A necessidade de incluir a contabilidade dos recursos naturais (ou contabilidade do capital natural) na sistematização de informações da atividade econômica de um país deriva dos referenciais definidos nos últimos anos para o alcance de um desenvolvimento sustentável, que demarcam a necessidade de considerar as relações entre as dimensões econômica, social e ambiental dos países para garantir um crescimento econômico de baixo carbono, verdadeiramente sustentável. Dessa forma, as decisões políticas sobre crescimento econômico, investimento em panorama social e gestão ambiental devem ser cada vez mais sensíveis aos valores dos recursos naturais, à sua escassez e à sua deterioração.
No contexto das Metas de Aichi e das Metas Nacionais de Biodiversidade, a meta 2 refere‑se à importância da integração dos valores da biodiversidade, geodiversidade e sociodiversidade em contas nacionais, o que é feito pela contabilidade ambiental. A Lei nº 13.493/2017 instituiu no Brasil o produto interno verde (PIV), em cujo cálculo seria considerado o patrimônio ecológico nacional. O cálculo do PIV possibilitaria a convergência com sistemas de contas econômicas ambientais e uma melhor interpretação dos bens e serviços produzidos pelo país por meio da inclusão de elementos de sustentabilidade – para a compreensão dos estoques de capital natural existentes e dos fluxos de capital natural para a geração de bens e serviços e, consequentemente, de informações associadas à sua deterioração.
Texto para o texto a seguir. Quanto à estrutura linguística e ao vocabulário do texto, julgue o item a seguir. É facultativo o emprego do sinal indicativo de crase no “à” que antecede “sua deterioração”.
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GabaritoC — Certo
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Crase facultativa antes de pronome possessivo feminino
Gabarito: C (Certo). O emprego do sinal indicativo de crase no “à” que antecede “sua deterioração” é facultativo, pois se trata de crase diante de pronome possessivo feminino singular (“sua”), caso em que o artigo definido “a” pode ou não ser usado. A regra que autoriza essa facultatividade está no próprio texto, no trecho em que se lê “informações associadas à sua deterioração”, e é confirmada pela gramática normativa.
O comando da questão
O enunciado pede que se julgue a afirmação sobre a facultatividade do uso da crase. Isso não é uma questão de interpretação de texto, mas de gramática normativa aplicada ao texto: é preciso identificar a classe da palavra que segue o “a” e verificar se a regra de crase facultativa se aplica. O comando “julgue o item” indica que devemos avaliar se a proposição está certa ou errada, e não escolher entre alternativas.
A regra de crase facultativa
A crase é a fusão da preposição “a” com o artigo definido feminino “a” (ou com o “a” inicial de pronomes demonstrativos e relativos). Em alguns casos, o uso do artigo é facultativo, o que torna a crase também facultativa. Os três casos clássicos de crase facultativa são:
Antes de pronome possessivo feminino singular (minha, tua, sua, nossa, vossa): “Refiro-me a minha amiga” ou “Refiro-me à minha amiga”.
Antes de nome próprio de pessoa feminino: “Entreguei o documento a Maria” ou “Entreguei o documento à Maria”.
Depois da preposição “até”: “Fui até a praia” ou “Fui até à praia”.
No caso da questão, temos “informações associadas à sua deterioração”. O termo “sua” é um pronome possessivo feminino singular, e o substantivo “deterioração” é feminino. A preposição “a” é exigida pela regência do verbo “associar” (quem associa, associa algo a algo). Como o pronome possessivo admite ou não o artigo definido, a crase é facultativa.
Aplicação ao texto
No texto, o trecho relevante é:
“...e, consequentemente, de informações associadas à sua deterioração.”
Aqui, “associadas” exige a preposição “a” (associadas a algo). O termo seguinte é “sua deterioração”, em que “sua” é pronome possessivo. Como o artigo definido “a” pode ser omitido antes de pronome possessivo, podemos escrever tanto “associadas a sua deterioração” quanto “associadas à sua deterioração”. Ambas as formas estão corretas, o que confirma a facultatividade.
Análise da alternativa
Crase facultativa: Antes de pronome possessivo feminino singular ("a minha" ou "à minha", "a sua" ou "à sua"); Antes de nome próprio feminino ("a Maria" ou "à Maria"); Depois da preposição "até" ("até a praia" ou "até à praia")
Alternativa C — ✅ Certo ⟵ GABARITO
A afirmação está correta. O “à” em “à sua deterioração” é facultativo porque se trata de crase diante de pronome possessivo feminino singular. A regra gramatical permite tanto o uso quanto a omissão do artigo definido antes de pronome possessivo, tornando a crase opcional. O texto não apresenta nenhuma particularidade que torne a crase obrigatória nesse caso.
Alternativa E — ❌ Errado
A afirmação de que o emprego é obrigatório está errada. A crase diante de pronome possessivo feminino singular é facultativa, não obrigatória. A banca tenta confundir o candidato fazendo-o acreditar que, por ser um substantivo feminino, a crase seria sempre obrigatória. No entanto, a presença do pronome possessivo “sua” é o fator que torna o uso opcional.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre crase obrigatória diante de substantivo feminino e crase facultativa diante de pronome possessivo. O candidato que não conhece a regra específica tende a marcar “Errado” por achar que a crase é obrigatória.
PEGA ESSA DICA!
Memorize os três casos de crase facultativa: antes de pronome possessivo feminino singular, antes de nome próprio feminino e depois de “até”. Em provas, quando aparecer “sua”, “minha”, “nossa” etc., desconfie da facultatividade.
Conclusão: a questão cobra o conhecimento da regra de crase facultativa diante de pronome possessivo feminino singular. Como o texto apresenta “à sua deterioração”, e o pronome “sua” admite ou não o artigo, o uso da crase é opcional. Portanto, o item está Certo.