Questão de Português — Sinônimos e Antônimos — Quadrix 2024
Português›Sinônimos e Antônimos
Código
qa601093
Banca
Quadrix
Órgão
IBICT
Ano
2024
Cargo
Tecno ( )
Por que a coceira dos outros causa repulsa
Sentimos prazer em coçar, mas podemos ter evoluído para evitar aqueles que coçam.
Talvez seja a sensação mais enlouquecedora que existe.
Se você espetar seu dedo, pode simplesmente ignorar a dor. Mas tente ignorar uma coceira voraz. Impossível!
Por que isso acontece?
Até recentemente, os pesquisadores tinham apenas raspado a superfície, com o perdão da expressão, da ciência da coceira. Mas isso está começando a mudar.
Agora, os cientistas sabem que a sensação de coceira é transmitida por uma série de processos e neurônios específicos, o que abre o caminho para toda uma nova série de tratamentos.
Mas, para início de conversa, por que nós nos coçamos?
Acredita‑se que os mamíferos tenham evoluído originalmente a sensação de coceira como uma espécie de reflexo, que os ajuda a expulsar patógenos invasores e evitar substâncias nocivas no ambiente.
Mas, claramente, existe também um aspecto psicológico da coceira que ainda não entendemos totalmente.
Um exemplo é o fenômeno da coceira contagiosa, que ocorre quando as pessoas veem alguém se coçando e começam, subitamente, a sentir coceira.
Em 2011, o professor de dermatologia e médico cientista Gil Yosipovitch, da Escola de Medicina Miller, da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, realizou um experimento.
Ele pediu a testemunhas saudáveis e a pessoas com dermatite atópica – um distúrbio que causa coceira crônica – que assistissem a vídeos curtos de pessoas se coçando ou sentadas imóveis. Os participantes receberam uma injeção de histamina (uma substância que causa coceira) ou uma solução salina inerte.
Os dois grupos relataram aumento da coceira, mas o fenômeno foi mais pronunciado entre os pacientes com dermatite atópica – 82% deles relataram aumento da sensação de coceira depois de assistir aos vídeos das pessoas se coçando.
Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).
Texto para o item abaixo. Com relação a aspectos gerais do texto, julgue o item abaixo. No nono parágrafo, “crônica” equivale a “permanente”, opondo‑se à palavra “aguda”.
CCerto
EErrado
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GabaritoC — Certo
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Sinonímia e antonímia de “crônica” no texto
Gabarito: C (Certo). No nono parágrafo, “crônica” equivale a “permanente”, e a oposição a “aguda” é válida — mas é preciso entender que essa oposição não está no texto: ela vem do conhecimento de mundo sobre o par médico “doença crônica × doença aguda”. O texto apenas usa “crônica” para caracterizar a coceira como duradoura, como se lê no trecho: “um distúrbio que causa coceira crônica”. A banca cobra exatamente isso: distinguir o que o texto autoriza (o sentido de “crônica” = permanente) do que ele não menciona (a oposição explícita a “aguda”).
O comando e o que ele pede
A questão é de julgamento (Certo/Errado) sobre aspectos gerais do texto, especificamente sobre semântica vocabular: o sentido de “crônica” no contexto e sua relação com “permanente” e “aguda”. Não se trata de compreensão literal (o texto não define a palavra), nem de inferência (não há pista textual de oposição). É uma questão de conhecimento lexical aplicado ao contexto: você precisa saber o que “crônica” significa e reconhecer que a oposição “crônica × aguda” é um dado externo, do vocabulário técnico da medicina, não uma informação do texto.
O texto e o ponto exato
O texto fala sobre a ciência da coceira. No nono parágrafo, o autor descreve o experimento de Gil Yosipovitch e menciona “pessoas com dermatite atópica – um distúrbio que causa coceira crônica”. A palavra “crônica” está aí com o sentido de duradoura, que persiste no tempo, ou seja, permanente. O texto não diz nada sobre “aguda” — essa palavra não aparece em nenhum momento. Portanto, a equivalência “crônica = permanente” está correta e é sustentada pelo contexto (coceira que não passa). Já a oposição a “aguda” é uma relação que existe na língua (no campo da medicina, “doença crônica” se opõe a “doença aguda”), mas que o texto não estabelece. A banca, ao afirmar que “crônica” se opõe a “aguda”, está cobrando esse conhecimento extratextual — e isso é legítimo, porque a oposição é real no idioma, mesmo que o texto não a explicite.
A técnica que decide
Aqui vale a distinção entre o que o texto diz e o que o candidato sabe. A alternativa está certa porque:
“Crônica” = “permanente”: o texto usa “coceira crônica” para indicar uma coceira que persiste, que não é passageira. Isso é sinonímia contextual — no texto, “crônica” tem exatamente esse sentido.
Oposição a “aguda”: no vocabulário médico, “crônico” e “agudo” são antônimos (doença crônica = de longa duração; doença aguda = de início súbito e curta duração). Essa oposição é real na língua, mesmo que o texto não a mencione. A banca não está pedindo que você encontre a oposição no texto; ela está pedindo que você reconheça o sentido da palavra e saiba que ela se opõe a “aguda” no uso técnico.
Portanto, a afirmação é verdadeira: “crônica” equivale a “permanente” e se opõe a “aguda”. O erro que muitos cometem é achar que, por o texto não falar de “aguda”, a oposição seria inválida — mas a questão não exige que o texto a estabeleça; exige que o candidato conheça o sentido das palavras.
Alternativa C — ✅ Certo ⟵ GABARITO
A afirmativa está correta. No nono parágrafo, o texto diz: “um distúrbio que causa coceira crônica”. A palavra “crônica” aí significa permanente, duradoura — é o sentido que o contexto autoriza. E, no campo semântico da medicina, “crônico” é antônimo de “agudo”: enquanto o primeiro indica longa duração, o segundo indica intensidade e curta duração. A banca cobra exatamente esse conhecimento lexical. A alternativa não extrapola: ela apenas nomeia uma relação que existe na língua, mesmo que o texto não a explicite.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de sinonímia/antonímia, pergunte-se: “o texto define essa relação, ou ela vem do meu conhecimento de mundo?”. Se a relação for real no idioma, a afirmação pode estar certa mesmo sem estar no texto — desde que o sentido da palavra no contexto esteja correto.
Alternativa E — ❌ Errado
A afirmativa não está errada. Quem marca “Errado” geralmente cai na armadilha de achar que, por o texto não mencionar “aguda”, a oposição seria inválida. Mas isso é um erro de método: a questão não pede que você encontre a oposição no texto; pede que você avalie o sentido da palavra. Como “crônica” realmente significa “permanente” e se opõe a “aguda” no uso técnico, a afirmativa é verdadeira. Portanto, “Errado” é a resposta incorreta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora o conhecimento de mundo do candidato sobre o par “crônico/agudo” na medicina. Muitos candidatos, ao verem que o texto não fala de “aguda”, marcam “Errado” — mas a oposição é real na língua, e a questão não exige que o texto a estabeleça. O que o texto exige é apenas o sentido de “crônica” = permanente.
Conclusão
A questão ensina uma lição importante: sinonímia e antonímia são relações de sentido que existem na língua, não apenas no texto. O texto fornece o contexto para o sentido de “crônica” (permanente), e o conhecimento de mundo fornece a oposição a “aguda”. A afirmativa está certa porque une esses dois elementos corretamente. Gabarito: letra C (Certo).