Na pré‑história, que começou antes do surgimento da escrita e teve duração até 4000 a.C., desenvolveram‑se as primeiras práticas de saúde nas sociedades primitivas, por meio da assistência instintiva às necessidades dessa área. Na época, a prestação de cuidados era uma responsabilidade feminina, devido ao fato de a mulher exercer o papel de cuidar da criação dos filhos, enquanto o homem era responsável por suprir as demais necessidades. Apesar de a presença feminina ser considerada como principal protagonista desse período, muitos homens também participavam da prestação de cuidados, como é o caso dos xamãs, sacerdotes, mágicos, feiticeiros e curandeiros espirituais.
Na Idade Antiga, que vai de 4000 a.C. até 476 d.C., já havia registro da enfermagem como profissão. Nesse sentido, a história refere que os homens recebiam treinamento como enfermeiros desde a época de Hipócrates, em 460 a.C. No entanto, a enfermagem, como profissão, remonta a cerca de 300 a.C., no Império Romano. Nesse tempo, o Império Romano procurou colocar um hospital em cada cidade sob seu domínio. Existiam muitos enfermeiros que ajudavam na assistência hospitalar. Com a prestação de cuidados de enfermagem por homens, surgiu o termo nasocomi, que significava “homens que cuidam”, e deste adveio o termo nosocomial, que significa “adquirido no hospital”.
Considerando as ideias do texto e sua estrutura linguística, julgue o item a seguir.
O trecho “que vai de 4000 a.C. até 476 d.C.” poderia ser reescrito, mantendo‑se a correção gramatical, da seguinte forma: do ano 4.000 a.C. à 476 d.C.
CCerto
EErrado
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — Errado
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Crase antes de numeral: "à 476 d.C." está correto?
Gabarito: letra E (Errado). A reescrita proposta está incorreta porque emprega crase antes de um numeral que não admite artigo feminino definido. No trecho original, "até 476 d.C.", a preposição "até" rege o numeral sem artigo; na reescrita, "à 476 d.C." exige que exista a fusão da preposição "a" com o artigo "a", o que não ocorre, pois não se diz "a 476 d.C." com artigo. A passagem que ancora a análise é o trecho do 2º parágrafo: "que vai de 4000 a.C. até 476 d.C.".
O comando pede que se julgue se a reescrita "do ano 4.000 a.C. à 476 d.C." mantém a correção gramatical. Trata-se de uma questão de reescritura com foco em crase, e não de interpretação de conteúdo. O ponto central é verificar se o uso do acento grave é legítimo diante do numeral "476 d.C.".
A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" (ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos e relativos). Para que haja crase, é necessário que o termo seguinte admita o artigo feminino. No caso de numerais, a regra é clara: só há crase antes de numeral se ele for feminino e estiver determinado, como em "à uma hora" (locução adverbial) ou "à 1ª série". O numeral "476" (quatrocentos e setenta e seis) é masculino — não se diz "a 476 d.C." com artigo —, portanto não há crase. A forma correta seria "do ano 4.000 a.C. a 476 d.C." (sem acento grave).
A banca explora exatamente essa armadilha: o candidato vê "a.C." e "d.C." (abreviaturas femininas de "antes de Cristo" e "depois de Cristo") e pode ser levado a pensar que o numeral é feminino. Mas o que importa é o gênero do numeral em si, que é masculino. A abreviatura "d.C." não torna o numeral feminino; ela é apenas uma locução adverbial que acompanha o número.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato confundir o gênero do numeral com o gênero da abreviatura "d.C.". O numeral "476" é masculino, logo não admite artigo "a" e, por consequência, não há crase.
PEGA ESSA DICA!
Antes de marcar crase, teste sempre: substitua o termo por um masculino. Se ficar "ao" (preposição + artigo), há crase no feminino; se ficar "ao" e o termo for masculino, não há crase. Ex.: "Vou ao cinema" → "Vou à escola" (crase). "Refiro-me ao 476" → "Refiro-me a 476" (sem crase, pois não se diz "ao 476").
Crase antes de numeral: Regra (Só há crase se o numeral admite artigo feminino, Ex.: à 1ª série); Numeral masculino (Não admite artigo "a", Não há crase, Ex.: a 476 d.C.); Pegadinha ("d.C." é feminino, mas o numeral é masculino, Gênero do numeral decide a crase)
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C afirma que a reescrita está correta, mas ela contradiz a regra de crase antes de numerais masculinos. O trecho original "até 476 d.C." não apresenta crase porque "476" é numeral masculino e não admite artigo feminino. A reescrita "à 476 d.C." introduz um acento grave indevido, tornando a frase gramaticalmente incorreta. O erro é de generalização indevida: o candidato pode achar que, por "d.C." ser feminino, o numeral também é, mas o gênero do numeral é o que determina a possibilidade de crase.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa E está correta ao afirmar que a reescrita é errada. A forma "à 476 d.C." é incorreta porque não há crase antes de numeral masculino. A passagem original "que vai de 4000 a.C. até 476 d.C." usa a preposição "até" sem artigo, e a reescrita "do ano 4.000 a.C. à 476 d.C." tenta inserir uma crase que não se sustenta. A forma correta seria "do ano 4.000 a.C. a 476 d.C.", sem acento grave.
Conclusão: a questão testa a aplicação da regra de crase diante de numerais. A reescrita proposta está incorreta porque "476" é numeral masculino e não admite artigo feminino, logo não há crase. Gabarito: letra E (Errado).