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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Quadrix 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa600543
Banca
Quadrix
Órgão
CONFERE
Ano
2024
Cargo
Ass Jur ( )

Desde o início do século XIX, o contrato já era considerado como constituindo a lei entre as partes, em virtude do princípio da autonomia da vontade, que prevaleceu após a Revolução Francesa, como decorrência da própria liberdade individual. Entendia‑se, na época, que o Estado não deveria interferir na economia, de acordo com a doutrina do liberalismo econômico. Emanação da vontade das partes, o contrato presumia‑se justo pelo fato de decorrer do consenso dos interessados. Até o início do século XX, certos autores não admitiam que o uso abusivo de um direito ou de uma faculdade pudesse ensejar uma responsabilidade.

 

Após a Primeira Guerra Mundial e o advento da social‑democracia, que passou a dominar vários países e, em particular, a Alemanha, com a chamada República de Weimar, ampliou‑se o conceito de ordem pública e o dirigismo econômico levou o Estado a uma maior interferência no campo contratual. Elaborou‑se, na época, a teoria dos contratos de adesão, nos quais o aderente deveria merecer uma proteção especial, além dos chamados contratos dirigidos e das convenções coletivas de trabalho, limitando‑se gradativamente a liberdade das partes.

 

As restrições abrangeram a liberdade de contratar e a liberdade contratual. A primeira consiste no poder decisório de contratar ou não contratar, em determinadas situações; a lei poderia obrigar, em certos casos, as partes a firmar determinados contratos, sob pena de cometerem infrações de caráter econômico. A segunda, a liberdade contratual, significava a possibilidade, para os contratantes, de estabelecer o conteúdo do contrato, ou seja, de impor ou aceitar determinados deveres e obrigações e de constituir certos direitos.

 

O dirigismo ensejou uma proteção legal especial para determinadas classes de contratantes, criando‑se novos ramos da legislação para definir as relações trabalhistas e as decorrentes do inquilinato. Mantinha‑se o princípio da autonomia da vontade, que, todavia, não mais era soberana, mas controlada pelo legislador ou pela autoridade reguladora. Passou, assim, o contrato a atender não só ao interesse das partes, mas também ao da sociedade, predominando o que se denominou de voluntarismo social. Entendeu‑se, pois, que continuava a prevalecer a vontade das partes, desde que o objeto do contrato e as cláusulas contratuais fossem compatíveis não só com a ordem pública, mas também com a justiça.

 

Internet: <www.st.jus.br> (com adaptações).

Texto para a questão.     Em decorrência do dirigismo, o contrato
  1. Afavoreceu o predomínio do voluntarismo social.
  2. Bdefiniu as relações trabalhistas e as decorrentes do inquilinato.
  3. Cpassou a atender igualmente ao interesse das partes e ao da sociedade.
  4. Dinaugurou a preocupação com os interesses da sociedade na esfera comercial.
  5. Eensejou uma proteção legal especial para determinadas classes de contratantes.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — favoreceu o predomínio do voluntarismo social.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Em decorrência do dirigismo, o contrato — consequência central

Gabarito: letra A. O texto afirma que, em decorrência do dirigismo, o contrato passou a atender não só ao interesse das partes, mas também ao da sociedade, predominando o que se denominou de voluntarismo social. A alternativa A é a única que expressa essa consequência geral e direta, como se lê no 4º parágrafo.

O comando da questão

O enunciado pede uma compreensão (informação explícita) e, mais especificamente, uma relação de causa e consequência: "Em decorrência do dirigismo, o contrato...". Ou seja, a banca quer saber qual foi o efeito do dirigismo sobre o contrato, conforme o texto. Não se trata de inferir algo implícito, mas de localizar a passagem que estabelece essa relação.

O texto e o movimento argumentativo

O texto traça a evolução histórica do contrato: do liberalismo (autonomia da vontade soberana) ao dirigismo estatal (intervenção do Estado). No 4º parágrafo, o autor conclui essa evolução:

"Passou, assim, o contrato a atender não só ao interesse das partes, mas também ao da sociedade, predominando o que se denominou de voluntarismo social."

A palavra "assim" é o conectivo que marca a consequência: o que vem depois é o resultado do dirigismo. O voluntarismo social é o nome dado a essa nova fase, em que a vontade das partes continua a prevalecer, mas desde que o objeto e as cláusulas sejam compatíveis com a ordem pública e com a justiça. Portanto, a consequência central do dirigismo é o predomínio do voluntarismo social.

A técnica que decide

Em questões de causa e consequência, procure o conectivo que estabelece a relação ("assim", "portanto", "em decorrência de") e leia o que vem depois dele. Aqui, o "assim" do 4º parágrafo é a chave: ele introduz a consequência. As demais alternativas citam medidas específicas do dirigismo (proteção legal, definição de relações trabalhistas, etc.), mas não a consequência geral sobre o contrato.

Análise das alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Passou, assim, o contrato a atender não só ao interesse das partes, mas também ao da sociedade, predominando o que se denominou de voluntarismo social."

A alternativa A parafraseia exatamente essa passagem: o dirigismo fez o contrato favorecer o predomínio do voluntarismo social. É a consequência direta e geral, marcada pelo conectivo "assim".

Alternativa B — ❌ Incorreta

"O dirigismo ensejou uma proteção legal especial para determinadas classes de contratantes, criando-se novos ramos da legislação para definir as relações trabalhistas e as decorrentes do inquilinato."

O texto diz que o dirigismo criou novos ramos da legislação para definir essas relações, mas isso é uma medida específica do dirigismo, não a consequência sobre o contrato em si. A alternativa restringe o alcance da consequência a um aspecto particular, enquanto o comando pede o efeito geral sobre o contrato. Erro: restringir.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Passou, assim, o contrato a atender não só ao interesse das partes, mas também ao da sociedade."

O texto diz que o contrato passou a atender não só ao interesse das partes, mas também ao da sociedade — ou seja, ambos, sem hierarquia. A alternativa C diz "igualmente", o que sugere uma igualdade de peso que o texto não afirma. O texto apenas diz que o contrato passou a atender também ao interesse da sociedade, não que atende igualmente. Erro: troca de vocábulo ("também" por "igualmente").

Alternativa D — ❌ Incorreta

O texto não afirma que o dirigismo inaugurou a preocupação com os interesses da sociedade na esfera comercial. Ele diz que o contrato passou a atender também ao interesse da sociedade, mas não diz que isso foi inaugurado pelo dirigismo. A palavra "inaugurou" é uma extrapolação: o texto não diz que essa preocupação não existia antes. Erro: extrapolar.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"O dirigismo ensejou uma proteção legal especial para determinadas classes de contratantes."

Essa afirmação está literalmente no texto, mas é uma medida específica do dirigismo, não a consequência sobre o contrato em si. O comando pede "Em decorrência do dirigismo, o contrato...", e a alternativa E fala de uma ação do dirigismo (ensejou proteção), não do efeito sobre o contrato. Erro: tangenciar (fala de algo relacionado, mas não responde ao comando).

Conclusão

A questão testa a capacidade de distinguir a consequência geral de medidas específicas. A alternativa A é a única que expressa a consequência central do dirigismo sobre o contrato, conforme o texto. As demais ou restringem o alcance, ou trocam termos, ou extrapolam informações, ou tangenciam o tema.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de causa e consequência, sublinhe o conectivo que marca a relação ("assim", "portanto", "em decorrência de") e leia o que vem depois dele. A consequência geral costuma estar na conclusão do parágrafo.

Gabarito: letra A

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