A poluição plástica pode ser reduzida em 80% até 2040 se os países e as empresas fizerem mudanças profundas nas políticas e no mercado, usando as tecnologias existentes. É o que aponta um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), divulgado em maio de 2023. O relatório sugere primeiro a eliminação de plásticos problemáticos e desnecessários para reduzir o tamanho do problema. Posteriormente, o documento pede outras mudanças no mercado – reutilizar, reciclar, reorientar e diversificar os produtos.
Para isso, são necessárias ações como a definição e a implementação de padrões de design e segurança para o descarte de resíduos plásticos não recicláveis, bem como a responsabilização dos fabricantes por produtos que liberam microplásticos, entre outros.
Os custos de investimento para a mudança sistêmica recomendada são significativos, mas menores que os gastos sem essa mudança sistêmica: 65 bilhões de dólares por ano versus 113 bilhões de dólares por ano. Grande parte desse valor pode ser mobilizado transferindo investimentos planejados para novas instalações de produção – que não serão mais necessárias devido à redução das necessidades de materiais – ou aplicando uma taxa sobre a produção de plástico virgem direcionada à infraestrutura necessária para a circularidade. No entanto, o tempo é essencial: um atraso de cinco anos pode levar a um aumento de 80 milhões de toneladas de poluição plástica até 2040.
Internet: <www.brasil.un.org> (com adaptações).
Texto para o item.
Acerca da estrutura linguística do texto, julgue o item abaixo.
É facultativo o emprego do sinal indicativo de crase no “a” em “pode levar a um aumento de 80 milhões de toneladas de poluição plástica”.
CCerto
EErrado
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — Errado
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Crase: o "a" antes de substantivo masculino é caso de crase proibida
Gabarito: E (Errado). O emprego do sinal indicativo de crase no "a" em "pode levar a um aumento" é proibido, não facultativo, porque o "a" é apenas a preposição exigida pelo verbo "levar" (quem leva, leva algo a algo), e o termo seguinte "um aumento" é um substantivo masculino que não admite artigo feminino "a". Como não há fusão de preposição + artigo, não há crase. A banca tenta fazer o candidato confundir crase facultativa (que ocorre antes de pronome possessivo feminino, nome próprio feminino e após "até") com este caso, que é de crase proibida.
O comando da questão
A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre a afirmação de que é facultativo o emprego da crase no trecho indicado. Para resolver, você precisa saber: (1) o que é crase facultativa; (2) identificar se o "a" do trecho é preposição sozinha ou preposição + artigo. A palavra-chave é facultativo — se o caso for de crase obrigatória ou proibida, a afirmação estará errada.
O texto e o trecho analisado
No texto, o trecho é:
"um atraso de cinco anos pode levar a um aumento de 80 milhões de toneladas de poluição plástica até 2040"
Aqui, o verbo "levar" rege a preposição "a" (quem leva, leva algo a alguma coisa). O complemento é "um aumento" — substantivo masculino, antecedido do artigo indefinido "um". Não há artigo feminino "a" para se fundir com a preposição. Portanto, o "a" é só preposição, e crase é impossível.
A regra: crase facultativa × proibida
A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" (ou com o "a" de pronomes demonstrativos). Para haver crase, é preciso que o termo seguinte admita o artigo feminino.
Crase facultativa ocorre em três situações clássicas:
Antes de nome próprio feminino (ex.: "Refiro-me a/à Maria");
Antes de pronome possessivo feminino (ex.: "Entreguei a/à minha carta");
Após a preposição "até" (ex.: "Fui até a/à praia").
Crase proibida ocorre, entre outros casos, antes de palavra masculina (ex.: "Ando a cavalo", "Venda a prazo"). No trecho, "aumento" é masculino, então a crase é proibida — não facultativa, nem obrigatória.
A pegadinha da banca
A banca explora a confusão entre "facultativo" e "proibido". Muitos candidatos, ao verem um "a" antes de um substantivo, pensam automaticamente em crase facultativa. Mas a regra é clara: sem artigo feminino, não há crase. O "a" aqui é apenas preposição exigida pela regência do verbo "levar".
NÃO CAIA NESSA!
A banca afirma que a crase é facultativa, mas o caso é de crase proibida — o substantivo "aumento" é masculino e não admite artigo "a". Não confunda crase facultativa (antes de nomes femininos, possessivos e após "até") com este caso.
Análise do item
Crase: Facultativa (Nome próprio feminino, Pronome possessivo feminino, Após "até"); Proibida (Antes de palavra masculina, Antes de verbo, Antes de palavra repetida); Obrigatória (Antes de palavra feminina, Antes de "àquele/àquela", Locuções adverbiais femininas)
Item — ❌ Errado ⟵ GABARITO
A afirmação de que é facultativo o emprego da crase está errada. No trecho "pode levar a um aumento", o "a" é preposição exigida pelo verbo "levar" e o termo seguinte é masculino ("um aumento"), portanto a crase é proibida. Não há possibilidade de usar o acento grave, pois não há artigo feminino para fundir com a preposição.
Conclusão: como a banca pediu para julgar a afirmação, e ela é falsa, o gabarito é E (Errado).
PEGA ESSA DICA!
Para testar se há crase, substitua o termo seguinte por uma palavra masculina: se a frase ficar "levar ao aumento" (com "ao"), então com feminino seria "à". Mas aqui temos "levar a um aumento" — o "um" já indica que não há artigo definido, e "aumento" é masculino. Sem artigo feminino, sem crase.