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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — Quadrix 2024

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
qa601129
Banca
Quadrix
Órgão
CAU AC
Ano
2024
Cargo
Ag Fisc ( )

A ideia de sustentabilidade ganha corpo e expressão política na adjetivação do termo “desenvolvimento”, fruto da percepção de uma crise ambiental global. Essa percepção percorreu um longo caminho até a estruturação atual, cujas origens mais recentes estão plantadas na década de 1950, quando pela primeira vez a humanidade percebe a existência de um risco ambiental global: a poluição nuclear. Os seus indícios alertaram os seres humanos de que estamos em uma nave comum, e de que problemas ambientais não estão restritos a territórios limitados. A ocorrência de chuvas radiativas a milhares de quilômetros dos locais de realização dos testes acendeu um caloroso debate no seio da comunidade científica. Entre 1945 e 1962, os países detentores do poder atômico realizaram 423 detonações atômicas.


As chuvas ácidas sobre os países nórdicos levaram a Suécia, em 1968, a propor ao Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (Ecosoc) a realização de uma conferência mundial que possibilitasse um acordo internacional para reduzir a emissão de gases responsáveis pelas chuvas ácidas. O resultado foi a aprovação da Conferência de Estocolmo, em 1972. Se, de um lado, os países desenvolvidos definiam a defesa do meio ambiente como o ponto central da Conferência, de outro, os demais focavam o combate à pobreza. Essa divisão atravessava não apenas os países, mas também os atores político‑sociais, colocando em confronto ambientalistas e desenvolvimentistas. Em face da complexidade das contendas, a Organização das Nações Unidas (ONU) deslocou o debate para uma
comissão técnica que produziu o Only One Earth, em 1973. O documento considerava o problema ambiental como decorrente de externalidades econômicas próprias do excesso de desenvolvimento (tecnologia agressiva e consumo excessivo), de um lado, e de sua falta (crescimento demográfico e baixo PIB per capita)de outro. Posta dessa forma, a questão ambienta deixava de ficar restrita ao meio natural e adentrava o espaço social. Graças a esse embate, o binômio desenvolvimento (economia) e meio ambiente (biologia) foi substituído por uma tríade, introduzindo‑se a dimensão social.


Internet: <www.scielo.br> (com adaptações).

Texto para o item.

 

Com base na estrutura linguística e no vocabulário empregados no texto, julgue o item a seguir.

 

A locução verbal “deixava de ficar” poderia ser substituída, com manutenção da coerência e da correção gramatical do texto, por ficou.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de locução verbal: "deixava de ficar" ≠ "ficou"

Gabarito: E (Errado). A substituição de "deixava de ficar" por "ficou" não mantém a coerência nem a correção gramatical do texto, pois altera o aspecto verbal (de durativo para pontual) e o tempo (de pretérito imperfeito para pretérito perfeito). No texto, a locução expressa um processo contínuo de mudança de perspectiva, enquanto "ficou" indicaria um fato concluído e pontual, o que contraria o sentido original.

O comando

A questão pede que você julgue se a substituição é possível com manutenção da coerência e da correção gramatical. Isso significa que a troca deve preservar o sentido e a estrutura do texto. Não basta que a frase resultante seja gramaticalmente correta; ela precisa manter o mesmo valor semântico e temporal.

O texto e o trecho em questão

O texto narra a evolução do conceito de sustentabilidade. No trecho final, o autor afirma:

"Posta dessa forma, a questão ambiental deixava de ficar restrita ao meio natural e adentrava o espaço social."

A locução "deixava de ficar" é formada pelo verbo auxiliar "deixar" no pretérito imperfeito do indicativo + a preposição "de" + o verbo principal "ficar" no infinitivo. Essa estrutura indica uma ação em curso no passado, um processo de transição: a questão ambiental estava, naquele momento, deixando de ser restrita ao meio natural. O aspecto é durativo (a ação se desenvolve ao longo do tempo).

Já "ficou" é o pretérito perfeito do indicativo, que expressa uma ação concluída, pontual. Se substituíssemos, teríamos: "a questão ambiental ficou restrita ao meio natural" — o que inverteria o sentido: em vez de deixar de ser restrita, ela teria se tornado restrita. Além disso, o tempo verbal mudaria de um processo contínuo para um fato acabado, quebrando a coerência com o restante do parágrafo, que descreve uma evolução gradual.

A técnica: aspecto e tempo verbal

A pegadinha central é a diferença de aspecto verbal. O aspecto indica se a ação é vista como concluída (perfectivo) ou em curso (imperfectivo). "Deixava de ficar" é imperfectivo (durativo); "ficou" é perfectivo (pontual). Essa distinção é essencial em reescritas: trocar uma forma pela outra altera o sentido, mesmo que ambas sejam gramaticalmente válidas.

Além disso, há a mudança de tempo: pretérito imperfeito (ação habitual ou contínua no passado) vs. pretérito perfeito (ação pontual e concluída). No texto, o imperfeito é usado para descrever um estado em transformação, o que é coerente com a narrativa histórica.

  1. 1Identificar tempo e aspecto
  2. 2Comparar com a substituição
  3. 3Verificar coerência e sentido
  4. 4Julgar o item
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Análise das alternativas

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação de que a substituição é possível está errada. A troca altera o sentido e a coerência, como explicado acima. A banca tenta fazer você acreditar que "deixava de ficar" e "ficou" são sinônimos, mas não são: a primeira expressa um processo de mudança, a segunda um estado final.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmação de que a substituição não é possível está correta. A locução "deixava de ficar" tem valor durativo e imperfectivo, enquanto "ficou" tem valor pontual e perfectivo. A troca quebraria a coerência textual, pois o texto descreve uma transição gradual, não um fato concluído.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a falsa equivalência entre uma locução verbal com aspecto durativo e um verbo no pretérito perfeito. O candidato desatento pode achar que "deixar de" + infinitivo é apenas uma forma de negar, ignorando o aspecto.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar reescritas, verifique sempre o tempo e o aspecto do verbo. Pergunte: a ação é contínua ou pontual? Concluída ou em curso? Se a troca mudar isso, o sentido muda.

Conclusão: a substituição de "deixava de ficar" por "ficou" não preserva a coerência nem a correção gramatical, pois altera o aspecto verbal (de durativo para pontual) e o tempo (de pretérito imperfeito para pretérito perfeito). Portanto, o item está errado.

Gabarito: letra E

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