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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — Quadrix 2024

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa601166
Banca
Quadrix
Órgão
CAU AC
Ano
2024
Cargo
Ass Adm ( )

Foi na década de 90, frente à decadência dos espaços públicos e supostamente inspirado pela teoria das janelas quebradas, que surgiu um conceito de arquitetura e urbanismo chamado arquitetura hostil. Alegando‑se proteção do bem público contra a marginalidade e a criminalidade, passou a ser comum a instalação de formas de inibir certos usos do espaço ou comportamentos da população em locais públicos. Esses procedimentos opressivos de controle social podem passar despercebidos a olhares de transeuntes ou ser interpretados como mero detalhe de design, mas, na verdade, são componentes colocados com o fim de que cidadãos julgados como problemáticos ao ambiente não permaneçam no local nem o usem de uma forma considerada inadequada.


A higienização social em locais públicos é feita por meio da colocação de pedras pontiagudas, da instalação de espelhos d’água sob viadutos, da plantação de vegetação com espinhos em floreiras e da introdução de espetos metálicos em soleiras ou em vitrines localizadas no nível da calçada, por exemplo. Em praças públicas, são colocados dispositivos “anti‑skate” em bancos e floreiras, regadores automáticos, além de bancos públicos inclinados, estreitos ou com apoio de braço entre os assentos, com a finalidade de não permitir que pessoas deitem sobre eles. Esses detalhes estão na contramão do que se entende como sustentabilidade social.


Para Bauman, a praça, enquanto espaço público, se estabelece como local favorável para a relação da vida social entendida no sentido da cidade. Nas palavras do autor, “é nos locais públicos que a vida urbana e tudo aquilo que a distingue das outras formas de convivência humana atingem sua mais completa expressão, com alegrias, dores, esperanças e pressentimentos que lhe são característicos”.


Os grupos entendidos como inimigos da ordem pública, alvos desse processo excludente, são principalmente os skatistas e a população em situação de rua. Esses grupos, entretanto, não são os únicos atingidos pelas estratégias de dispersão encontradas na arquitetura hostil.


O intuito de desencorajar a utilização dos equipamentos públicos por parte de certos grupos sociais, em nome da segurança e da limpeza, acaba por desencorajar a apropriação de todos, uma vez que os locais tornam‑se pouco frequentados e ausentes de mobiliário urbano que incentive a permanência da população. Nesse sentido, a estratégia, em vez de reduzir a criminalidade, acaba por reforçá‑la.


Internet: <www.repositorio.ufsc.br> (com adaptações).

Texto para o item.

 

Com base na estrutura linguística e no vocabulário empregados no texto, julgue o item a seguir.

 

Na citação “é nos locais públicos que a vida urbana e tudo aquilo que a distingue das outras formas de convivência humana atingem sua mais completa expressão, com alegrias, dores, esperanças e pressentimentos que lhe são característicos”, a supressão da expressão “é... que” manteria a correção gramatical do texto.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Supressão de “é... que” em estrutura de realce

Gabarito: C (Certo). A supressão da expressão “é... que” mantém a correção gramatical do período, pois ela é um recurso de realce (clivagem) que pode ser retirado sem prejuízo sintático. A oração original “é nos locais públicos que a vida urbana... atingem sua mais completa expressão” pode ser reescrita como “nos locais públicos a vida urbana... atinge sua mais completa expressão”, preservando a estrutura de sujeito + verbo + complemento. A banca testa o reconhecimento de que a expressão “é... que” é um elemento de ênfase, não um conectivo obrigatório.

O comando da questão

O enunciado pede para julgar se a supressão da expressão “é... que” manteria a correção gramatical. Isso é uma questão de reescritura e estrutura sintática: precisamos verificar se a retirada de um elemento não quebra a gramaticalidade do período. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise da função sintática da expressão destacada.

A função de “é... que” no trecho

Na frase “é nos locais públicos que a vida urbana... atingem sua mais completa expressão”, a expressão “é... que” é uma estrutura de realce (também chamada de clivagem). Ela serve para enfatizar um termo da oração — aqui, o adjunto adverbial “nos locais públicos”. Sem ela, a frase continua gramatical, apenas perde a ênfase:

“é nos locais públicos que a vida urbana e tudo aquilo que a distingue das outras formas de convivência humana atingem sua mais completa expressão”

Sem o realce, teríamos:

“nos locais públicos a vida urbana e tudo aquilo que a distingue das outras formas de convivência humana atingem sua mais completa expressão”

A estrutura permanece íntegra: o sujeito composto (“a vida urbana e tudo aquilo...”) continua regendo o verbo “atingem”, e o adjunto adverbial “nos locais públicos” continua no início. A supressão não altera a correção gramatical — apenas remove o destaque dado ao adjunto.

A técnica para resolver

Para julgar corretamente, o candidato deve:

  1. Identificar a função da expressão: “é... que” aqui não é uma conjunção nem um pronome relativo; é um recurso de ênfase.

  2. Testar a supressão: retirar a expressão e verificar se a oração ainda tem sujeito, verbo e complementos bem formados.

  3. Conferir a concordância: o verbo “atingem” concorda com o sujeito composto, e isso não muda com a retirada.

A pegadinha da banca é fazer o candidato pensar que “é... que” é um conectivo obrigatório, quando na verdade é um elemento de realce dispensável.

Conclusão

A supressão de “é... que” mantém a correção gramatical, pois a expressão é apenas um recurso de ênfase. O item está Certo.

1Função
Enfatiza um termo
Não é conectivo obrigatório
2Supressão de "é... que"
Mantém a correção gramatical
Perde apenas a ênfase
3Efeito na frase
Sujeito continua regendo o verbo
Adjunto adverbial permanece
Concordância preservada
Estrutura de realce (clivagem)
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Estrutura de realce (clivagem): Função (Enfatiza um termo, Não é conectivo obrigatório); Supressão de "é... que" (Mantém a correção gramatical, Perde apenas a ênfase); Efeito na frase (Sujeito continua regendo o verbo, Adjunto adverbial permanece, Concordância preservada)

Gabarito: C (Certo).

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