente transitividade.

No trecho do 4º parágrafo, lê-se:

"Para ele, a contabilidade implicava conhecer a natureza, assim como os detalhes, as normas, as leis e as práticas que regem a matéria administrada, ou seja, o patrimônio."

Aqui, "implicava" tem o sentido de "acarretava", "exigia", "trazia como consequência". Nessa acepção, o verbo é transitivo direto (VTD), ou seja, seu complemento (objeto direto) liga-se a ele sem preposição. O complemento é a oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo "conhecer a natureza...".

A regência do verbo "implicar" varia conforme o sentido:

Sentido

Transitividade

Exemplo

Acarretar, trazer como consequência

Transitivo direto (VTD)

A medida implicou novos gastos.

Envolver, comprometer

Transitivo direto (VTD)

A polícia implicou o suspeito.

Ser implicante, insistir

Transitivo indireto (VTI)

Ela implicava com o irmão.

No texto, o sentido é o primeiro: "implicava" = "acarretava". Portanto, o verbo é VTD e não pede preposição. Inserir "em" após "implicava" criaria uma regência inadequada, mas a questão pergunta se isso prejudicaria a correção gramatical — e a resposta é não, porque a preposição não é exigida, mas sua ausência é que é correta. A afirmação do item é falsa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato ao sugerir que "implicar" exige a preposição "em" (como em "implicar em algo"), mas no sentido de "acarretar" o verbo é transitivo direto. A pegadinha é a troca de sentido: quem memoriza a regência de "implicar" no sentido de "envolver-se" pode marcar errado.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar a regência de um verbo, identifique primeiro o sentido no contexto. Verbos como "implicar", "aspirar", "querer" mudam de transitividade conforme o significado. Grife o trecho e pergunte: "o que o verbo significa aqui?" antes de aplicar a regra.

Item — ❌ Errado

A afirmação "O emprego da preposição 'em' após a forma verbal 'implicava' prejudicaria a correção gramatical do texto" é falsa. No trecho, "implicava" é transitivo direto, e a preposição "em" não é exigida. Portanto, a inserção de "em" não prejudicaria a correção gramatical — ela apenas criaria uma regência inadequada, mas a questão pergunta se prejudicaria, e a resposta é não.

Conclusão: Como a banca pede o julgamento do item, e a afirmação é falsa, o gabarito é E (Errado). A regra de ouro: regência se decide pelo sentido do verbo no contexto — "implicar" no sentido de "acarretar" é VTD, sem preposição.

Gabarito: E (Errado)

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