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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Quadrix 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa601509
Banca
Quadrix
Órgão
CRP 14 (MS)
Ano
2024
Cargo
SGer ( )

CFP manifesta repúdio à nota técnica “Nova Saúde
Mental” publicada pelo Ministério da Saúde


O Conselho Federal de Psicologia (CFP) vem a público manifestar repúdio à Nota Técnica nº 11/2019 intitulada “Nova Saúde Mental”, publicada pela Coordenação‑Geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, do Ministério da Saúde, na última segunda‑feira (4). O teor do documento aponta um grande retroce__o nas conquistas estabelecidas com a Reforma Psiquiátrica (Lei nº 10.216/2001), marco na luta antimanicomial ao estabelecer a importância do respeito à dignidade humana das pessoas com transtornos mentais no Brasil.


A nota apresenta, entre outras questões que desconstroem a política de saúde mental, a indicação de ampliação de leitos em hospitais psiquiátricos e comunidades terapêuticas, dentro da Rede de Atenção Psicossocial (RAPs), incentivando assim o retorno à lógica manicomial. O Ministério da Saúde também passa a financiar a compra de aparelhos de eletroconvulsoterapia.


A representante do CFP no Conselho Nacional de Saúde (CNS), conselheira Marisa Helena Alves, explica que a medida rompe com a política de desisntitucionalização e incentiva a hospitalização e o tratamento desumanizado. Ela ressalta a gravidade da desconstrução da Rede de Atenção Psicossocial (RAPs), com a inclusão dos hospitais psiquiátricos entre os mecanismos.


“Consideramos um retroce__o a inclusão dos hospitais psiquiátricos nas RAPs. Com a Reforma Psiquiátrica, o paciente psiquiátrico passava a ter essa atenção fora dos muros do manicômio e consequentemente em liberdade, podendo ter todo o seu direito de cidadão de ir e vir preservado”, explica Marisa.


“Este modelo coloca o hospital no centro do cuidado em saúde mental, priva o sujeito da liberdade, dentro de um sistema que não favorece a recuperação, mas simplesmente o isolamento”, conclui.


São diretrizes da Rede de Atenção Psicossocial: o respeito aos direitos humanos, garantindo a autonomia, a liberdade e o exercício da cidadania; promoção da equidade, reconhecendo os determinantes sociais da saúde; a garantia do acesso e da qualidade dos serviços, ofertando cuidado integral e assistência multiprofissional, sob a lógica interdisciplinar; e a ênfase em serviços de base territorial e comunitária, diversificando as estratégias de cuidado, com participação e controle social dos usuários e de seus familiares.


Internet: <www.site.cfp.org.br> (com adaptações).

Texto para o item.

 

Quanto aos aspectos gerais do texto, julgue o item.

 

A partir da afirmação “o paciente psiquiátrico passava a ter essa atenção fora dos muros do manicômio e consequentemente em liberdade”, é correto afirmar que o emprego de “em liberdade” em oposição a “manicômio” indica a opinião negativa que se tem a respeito dessa instituição.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

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Oposição semântica entre “em liberdade” e “manicômio” — juízo negativo da instituição

Gabarito: C (Certo). O emprego de “em liberdade” em oposição a “manicômio” indica, sim, a opinião negativa que o texto tem a respeito dessa instituição. A oposição é construída pelo próprio texto, que associa o manicômio à privação da liberdade e o tratamento fora dele à liberdade e à cidadania — como se lê na fala da conselheira: “o paciente psiquiátrico passava a ter essa atenção fora dos muros do manicômio e consequentemente em liberdade”. A contraposição entre os dois termos carrega, no contexto, uma valoração negativa do manicômio.

O comando pede uma interpretação (não mera recorrência): a questão quer saber se a oposição entre “em liberdade” e “manicômio” revela um juízo de valor do autor. Não se trata de localizar uma frase pronta, mas de depreender do contraste entre os termos a carga avaliativa. E o texto autoriza essa leitura: ele não apenas opõe os dois conceitos, como associa o manicômio à “lógica manicomial”, ao “isolamento” e à “privação da liberdade” — todos termos negativos.

