Questão de Português — Pronomes Pessoais — Quadrix 2024
Português›Pronomes Pessoais
Código
qa601086
Banca
Quadrix
Órgão
IBICT
Ano
2024
Cargo
Tecno ( )
História de um átomo
Fui átomo de rocha, fui granito,
Fui lava de vulcão, fui flor mimosa,
Sutil perfume, nuvem borrascosa
Manchando a transparência do infinito.
Vaguei no espaço... errante aerolito
Transpus mundos de essência vaporosa. De santos fui artéria vigorosa,
O coração formei a ser maldito.
Nasci com a Terra; gaz eu fui com ela,
Estive de Princípio na procela,
Fui nebulosa, sol, planeta agora.
Há cem mil séculos vivo m’encarnando,
Águia n’altura, verme rastejando,
Pólen voando pelo espaço a fora.
Rodolfo Teófilo. Eternidade da matéria.
Texto para o item abaixo. Com relação a aspectos gerais do texto, julgue o item abaixo. Em “m’encarnando” , ocorre um pronome oblíquo de segunda pessoa.
CCerto
EErrado
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GabaritoE — Errado
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Pronome oblíquo em “m’encarnando” — pessoa do discurso
Gabarito: E (Errado). Em “m’encarnando”, o pronome oblíquo é de primeira pessoa do singular (“me”), e não de segunda, como afirma o item. A forma “m’” é a redução de “me”, pronome pessoal oblíquo átono que se refere ao eu lírico do poema — o átomo que narra sua própria história. A passagem que comprova é o verso “Há cem mil séculos vivo m’encarnando”, em que o sujeito que fala é o próprio átomo, ou seja, a 1ª pessoa do discurso.
O comando
A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre um aspecto gramatical do texto: a pessoa do pronome oblíquo em “m’encarnando”. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise morfológica — identificar a que pessoa do discurso o pronome remete. Para resolver, é preciso saber a tabela dos pronomes pessoais oblíquos e, principalmente, quem é o sujeito do discurso no poema.
O texto e a pista decisiva
O poema é narrado em primeira pessoa: o eu lírico é o próprio átomo, que conta sua trajetória (“Fui átomo de rocha”, “Vaguei no espaço”, “Nasci com a Terra”). O verso final, “Há cem mil séculos vivo m’encarnando”, mantém essa mesma voz: quem fala é o átomo, referindo-se a si mesmo. O pronome “me” (reduzido a “m’”) é, portanto, reflexivo — indica que o sujeito pratica e sofre a ação de encarnar-se — e pertence à 1ª pessoa do singular.
“Há cem mil séculos vivo m’encarnando”
A forma “m’encarnando” equivale a “me encarnando” (ou “encarnando-me”), com o pronome oblíquo átono “me”. Na tabela dos pronomes pessoais, “me” é a forma oblíqua de “eu” (1ª pessoa do singular), assim como “te” é a de “tu” (2ª pessoa). O item troca justamente essa pessoa: afirma que é de segunda, quando o texto mostra claramente que é de primeira.
A técnica que decide
Para não errar, siga dois passos:
Identifique a pessoa do discurso no texto: quem fala? No poema, o eu lírico é o átomo — 1ª pessoa.
A armadilha da banca está em tentar confundir o candidato com a forma reduzida “m’”, que pode parecer estranha, mas é apenas uma elisão (supressão de vogal) comum em poesia. O pronome continua sendo “me”, de 1ª pessoa.
Análise do item
Pronomes oblíquos átonos: 1ª pessoa (Singular: me, Plural: nos); 2ª pessoa (Singular: te, Plural: vos); 3ª pessoa (Singular: se, o, a, lhe, Plural: se, os, as, lhes)
Item — ❌ Errado ⟵ GABARITO
O item afirma que em “m’encarnando” ocorre um pronome oblíquo de segunda pessoa. Isso é falso. O pronome é “me”, de primeira pessoa do singular, como prova o contexto: o eu lírico (o átomo) fala de si mesmo. A banca trocou o vocábulo — no lugar de “me” (1ª pessoa), o item diz “te” (2ª pessoa) —, uma típica pegadinha de troca de termo.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de pronome, sempre pergunte: “quem é o sujeito do discurso?”. Se o texto é narrado em 1ª pessoa, o oblíquo será “me/nos”; se em 2ª, “te/vos”. A forma reduzida “m’” não muda a pessoa — é só uma elisão poética.
Conclusão: o item está errado, pois o pronome oblíquo em “m’encarnando” é de primeira pessoa (“me”), e não de segunda. A resposta correta é E (Errado).