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Questão de Português — Partícula "Se" — Quadrix 2024

PortuguêsPartícula "Se"
Código
qa601484
Banca
Quadrix
Órgão
CRP 14 (MS)
Ano
2024
Cargo
SGer ( )

O que um psicólogo descobriu estudando segredos das pessoas por uma década


Michael Slepian é autor de ‘The Secret Life of Secrets’ (‘A Vida Secreta dos Segredos’, em tradução livre), resultado de uma década pedindo às pessoas que contassem a ele as verdades que guardavam para si mesmas.


“Nada pesa tanto quanto um segredo”, escreveu o fabulista francês Jean de la Fontaine, já no século 17.


Esta metáfora é repetida de diversas formas por muitos outros escritores. E foi o ponto de partida para uma pesquisa que levou uma década, realizada pelo psicólogo Michel Slepian, da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos.


Ele visualizou os aspectos mais profundos da vida de cerca de 50 mil pessoas de 26 países.


“Meus estudos originais questionavam se as pessoas realmente pensavam desta forma”, declarou Slepian à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.


“E, de fato, quando pensavam nos segredos, elas demonstravam uma sensação de carga. Davam o mesmo tipo de resposta de alguém que carrega peso físico.”


Para se aprofundar no tema, o pesquisador procurou literatura científica sobre os segredos e percebeu “que, na realidade, não sabíamos nada”.

 

A questão não é que o assunto não tivesse sido abordado, mas sim que “os psicólogos simplesmente presumiram que sabiam como eram os segredos, e os recriaram em laboratório, em vez de olhar como eles eram no mundo real”.


“Não tínhamos respostas satisfatórias para algumas das perguntas mais básicas, como quais segredos as pessoas guardam, com que frequência elas os conservam e o que acontece quando um segredo vem à mente”, afirma Slepian.


Ele se propôs então a encontrar essas respostas.
Mas, para começar, havia uma pergunta básica que precisava ser respondida.

 

O que é um segredo?


Parece fácil, mas não é. Existem muitas coisas sobre as quais não falamos, mas todas elas são segredos?


“Existe todo tipo de pensamento e experiência que tivemos e que as pessoas não sabem, mas isso não significa que sejam segredos”, diz o pesquisador.


Há assuntos que você só confiaria ao círculo mais próximo ou que não discutiria em certos espaços, “mas isso tem mais a ver com a noção de privacidade”.


Para Slepian, que é autor do livro The Secret Life of Secrets (“A vida secreta dos segredos”, em tradução livre), o que diferencia um segredo é a intenção.


“Defino o segredo como a intenção de reter informações de uma ou mais pessoas”, explica.


Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).

Texto para o item.

 

A respeito do texto, julgue o item.

 

A palavra “se” classifica‑se morfologicamente como pronome.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Partícula "se": classificação morfológica no texto sobre segredos

Gabarito: E (Errado). A afirmação de que a palavra "se" se classifica morfologicamente como pronome é incorreta porque, no texto, a partícula "se" ocorre como conjunção subordinativa integrante, e não como pronome. A passagem que comprova isso é a fala do pesquisador: "Meus estudos originais questionavam se as pessoas realmente pensavam desta forma", em que o "se" introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta, podendo ser substituído por "isso" (questionavam isso).

O comando da questão

O enunciado pede um julgamento Certo/Errado sobre uma afirmação de natureza morfológica: "A palavra 'se' classifica-se morfologicamente como pronome". O comando não pede interpretação de texto, mas sim o reconhecimento da classe gramatical de uma palavra em um contexto específico. Isso muda a estratégia de resolução: não se trata de buscar uma ideia no texto, mas de analisar a função da palavra "se" na frase em que ela aparece e, a partir daí, classificá-la corretamente.

O texto e a ocorrência da partícula "se"

O texto é uma reportagem sobre a pesquisa do psicólogo Michael Slepian a respeito de segredos. A ocorrência relevante da partícula "se" está na fala do pesquisador, no trecho:

"Meus estudos originais questionavam se as pessoas realmente pensavam desta forma"

Nessa frase, o verbo "questionavam" é transitivo direto e exige um complemento. A oração "se as pessoas realmente pensavam desta forma" funciona exatamente como esse complemento, ou seja, como objeto direto do verbo "questionar". A partícula "se", portanto, não é um pronome, mas uma conjunção subordinativa integrante, que introduz uma oração subordinada substantiva. O teste clássico para confirmar é substituir a oração iniciada por "se" pela palavra "isso": "Meus estudos originais questionavam isso". Se a substituição é possível sem prejuízo de sentido, trata-se de conjunção integrante.

A técnica que decide a questão

A classificação da partícula "se" depende do contexto em que ela está inserida. O "se" pode ser:

Função

Exemplo

Como identificar

Conjunção subordinativa integrante

"Não sabia se iria a Recife."

Introduz oração que funciona como termo da oração principal; substituível por "isso".

Pronome apassivador

"Construíram-se mais escolas."

Acompanha verbo transitivo direto; a frase equivale à voz passiva analítica ("escolas foram construídas").

Índice de indeterminação do sujeito

"Precisa-se de funcionários."

Acompanha verbo transitivo indireto, intransitivo ou de ligação; o sujeito fica indeterminado.

Pronome reflexivo

"Ele se feriu."

A ação recai sobre o próprio sujeito; equivale a "a si mesmo".

Parte integrante do verbo

"Ele se queixou."

Acompanha verbo essencialmente pronominal (queixar-se, arrepender-se).

Partícula expletiva

"Se foram os anos."

Pode ser retirada sem alterar o sentido.

No trecho do texto, o "se" não se encaixa em nenhuma das funções de pronome (apassivador, reflexivo, etc.). Ele é uma conjunção, classe gramatical distinta de pronome. A afirmação do item, portanto, está errada.

Análise da alternativa

Alternativa E — ❌ Errado ⟵ GABARITO

A afirmação "A palavra 'se' classifica-se morfologicamente como pronome" é falsa. No texto, a partícula "se" ocorre como conjunção subordinativa integrante, pois introduz a oração "se as pessoas realmente pensavam desta forma", que exerce a função de objeto direto do verbo "questionavam". A prova é a substituição por "isso": "Meus estudos originais questionavam isso". Como conjunção, o "se" não é pronome, e a classificação morfológica apresentada no item está incorreta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática da partícula "se" com pronome, mas o "se" tem múltiplas classificações. A chave é sempre analisar o contexto: se a oração que ele inicia pode ser trocada por "isso", é conjunção integrante, não pronome.

PEGA ESSA DICA!

Ao se deparar com a partícula "se", aplique o teste da substituição por "isso". Se funcionar, é conjunção integrante. Se a frase puder ser convertida para a voz passiva analítica, é pronome apassivador. Esse teste rápido resolve a maioria das questões de concurso.

Conclusão: a questão cobra a classificação morfológica da partícula "se" em contexto. Como o "se" do texto é conjunção subordinativa integrante, e não pronome, o item está errado.

Gabarito: E (Errado).

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