O texto é uma nota de repúdio do CFP a uma nota técnica do Ministério da Saúde. A tese é clara: a medida ministerial representa um “retrocesso” nas conquistas da Reforma Psiquiátrica. A fala da conselheira Marisa Helena Alves é o coração da questão:

“Consideramos um retroce__o a inclusão dos hospitais psiquiátricos nas RAPs. Com a Reforma Psiquiátrica, o paciente psiquiátrico passava a ter essa atenção fora dos muros do manicômio e consequentemente em liberdade, podendo ter todo o seu direito de cidadão de ir e vir preservado”

Aqui, “fora dos muros do manicômio” e “em liberdade” aparecem como equivalentes: sair do manicômio é estar em liberdade. A consequência lógica é que, dentro do manicômio, não há liberdade. E o texto ainda reforça: “Este modelo coloca o hospital no centro do cuidado em saúde mental, priva o sujeito da liberdade, dentro de um sistema que não favorece a recuperação, mas simplesmente o isolamento”.

A técnica que decide a questão é a análise das relações semânticas de oposição (antítese/contraste). Quando um texto opõe dois termos, ele não apenas os distingue — ele valoriza um em detrimento do outro. Aqui, a oposição “liberdade × manicômio” não é neutra: o manicômio é o polo negativo (privação, isolamento, desumanização), e a liberdade é o polo positivo (cidadania, dignidade). O juízo negativo sobre o manicômio está marcado linguisticamente no texto, não é uma opinião externa do leitor.

NÃO CAIA NESSA!

A banca testa se o candidato percebe que a oposição entre “em liberdade” e “manicômio” não é meramente descritiva, mas avaliativa. Quem marca “Errado” geralmente pensa que “oposição” é só uma relação lógica neutra — mas, no texto, a oposição carrega uma carga negativa explícita contra o manicômio.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmação está correta porque o texto constrói a oposição entre “em liberdade” e “manicômio” com uma valoração negativa da instituição. Veja a sequência argumentativa:

  1. O texto chama a medida de “retroce__o” e a associa ao “retorno à lógica manicomial” (termo já negativo).

  2. A conselheira opõe “fora dos muros do manicômio” a “em liberdade”, estabelecendo que o manicômio é o lugar da não liberdade.

  3. O texto conclui que o modelo manicomial “priva o sujeito da liberdade” e favorece “o isolamento”.

A oposição, portanto, não é neutra: ela posiciona o manicômio como algo negativo (privação, isolamento) e a liberdade como algo positivo (cidadania, dignidade). O juízo negativo está no texto, não é uma opinião que o candidato acrescenta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmação de que o emprego de “em liberdade” em oposição a “manicômio” não indica opinião negativa contradiz o texto. O texto explicitamente associa o manicômio à privação da liberdade e ao isolamento:

“Este modelo coloca o hospital no centro do cuidado em saúde mental, priva o sujeito da liberdade, dentro de um sistema que não favorece a recuperação, mas simplesmente o isolamento

Se o manicômio “priva o sujeito da liberdade”, então a oposição “em liberdade × manicômio” necessariamente carrega uma avaliação negativa da instituição. Marcar “Errado” seria ignorar a carga semântica que o texto atribui ao termo “manicômio” — um erro de leitura literal que desconsidera o contexto argumentativo.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de oposição, pergunte-se: “essa oposição é neutra (apenas distingue) ou avaliativa (valoriza um polo em detrimento do outro)?”. No texto, a oposição é avaliativa porque o polo “manicômio” recebe predicados negativos (“priva”, “isola”, “desumaniza”).

Conclusão: a chave da questão está em perceber que a oposição entre “em liberdade” e “manicômio” não é meramente lógica, mas carregada de juízo de valor. O texto associa o manicômio à privação da liberdade e ao isolamento, o que torna correta a afirmação de que o emprego de “em liberdade” indica opinião negativa sobre a instituição.

Gabarito: letra C (Certo).

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