Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — Quadrix 2024

PortuguêsTipologia e Gênero Textual
Código
qa601057
Banca
Quadrix
Órgão
CAU PE
Ano
2024
Cargo
Aux ( )

Governo federal regulamenta Lei Padre Júlio Lancellotti e confirma canal de denúncias para ‘arquitetura hostil’

Decreto formaliza proposta que proíbe construções feitas para afastar dos espaços livres de uso público pessoas em situação de rua. Levantamento aponta que 242,7 mil pessoas vivem nas ruas no Brasil; capital paulista representa um quarto dessa população

 

O governo federal publica o decreto que regulamenta a chamada Lei Padre Júlio Lancellotti (Lei n.° 14.489/2022). A medida proíbe a aporofobia, por meio da “arquitetura hostil”, contra pessoas em situação de rua em espaços públicos. A regulamentação da Lei está listada no plano para a população em situação de rua, também divulgado após um prazo de 120 dias dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Havia uma previsão que a regulamentação fosse publicada em junho. A tramitação da proposta por vários ministérios, como Direitos Humanos, Cidades e Casa Civil, demorou mais que o esperado. A proposta que ficou conhecida como Lei Padre Júlio Lancellotti proíbe as construções feitas para afastar dos espaços livres de uso público pessoas em situação de rua.

O Ministério dos Direitos Humanos vai criar um canal de denúncias pelo Disque 100, para o envio de imagens e de informações pela população. Entre os exemplos de arquitetura hostil, estão os espetos pontiagudos instalados em fachadas comerciais, pavimentação irregular, pedras ásperas, jatos de água, divisórias em bancos de praças e paradas de ônibus, cercas eletrificadas ou de arame farpado e muros com cacos de vidro.

Pelo cronograma, o governo federal também prevê que, até dezembro de 2024, seja concluído o pacto com os municípios para a adequação ao decreto que regulamenta a Lei e também a destinação de R$ 100 mil para a elaboração de uma cartilha sobre arquitetura hostil a engenheiros, arquitetos e urbanistas.

Um levantamento feito por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com base no CadÚnico, aponta que 242,7 mil pessoas viviam nas ruas no Brasil até outubro deste ano (2024). A capital paulista representa um quarto dessa população, com 59,8 mil pessoas em situação de rua.

Em 2021, o padre Júlio Lancellotti, religioso e coordenador da Pastoral do Povo de Rua de São Paulo, viralizou ao protagonizar uma cena em que tentava quebrar pedras instaladas pela prefeitura de São Paulo embaixo de um viaduto. No mesmo ano, o papa Francisco também denunciou a chamada “arquitetura hostil” contra os mais pobres.

O projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. No entanto, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) vetou a proposta, sob o argumento de que ela feria “a liberdade de governança da política urbana”. Depois, no fim do ano passado, o Congresso derrubou o veto, mas a medida ainda depende de regulamentação para ser colocada, de fato, em prática.

O diretor de promoção dos direitos da população em situação de rua do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, Leo Pinho, explicou que, desde o começo deste ano (2024), a pasta assumiu as tratativas e a articulação com outros ministérios, em especial o das Cidades, para regulamentar a Lei.

Em uma segunda etapa, os técnicos estiveram na cidade de São Paulo para ouvir o próprio Padre Júlio e sua equipe, que monitora denúncias de aporofobia, com sugestões sobre caminhos que facilitem o acesso da população e o envio de denúncias de situações de arquitetura hostil, com fotos, vídeos e endereços. Por isso, a decisão de estabelecer um canal para o envio das queixas pelo Disque 100.

Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).

Texto para a questão   Quanto ao tipo textual, é correto afirmar que esse texto é um exemplo de um texto
  1. Adissertativo, pois tenta convencer o leitor contra a Lei de que trata.
  2. Bdescritivo, pois limita‑se a descrever como funciona a lei de que trata.
  3. Cinformativo, pois tem como objetivo principal apresentar informações ao leitor.
  4. Dopinativo, pois assume um ponto de vista diante da Lei de que trata.
  5. Enarrativo, pois contém um enredo sobre um caso envolvendo a Lei.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — informativo, pois tem como objetivo principal apresentar informações ao leitor.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tipologia textual: o texto é informativo, não opinativo, narrativo ou descritivo

Gabarito: letra C. O texto tem como objetivo principal apresentar informações ao leitor — é um texto informativo (dissertativo-expositivo). A prova está na intenção comunicativa: o autor relata fatos e dados sobre a regulamentação da Lei Padre Júlio Lancellotti, sem defender tese nem tentar convencer. Como se lê já no primeiro parágrafo: "O governo federal publica o decreto que regulamenta a chamada Lei Padre Júlio Lancellotti".

