Questão de Português — Denotação e Conotação — Quadrix 2024
Português›Denotação e Conotação
Código
qa600868
Banca
Quadrix
Órgão
CRO AM
Ano
2024
Cargo
Ag Fisc ( )
Esta gente
O que é preciso é gente
gente com dente
gente que tenha dente
que mostre o dente.
Gente que não seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente.
Gente com mente?
com sã mente?
que sinta que não mente?
que sinta o dente são e a mente?
Gente que enterre o dente
que fira de unha e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente.
O que é preciso é gente
que atire fora com essa gente.
Essa gente dominada por essa gente
não sente como a gente
não quer
ser dominada por gente.
NENHUMA!
A gente
só é dominada por essa gente
quando não sabe que é gente.
Ana Hatherly. In: Um calculador de improbabilidades.
Texto para o item abaixo. Em relação aos aspectos gerais do texto, julgue o item a seguir. Os versos do texto, ao apresentarem termos como "docente" e "delicodocemente", reforçam uma ideia de amenidade.
CCerto
EErrado
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GabaritoE — Errado
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Análise do item: 'docente' e 'delicodocemente' reforçam amenidade?
Gabarito: E (Errado). A afirmação está errada porque os termos "docente" e "delicodocemente" não reforçam amenidade; ao contrário, o poema os usa para criticar a passividade e a submissão. A passagem que decide é o trecho em que o eu lírico nega essas qualidades: "Gente que não seja decente / nem docente / nem docemente / nem delicodocemente." — a negação explícita mostra que tais palavras representam o que não se deseja, e o contexto geral do poema é de enfrentamento ("mostre o dente potente / ao prepotente").
O comando da questão
O enunciado pede para julgar (Certo/Errado) uma afirmação sobre os "aspectos gerais do texto". Isso é uma questão de interpretação de texto: não basta reconhecer o sentido literal das palavras; é preciso captar a intenção global do autor. A banca quer saber se você percebe que o poema não é sobre suavidade, mas sobre crítica e resistência.
O texto: tema, tese e movimento argumentativo
O poema "Esta gente", de Ana Hatherly, tem como tema a identidade e a resistência de um grupo ("a gente") contra a dominação por "essa gente" (os opressores). A tese central aparece nos versos finais:
"A gente / só é dominada por essa gente / quando não sabe que é gente."
Ou seja, a dominação só ocorre quando o povo não tem consciência de si. O poema defende a ação e a força — "gente que enterre o dente / que fira de unha e dente" — e rejeita a passividade, representada por palavras como "docente" e "delicodocemente".
A técnica: denotação, conotação e ironia
Denotação é o sentido literal, dicionarizado; conotação é o sentido figurado, que depende do contexto. Aqui, "docente" (professor) e "delicodocemente" (de modo delicado e doce) são usados conotativamente para simbolizar a submissão e a falta de combatividade. O eu lírico nega essas qualidades: "Gente que não seja decente / nem docente / nem docemente / nem delicodocemente." — a negação é a chave: o que se quer é o oposto, gente que "mostre o dente".
A ironia também está presente: palavras de sonoridade suave são usadas para criticar a suavidade excessiva, que leva à dominação. O poema não celebra a amenidade; celebra a força e a consciência.
A pegadinha da banca
A banca tenta fazer o candidato associar a sonoridade das palavras a um sentido positivo de amenidade, ignorando o contexto de negação e crítica. Cuidado: em interpretação, o sentido é dado pelo contexto, não pela aparência das palavras.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a conotação — palavras de som suave parecem indicar amenidade, mas o texto as nega e as usa para criticar a passividade.
PEGA ESSA DICA!
Ao julgar itens sobre o sentido de palavras, grife o contexto imediato (a frase em que a palavra aparece) e o tom geral do texto. Pergunte: o autor quer essa ideia ou a rejeita?
Conclusão
A afirmação está errada porque os termos citados não reforçam amenidade; eles representam o que o eu lírico rejeita. O poema defende a ação e a resistência, não a suavidade. Portanto, gabarito: E (Errado).