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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — Quadrix 2024

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
qa600720
Banca
Quadrix
Órgão
CRP 8 (PR)
Ano
2024
Cargo
AuxFF (CRP 8)

O presidente do Conselho Diretor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, dr. Wagner F. Gattaz, em um breve panorama sobre a saúde mental dos trabalhadores ao redor do mundo, destaca o impacto que a depressão gera tanto na vida dos funcionários quanto na economia das organizações e afirma que a melhor via para a promoção do bem‑estar do empregado e da produtividade da empresa é investir em programas de saúde mental.

   

Segundo o especialista, a depressão é uma doença que se caracteriza por um período mínimo de duas semanas em que a pessoa se sente triste, melancólica, com sensações de aperto no peito (angústia), inquietação (ansiedade), desânimo e falta de energia. O indivíduo sente‑se apático, perde a motivação, acha tudo sem sentido, torna‑se pessimista e preocupado. Tal estado afeta o organismo como um todo e compromete o sono, o apetite e a disposição física. O risco de adoecimento por depressão ao longo da vida é de 10% para homens e 15% para mulheres e estudos epidemiológicos em diversos países mostram que hoje, no mundo, cerca de 350 milhões de pessoas de diferentes classes sociais sofrem de depressão.

   

O dr. Gattaz destaca que, além de intenso sofrimento para o indivíduo, a depressão é a maior causa de queda de produtividade no trabalho: “O que se observa é que existe uma interação entre o trabalho e a doença. O deprimido, devido aos sintomas de desânimo, falta de concentração e insegurança, passa a ter um rendimento menor, o que, por sua vez, causa uma frustração que agrava seu quadro depressivo.”

 

O médico afirma, ainda, que, só nos Estados Unidos da América, a depressão gera anualmente custos diretos e indiretos que somam U$ 250 bilhões. A queda na produtividade gerada pela depressão tem um impacto na economia e nas empresas, sendo responsável por 50% desses custos. Outros impactos importantes são o absenteísmo, o aumento da rotatividade dos funcionários e os efeitos da depressão nos custos do seguro saúde. Estudos internacionais das duas últimas décadas indicam que a qualidade de vida diminui com o aumento da gravidade dos sintomas depressivos, havendo, portanto, uma relação inversamente proporcional entre ambas.

 

O Dr. Gattaz observa, por fim, que, embora a depressão seja uma doença de alta prevalência, que causa um inigualável sofrimento para o indivíduo e um forte impacto na economia e na qualidade de vida, globalmente ela é, segundo dados da Organização Mundial de Saúde, a mais subdiagnosticada entre todas as doenças: 45% das pessoas com depressão não recebem um diagnóstico e, portanto, não são tratadas adequadamente. Esse quadro se repete nas empresas e causa o sofrimento dos funcionários e perdas econômicas. Diferentes estudos mostram que, nas empresas, programas de saúde mental que focam principalmente o diagnóstico da depressão restituem a saúde de seus funcionários e garantem um retorno de 2 a 3 vezes do que foi investido.


Internet: <portal.sescsp.org.br> (com adaptações).

No que se refere aos aspectos linguísticos do texto, julgue os seguintes itens.   Estaria mantida a correção gramatical do texto caso a forma verbal “recebem” estivesse flexionada na terceira pessoa do singular, já que o sujeito da oração é uma expressão de porcentagem.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal com expressão de porcentagem

Gabarito: E (Errado). A afirmação está incorreta porque, no trecho do texto, o sujeito da forma verbal “recebem” não é uma simples expressão de porcentagem, mas sim a expressão “45% das pessoas”, em que o núcleo do sujeito é o substantivo “pessoas” (plural). Por isso, o verbo deve permanecer no plural para concordar com o núcleo do sujeito, e a flexão para o singular “recebe” quebraria a concordância. A regra que autoriza essa conclusão está no próprio texto, no trecho: “45% das pessoas com depressão não recebem um diagnóstico”.

O comando da questão

O enunciado pede um julgamento de correção gramatical diante de uma reescritura hipotética: “Estaria mantida a correção gramatical do texto caso a forma verbal ‘recebem’ estivesse flexionada na terceira pessoa do singular, já que o sujeito da oração é uma expressão de porcentagem.”

Aqui, o verbo do comando é “estaria mantida” — ou seja, a banca quer que você avalie se a troca de “recebem” por “recebe” preservaria a norma culta. Isso é uma questão de concordância verbal, não de interpretação de sentido. O foco está em identificar o núcleo do sujeito e aplicar a regra de concordância com expressões percentuais.

O trecho em análise

No texto, lemos:

“45% das pessoas com depressão não recebem um diagnóstico e, portanto, não são tratadas adequadamente.”

O sujeito da oração é “45% das pessoas com depressão”. A expressão “45%” é um numeral percentual, mas ela vem acompanhada do sintagma “das pessoas”, que funciona como adjunto adnominal (ou complemento nominal, conforme a análise). O núcleo do sujeito, para fins de concordância, é o substantivo “pessoas”, que está no plural.

A regra de concordância com porcentagem

Quando a expressão de porcentagem é seguida de um substantivo, o verbo pode concordar:

  • com o numeral (a porcentagem em si): “45% das pessoas recebe” — construção menos usual, mas aceita em alguns contextos;

  • com o substantivo que segue a preposição “de”: “45% das pessoas recebem” — construção mais natural e preferida pela norma culta, especialmente quando o substantivo está explícito e no plural.

No texto, o autor optou pela concordância com o substantivo “pessoas”, usando o verbo no plural “recebem”. Essa é uma escolha gramaticalmente correta e, portanto, a reescritura para o singular “recebe” não manteria a correção, pois alteraria a concordância com o núcleo real do sujeito.

Por que a alternativa E é a correta

A afirmação do item diz que “estaria mantida a correção gramatical” se o verbo fosse flexionado no singular, “já que o sujeito da oração é uma expressão de porcentagem”. Há dois erros nessa justificativa:

  1. O sujeito não é apenas a expressão de porcentagem: é “45% das pessoas”, cujo núcleo é “pessoas”.

  2. A concordância com o substantivo plural é obrigatória quando ele está explícito: não se pode simplesmente ignorar o substantivo e usar o singular.

Portanto, a reescritura para “recebe” quebraria a concordância, tornando a frase incorreta. O item está errado.

Concordância com porcentagem
  • 1"45% das pessoas"
    • Núcleo: "pessoas" (plural)
    • Verbo no plural: "recebem"
  • 2Regra
    • Com substantivo explícito
      • Concorda com o substantivo
      • Singular "recebe" quebra a norma
    • Sem substantivo explícito
      • Concorda com o numeral
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Análise das alternativas

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que a reescritura manteria a correção. Isso é falso, pois, como vimos, o verbo deve concordar com o núcleo do sujeito “pessoas”, que está no plural. A justificativa apresentada (“já que o sujeito é uma expressão de porcentagem”) é uma generalização indevida: nem toda expressão de porcentagem exige o singular; quando há um substantivo plural explícito, a concordância é feita com ele.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E nega a afirmação, e é exatamente isso que a norma exige. O verbo “recebem” está corretamente no plural porque concorda com “pessoas”. A reescritura para o singular seria um erro de concordância. Portanto, o item está errado.

Conclusão

A banca testa se o candidato conhece a regra de concordância com porcentagem e, principalmente, se sabe identificar o núcleo do sujeito. A pegadinha está em acreditar que “porcentagem” sempre pede singular, quando, na verdade, a concordância é feita com o termo que acompanha a porcentagem. Gabarito: letra E.

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