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Questão de Português — Pronomes Demonstrativos — Quadrix 2024

PortuguêsPronomes Demonstrativos
Código
qa601058
Banca
Quadrix
Órgão
CAU PE
Ano
2024
Cargo
Aux ( )

Governo federal regulamenta Lei Padre Júlio Lancellotti e confirma canal de denúncias para ‘arquitetura hostil’

Decreto formaliza proposta que proíbe construções feitas para afastar dos espaços livres de uso público pessoas em situação de rua. Levantamento aponta que 242,7 mil pessoas vivem nas ruas no Brasil; capital paulista representa um quarto dessa população

 

O governo federal publica o decreto que regulamenta a chamada Lei Padre Júlio Lancellotti (Lei n.° 14.489/2022). A medida proíbe a aporofobia, por meio da “arquitetura hostil”, contra pessoas em situação de rua em espaços públicos. A regulamentação da Lei está listada no plano para a população em situação de rua, também divulgado após um prazo de 120 dias dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Havia uma previsão que a regulamentação fosse publicada em junho. A tramitação da proposta por vários ministérios, como Direitos Humanos, Cidades e Casa Civil, demorou mais que o esperado. A proposta que ficou conhecida como Lei Padre Júlio Lancellotti proíbe as construções feitas para afastar dos espaços livres de uso público pessoas em situação de rua.

O Ministério dos Direitos Humanos vai criar um canal de denúncias pelo Disque 100, para o envio de imagens e de informações pela população. Entre os exemplos de arquitetura hostil, estão os espetos pontiagudos instalados em fachadas comerciais, pavimentação irregular, pedras ásperas, jatos de água, divisórias em bancos de praças e paradas de ônibus, cercas eletrificadas ou de arame farpado e muros com cacos de vidro.

Pelo cronograma, o governo federal também prevê que, até dezembro de 2024, seja concluído o pacto com os municípios para a adequação ao decreto que regulamenta a Lei e também a destinação de R$ 100 mil para a elaboração de uma cartilha sobre arquitetura hostil a engenheiros, arquitetos e urbanistas.

Um levantamento feito por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com base no CadÚnico, aponta que 242,7 mil pessoas viviam nas ruas no Brasil até outubro deste ano (2024). A capital paulista representa um quarto dessa população, com 59,8 mil pessoas em situação de rua.

Em 2021, o padre Júlio Lancellotti, religioso e coordenador da Pastoral do Povo de Rua de São Paulo, viralizou ao protagonizar uma cena em que tentava quebrar pedras instaladas pela prefeitura de São Paulo embaixo de um viaduto. No mesmo ano, o papa Francisco também denunciou a chamada “arquitetura hostil” contra os mais pobres.

O projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. No entanto, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) vetou a proposta, sob o argumento de que ela feria “a liberdade de governança da política urbana”. Depois, no fim do ano passado, o Congresso derrubou o veto, mas a medida ainda depende de regulamentação para ser colocada, de fato, em prática.

O diretor de promoção dos direitos da população em situação de rua do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, Leo Pinho, explicou que, desde o começo deste ano (2024), a pasta assumiu as tratativas e a articulação com outros ministérios, em especial o das Cidades, para regulamentar a Lei.

Em uma segunda etapa, os técnicos estiveram na cidade de São Paulo para ouvir o próprio Padre Júlio e sua equipe, que monitora denúncias de aporofobia, com sugestões sobre caminhos que facilitem o acesso da população e o envio de denúncias de situações de arquitetura hostil, com fotos, vídeos e endereços. Por isso, a decisão de estabelecer um canal para o envio das queixas pelo Disque 100.

Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).

Texto para a questão   O pronome presente na construção “dessa população” refere‑se a
  1. A242,7 mil pessoas que viviam nas ruas no Brasil até outubro de 2024.
  2. Bum levantamento feito por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais.
  3. C242,7 mil pessoas registradas no CadÚnico, da Universidade Federal de Minas Gerais.
  4. D“capital paulista”.
  5. E59,8 mil pessoas em situação de rua em São Paulo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — 242,7 mil pessoas que viviam nas ruas no Brasil até outubro de 2024.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O pronome "dessa população" e a coesão referencial

Gabarito: letra A. O pronome demonstrativo "dessa" retoma, por anáfora, a expressão "242,7 mil pessoas que viviam nas ruas no Brasil até outubro de 2024", como se lê no trecho: "Um levantamento feito por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com base no CadÚnico, aponta que 242,7 mil pessoas viviam nas ruas no Brasil até outubro deste ano (2024). A capital paulista representa um quarto dessa população, com 59,8 mil pessoas em situação de rua." A resposta está no texto, não em suposições.

