Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — Quadrix 2024
Português›Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa601444
Banca
Quadrix
Órgão
CRP 14 (MS)
Ano
2024
Cargo
Ass Tec ( )
Suave mari magno Machado de Assis
Lembra‑me que, em certo dia,
Na rua, ao sol de verão,
Envenenado morria
Um pobre cão.
Arfava, espumava e ria,
De um riso espúrio e bufão,
Ventre e pernas sacudia
Na convulsão.
Nenhum, nenhum curioso
Passava, sem se deter,
Silencioso,
Junto ao cão que ia morrer,
Como se lhe desse gozo
Ver padecer
Poema para a questão. Em relação ao poema, julgue o item. A anáfora que acontece em “Nenhum, nenhum curioso” intensifica os sentidos construídos no trecho.
CCerto
EErrado
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GabaritoC — Certo
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Anáfora como figura de linguagem: repetição que intensifica o sentido
Gabarito: C (Certo). A afirmação está correta: em “Nenhum, nenhum curioso”, a repetição da palavra “nenhum” é uma anáfora (figura de sintaxe) e, de fato, intensifica a ideia de que ninguém se importava com o cão moribundo. A repetição reforça a indiferença geral, ampliando o sentido de solidão e abandono do animal, como se lê no poema.
“Nenhum, nenhum curioso / Passava, sem se deter, / Silencioso, / Junto ao cão que ia morrer”
A repetição de “nenhum” não é mero ornamento: ela acentua a ausência total de compaixão. Se o poeta escrevesse apenas “Nenhum curioso passava”, a informação seria a mesma, mas o impacto emocional seria menor. A duplicação funciona como um reforço expressivo, típico da função poética da linguagem.
O comando da questão
O enunciado pede um julgamento (Certo/Errado) sobre uma afirmação interpretativa: a anáfora em “Nenhum, nenhum curioso” intensifica os sentidos do trecho. Não se trata de identificar a classe gramatical da palavra, mas de avaliar o efeito de sentido produzido pela repetição. Para resolver, é preciso saber o que é anáfora como figura de linguagem e perceber como a repetição atua no poema.
O que é anáfora (e por que ela está presente)
Há dois sentidos para “anáfora” em Língua Portuguesa:
Coesão referencial: retomada de um termo já mencionado (ex.: “Comprei um livro. Ele é ótimo.”).
Figura de sintaxe: repetição de uma palavra ou expressão no início de versos, frases ou orações, com intuito expressivo.
No poema, “Nenhum, nenhum curioso” é o segundo caso: a palavra “nenhum” é repetida no início do verso, e essa repetição é a anáfora. Ela não retoma um termo anterior; ela reforça a negação. O efeito é de ênfase: não havia um único curioso, nem mesmo um.
A intensificação no contexto do poema
O poema descreve a agonia de um cão envenenado na rua, sob o sol de verão. O eu lírico observa que ninguém para para ajudar ou mesmo para olhar. A repetição de “nenhum” sublinha essa indiferença coletiva:
“Nenhum, nenhum curioso” → a duplicação amplia a negação, como se o poeta dissesse “absolutamente ninguém”.
O verso seguinte confirma: “Passava, sem se deter, / Silencioso” → as pessoas passavam sem parar, em silêncio, como se não vissem o sofrimento.
O final “Como se lhe desse gozo / Ver padecer” sugere que alguns até sentiam prazer em ver o sofrimento — o que torna a indiferença ainda mais cruel.
Assim, a anáfora intensifica o sentido de abandono e frieza humana, exatamente como afirma o item.
Por que a afirmação é correta
A banca não pede para classificar a figura, mas para reconhecer seu efeito. A repetição de “nenhum” é um recurso estilístico que reforça a negação e, por consequência, intensifica a comoção do leitor diante da cena. O item está certo.
Anáfora
1Coesão referencial
Retoma termo já dito
Ex.: "Comprei um livro. Ele é ótimo."
2Figura de sintaxe
Repetição no início de versos/frases
Efeito de ênfase e intensificação
Ex.: "Nenhum, nenhum curioso"
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NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a dupla acepção de “anáfora”. Se você pensou apenas na anáfora coesiva (retomada de termo), pode ter estranhado a palavra “intensifica”. Mas aqui a anáfora é a figura de repetição, e repetir “nenhum” é justamente um recurso de ênfase.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de figura de linguagem, pergunte-se: “qual o efeito de sentido?”. Repetição quase sempre indica ênfase, intensificação ou reforço de uma ideia.