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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — FUNDATEC 2024

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
qa601530
Banca
FUNDATEC
Órgão
CRF RS
Ano
2024
Cargo
Adv ( )

Apesar de restrições, Philip Morris patrocina evento cultural na parada LGBTQIA+ de SP

 

Por Bruno Fonseca e Rafael Custódio

 

Num auditório espaçoso, um vídeo institucional da Philip Morris – gigante da indústria do tabaco mundial – abre uma roda de conversa sobre empregabilidade para pessoas LGBTQIA+. A peça trata do descarte de bitucas e de diversidade. Além disso, entre os palestrantes está uma representante da Philip Morris, que fala sobre seleção e ampliação da diversidade no mercado de trabalho.

 

O evento, no caso, é uma palestra da Feira da Diversidade, que é parte da programação oficial da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de São Paulo. A Philip Morris é patrocinadora da feira. A ação, contudo, acontece no limite da legalidade, segundo especialistas. Isso porque uma lei federal proíbe,           décadas, o patrocínio de atividade cultural ou esportiva por “uso de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco, em recinto coletivo fechado, privado ou público”.

 

“É proibida              promoção dos produtos, mas aí as empresas encontraram a brecha na lei, que é realizar a publicidade institucional. Se a ação acontecer em nome da Philip Morris, isso não seria ilegal”, explica a diretora da Aliança de Controle do Tabagismo (ACT), Mônica Andreis. “O problema é que são empresas cujo produto é o tabaco, sendo este o carro-chefe delas: cigarros e produtos fumígenos. Não são como uma grande empresa que tem uma gama de produtos e poderia fazer uma ação institucional mais genérica”, avalia Andreis.

 

Além de patrocinar a feira, a Philip Morris Brasil é apoiadora da própria Parada, como consta em comunicado divulgado para a imprensa. Este é o sétimo ano que a empresa apoia o evento. A logo da Philip Morris aparece no site da Parada do Orgulho como um dos parceiros. No evento, todavia, a marca da Philip Morris só aparece nos painéis próximos ao auditório onde são realizadas as rodas de conversa; nos demais espaços, aparecem apenas os outros patrocinadores e apoiadores. Na visão de Andreis, empresas como a Philip Morris utilizam esse tipo de ação institucional para melhorar sua imagem, que é prejudicada pelos males            saúde causados pelo fumo. A associação a eventos que promovem a diversidade, no mês do Orgulho, é uma prática comum no mundo do marketing, que foi apelidada de “rainbow washing” (prática em que empresas, marcas ou organizações demonstram apoio superficial ou simbólico à comunidade LGBTQIA+ para lucrar, sem implementar políticas reais de apoio ou mudança), em alusão ao uso do arco-íris, símbolo da comunidade LGBTQIA+.

 

No Brasil, a propaganda de cigarros em veículos de massa, como jornais, TVs e rádios, é proibida desde os anos 2000. Apesar de a legislação brasileira ser rigorosa quanto a esse tipo de divulgação, empresas que vendem cigarros e outros produtos de tabaco têm conseguido fazer a divulgação das suas marcas através de ações institucionais, como a Philip Morris faz na parada LGBTQIA+ de São Paulo.

 

(Disponível em: apublica.org/2024/05/apesar-de-restricoes-philip-morris-patrocina-evento-cultural-na-parada-

lgbtqia-de-sp/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

De acordo com a regência verbal e com a necessidade de uso do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas.

  1. Ahá – à – à
  2. Bhá – a – à
  3. Cà – a – à
  4. Da – à – a
  5. Eà – à – a
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — há – a – à

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase e regência verbal — Gabarito: letra B.

A sequência correta é há – a – à, como se lê no trecho: “uma lei federal proíbe, décadas, o patrocínio de atividade cultural ou esportiva por ‘uso de cigarros...’”. A primeira lacuna exige o verbo haver com sentido de tempo decorrido; a segunda, a preposição a exigida pelo verbo proibir (proíbe-se algo a alguém); a terceira, a crase à na locução adverbial feminina à saúde. A alternativa B é a única que combina corretamente os três casos.