O comando

A questão pede que você identifique o referente do pronome "dessa" — ou seja, a que termo anterior ele se liga. Isso é uma tarefa de coesão referencial: o pronome demonstrativo "esse/essa/isso" retoma algo já mencionado (função anafórica). Não há inferência nem dedução: basta voltar no texto e ver qual expressão o pronome substitui.

O texto e a pista decisiva

No parágrafo, o autor apresenta o número total de pessoas em situação de rua no Brasil e, em seguida, compara com o contingente da capital paulista:

"Um levantamento feito por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com base no CadÚnico, aponta que 242,7 mil pessoas viviam nas ruas no Brasil até outubro deste ano (2024). A capital paulista representa um quarto dessa população, com 59,8 mil pessoas em situação de rua."

A expressão "dessa população" só pode se referir ao conjunto 242,7 mil pessoas — é a única "população" numericamente definida antes. A capital paulista é parte dessa população (um quarto), não o todo. O pronome "dessa" é um demonstrativo de 2ª pessoa (próximo do interlocutor, mas aqui usado anaforicamente), e o substantivo "população" retoma "pessoas" por sinonímia.

A técnica que decide

Para resolver, siga a cadeia coesiva: localize o pronome, identifique o substantivo que ele acompanha ("população") e busque o termo anterior que ele substitui. O pronome "dessa" exige um antecedente singular feminino e semanticamente compatível — "população" só pode ser "242,7 mil pessoas". As demais alternativas citam elementos que aparecem no mesmo parágrafo, mas não são o referente — são armadilhas de proximidade.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como provado acima, "dessa população" retoma "242,7 mil pessoas que viviam nas ruas no Brasil até outubro de 2024". A alternativa é uma paráfrase fiel do trecho: "242,7 mil pessoas que viviam nas ruas no Brasil até outubro de 2024". O pronome "dessa" + "população" = "dessas pessoas" (242,7 mil).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de referente. "Um levantamento feito por pesquisadores da UFMG" é o sujeito da oração que introduz o número, mas não é "população". O pronome "dessa" não pode retomar "levantamento" porque o substantivo "população" exige um antecedente de pessoas, não de estudo/pesquisa. A banca oferece um elemento próximo no texto para confundir.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: restrição indevida + troca de referente. O texto diz que o levantamento foi feito "com base no CadÚnico", mas isso não significa que as 242,7 mil pessoas sejam "registradas no CadÚnico" — o CadÚnico é a fonte de dados, não uma característica das pessoas. Além disso, o referente de "dessa população" é o número total, não a base de dados. A alternativa acrescenta informação ("registradas no CadÚnico") que o texto não afirma.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: inversão lógica. "Capital paulista" é o sujeito da segunda oração ("A capital paulista representa um quarto dessa população"), mas o pronome "dessa" se refere ao objeto (a população total), não ao sujeito. A capital é parte da população, não o todo. O pronome "dessa" aponta para o conjunto maior, não para a parte.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de referente por proximidade. "59,8 mil pessoas em situação de rua em São Paulo" é o aposto que detalha o "um quarto" — é a quantidade da capital, não a população total. O pronome "dessa população" se refere ao todo (242,7 mil), do qual 59,8 mil é apenas uma fração. A alternativa confunde o todo com a parte.

NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca como distratores todos os números e entidades do parágrafo (levantamento, CadÚnico, capital, 59,8 mil) para você se perder na proximidade em vez de seguir a cadeia coesiva. O pronome "dessa" sempre retoma o termo imediatamente anterior que seja compatível em gênero e número — aqui, "242,7 mil pessoas".

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o referente de um pronome, volte no texto e pergunte: "que palavra/expressão ele substitui?" Teste a substituição: "um quarto das 242,7 mil pessoas" — faz sentido. "Um quarto do levantamento" não faz. A substituição é o teste infalível.

Gabarito: letra A.

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