Lembra‑me que, em certo dia,
Na rua, ao sol de verão,
Envenenado morria
Um pobre cão.
Arfava, espumava e ria,
De um riso espúrio e bufão,
Ventre e pernas sacudia
Na convulsão.
Nenhum, nenhum curioso
Passava, sem se deter,
Silencioso,
Junto ao cão que ia morrer,
Como se lhe desse gozo
Ver padecer
Poema para a questão. Em relação ao poema, julgue o item. o termo “bufão”, tradicionalmente classificado como adjetivo, está empregado como substantivo em “De um riso espúrio e bufão”.
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GabaritoE — Errado
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Classe gramatical de "bufão" no poema
Gabarito: E (Errado). A afirmação de que "bufão" está empregado como substantivo é incorreta: no verso "De um riso espúrio e bufão", o termo "bufão" funciona como adjetivo, pois caracteriza o substantivo "riso", indicando uma qualidade (riso de bufão, ridículo, grotesco). A banca tenta confundir ao sugerir uma substantivação que não ocorre no texto.
O comando da questão
A questão pede um julgamento (Certo/Errado) sobre uma afirmação morfológica. O verbo "julgar" indica que devemos verificar se a análise apresentada está de acordo com o que o texto efetivamente mostra. Não se trata de interpretação subjetiva, mas de análise gramatical objetiva: identificar a classe da palavra "bufão" no contexto específico do poema.
O texto e a função de "bufão"
No poema, o eu lírico descreve a agonia de um cão envenenado. No trecho:
"Arfava, espumava e ria, / De um riso espúrio e bufão"
A expressão "riso espúrio e bufão" é formada por dois adjetivos coordenados que caracterizam o substantivo "riso". "Espúrio" significa falso, ilegítimo; "bufão" remete a algo grotesco, digno de bufão (palhaço). Ambos atribuem qualidades ao riso, exercendo a função típica do adjetivo: modificar um substantivo.
A técnica: como identificar a classe no contexto
Para saber se uma palavra é adjetivo ou substantivo, o teste clássico é verificar se ela caracteriza outro termo (adjetivo) ou se nomeia algo (substantivo). No verso, "bufão" não nomeia um ser ou objeto; ele qualifica o riso. Além disso, a estrutura sintática "riso espúrio e bufão" mostra dois adjetivos ligados pela conjunção "e", ambos dependentes do mesmo núcleo substantivo.
A substantivação ocorreria se "bufão" estivesse precedido de artigo ou outro determinante, como em "o bufão" ou "um bufão", o que não acontece. No texto, "bufão" aparece sem determinante, diretamente ligado a "riso", reforçando sua natureza adjetiva.
Análise da afirmação
A assertiva diz que "bufão" está empregado como substantivo. Isso é falso pelos seguintes motivos:
Função sintática: "bufão" integra o sintagma nominal "um riso espúrio e bufão", funcionando como adjunto adnominal, não como núcleo.
Semântica: atribui uma característica ao riso, não nomeia um ente.
Morfologia: não há artigo ou pronome que o substantive; permanece adjetivo.
Portanto, a afirmação contradiz o texto, que evidencia o uso adjetivo da palavra.
Conclusão
A banca explora a substantivação como pegadinha, mas ela não se concretiza no poema. O termo "bufão" mantém sua classe adjetiva, qualificando "riso". Logo, o item está errado.
"Bufão" no verso: Classe: adjetivo (Caracteriza "riso", Qualidade: grotesco, ridículo); Teste da substantivação (Sem artigo/determinante, Não nomeia ente, Função: adjunto adnominal); Estrutura ("riso espúrio e bufão", Dois adjetivos coordenados)