O comando pede que se identifique o tipo textual — e, para isso, o critério decisivo é a intenção do autor (o conteúdo predomina sobre a forma). Não se trata de gênero (notícia, reportagem), mas de tipologia: narrativo, descritivo, dissertativo-expositivo, dissertativo-argumentativo, injuntivo. O texto é uma notícia jornalística, cuja finalidade é informar o leitor sobre um fato recente: a publicação do decreto que regulamenta a lei. Veja a estrutura: apresenta o fato (publicação do decreto), explica o que a lei proíbe (aporofobia por arquitetura hostil), dá exemplos, traz dados estatísticos (242,7 mil pessoas em situação de rua), menciona o histórico (veto e derrubada do veto) e detalhes da implementação (Disque 100, pacto com municípios). Tudo isso é informação objetiva, sem juízo de valor.

A técnica para resolver: pergunte "qual é a finalidade do texto?" — convencer? Não. Descrever estático? Não. Contar uma história com enredo? Não. Informar? Sim. O texto é dissertativo-expositivo: expõe, explica, informa, com linguagem impessoal e dados verificáveis. Não há tese a defender, não há opinião do autor sobre a lei (ele não diz se é boa ou ruim), não há sequência narrativa com personagens e clímax, não há caracterização estática de um objeto.

A pegadinha central: a banca mistura tipo com gênero e explora a presença de trechos que lembram outros tipos. Por exemplo, há um parágrafo que conta a história do padre quebrando pedras (isso é um fragmento narrativo), e há exemplos de arquitetura hostil (isso é descrição). Mas o todo é informativo. A alternativa C captura exatamente isso: "tem como objetivo principal apresentar informações ao leitor".

1Critério decisivo
Intenção do autor
Conteúdo predomina sobre a forma
2Tipos
Narrativo (enredo, personagens)
Descritivo (caracterização estática)
Dissertativo-expositivo (informar)
Dissertativo-argumentativo (convencer)
Injuntivo (instruir)
3Texto em análise
Notícia jornalística
Objetivo: informar
Não defende tese
Não narra enredo
Tipologia textual
LEVELsoulevel.com.br
Tipologia textual: Critério decisivo (Intenção do autor, Conteúdo predomina sobre a forma); Tipos (Narrativo (enredo, personagens), Descritivo (caracterização estática), Dissertativo-expositivo (informar), Dissertativo-argumentativo (convencer), Injuntivo (instruir)); Texto em análise (Notícia jornalística, Objetivo: informar, Não defende tese, Não narra enredo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto / opinião embutida. O texto não tenta convencer o leitor contra a Lei; ele apenas informa sobre a regulamentação. Não há argumentação contra a lei, nem defesa de posição contrária. A alternativa atribui ao autor uma intenção que não existe — é uma extrapolação com base em um viés que o leitor pode ter, mas que o texto não manifesta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: restringe o alcance. O texto não se limita a descrever como funciona a lei; ele também informa sobre o decreto, o canal de denúncias, dados estatísticos, histórico do veto, etc. A descrição é apenas um dos elementos, não o objetivo principal. A alternativa restringe o texto a uma função que não é a predominante.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O texto é informativo porque sua finalidade é apresentar informações ao leitor. Isso é comprovado pela estrutura: o primeiro parágrafo anuncia o fato ("O governo federal publica o decreto..."), os parágrafos seguintes trazem detalhes objetivos (exemplos de arquitetura hostil, dados da UFMG, cronograma, histórico do veto). Não há opinião do autor, não há tentativa de persuasão — apenas exposição de fatos. A linguagem é impessoal e os dados são verificáveis, características do dissertativo-expositivo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: opinião embutida. O texto não assume um ponto de vista diante da Lei; ele apenas relata o que foi feito. Não há adjetivos valorativos, não há modalizadores como "é lamentável" ou "felizmente". A alternativa acrescenta uma opinião que o autor não externou — é uma extrapolação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: tangencia o tema. O texto não contém um enredo sobre um caso envolvendo a Lei. Há um trecho que menciona o padre quebrando pedras (fato histórico), mas isso é um dado informativo, não uma narrativa com personagens, conflito e clímax. A alternativa confunde a presença de um fato com a estrutura narrativa. O texto não é uma narração; é uma notícia.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o tipo textual, pergunte sempre: qual é a intenção do autor? Se ele quer informar, é expositivo; se quer convencer, é argumentativo; se quer contar uma história, é narrativo; se quer caracterizar, é descritivo; se quer instruir, é injuntivo. O conteúdo predomina sobre a forma.

Gabarito: letra C.

Link permanente: /questoes/qa601057