O comando

A questão pede que você preencha as lacunas de acordo com a regência verbal e com a necessidade de uso do acento indicativo de crase. Isso significa que você deve analisar cada lacuna em dois níveis: (1) qual palavra é exigida pela regência do verbo ou pela estrutura da frase; (2) se essa palavra deve receber o acento grave (crase) ou não. Não é uma questão de interpretação de texto, mas de gramática aplicada ao texto — você precisa identificar o contexto exato de cada lacuna para aplicar a regra correta.

O texto e as lacunas

O texto trata do patrocínio da Philip Morris à Parada LGBTQIA+ de São Paulo, destacando a controvérsia legal e ética dessa ação. As lacunas estão em três trechos específicos:

  1. “uma lei federal proíbe, ______ décadas, o patrocínio...” — aqui, a lacuna está entre o verbo proíbe e o substantivo décadas. O sentido é de tempo decorrido: a lei proíbe décadas (ou seja, já se passaram décadas desde que a proibição existe).

  2. “É proibida ______ promoção dos produtos...” — a lacuna está entre o verbo proibida (particípio) e o substantivo promoção. O verbo proibir exige a preposição a para introduzir o objeto indireto (proíbe-se algo a alguém). Como promoção é um substantivo feminino, a preposição a se funde com o artigo a, formando a crase à.

  3. “prejudicada pelos males ______ saúde causados pelo fumo” — a lacuna está entre o substantivo males e o substantivo saúde. A expressão à saúde é uma locução adverbial feminina que exige crase obrigatória.

A técnica que decide

A regra central é: crase é a fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a” ou com o pronome demonstrativo “a”. Para saber se há crase, você deve verificar se o termo que antecede exige a preposição a e se o termo que segue aceita o artigo a. Se ambos ocorrerem, há crase; se apenas um ocorrer, não há.

No caso da primeira lacuna, o verbo haver com sentido de tempo decorrido é impessoal e não exige preposição — ele é usado sozinho, sem crase. Já na segunda lacuna, o verbo proibir exige a preposição a (proíbe-se algo a alguém), e o substantivo promoção aceita o artigo a (a promoção), portanto há crase. Na terceira lacuna, a expressão à saúde é uma locução adverbial feminina que exige crase obrigatória, independentemente da regência do verbo.

PEGA ESSA DICA!

Para testar a crase, substitua o termo feminino por um masculino equivalente. Se aparecer ao, há crase; se aparecer apenas a, não há. Ex.: “proíbe a promoção” → “proíbe o patrocínio” (sem crase); “males à saúde” → “males ao corpo” (com crase).

Análise das alternativas

11ª lacuna: "há décadas"
Verbo haver (tempo decorrido)
Sem crase
22ª lacuna: "proibida a promoção"
Verbo proibir exige preposição "a"
Sem crase (sem fusão com artigo)
33ª lacuna: "males à saúde"
Locução adverbial feminina
Crase obrigatória
Crase e regência
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Crase e regência: 1ª lacuna: "há décadas" (Verbo haver (tempo decorrido), Sem crase); 2ª lacuna: "proibida a promoção" (Verbo proibir exige preposição "a", Sem crase (sem fusão com artigo)); 3ª lacuna: "males à saúde" (Locução adverbial feminina, Crase obrigatória)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A sequência há – à – à erra na segunda lacuna. O verbo proibir exige a preposição a (proíbe-se algo a alguém), mas o substantivo promoção não aceita o artigo a nesse contexto, pois a frase é genérica: “É proibida a promoção dos produtos” (sem crase). A crase seria obrigatória apenas se houvesse a fusão da preposição com o artigo, o que não ocorre aqui. A alternativa A comete o erro de generalização indevida, aplicando a crase onde não há fusão.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência há – a – à é a única correta. A primeira lacuna exige o verbo haver com sentido de tempo decorrido (há décadas). A segunda exige apenas a preposição a, sem crase, pois o verbo proibir pede a preposição e o substantivo promoção não aceita o artigo definido nesse contexto genérico. A terceira exige a crase à na locução adverbial feminina à saúde. A alternativa B é a única que combina corretamente os três casos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sequência à – a – à erra na primeira lacuna. O verbo haver com sentido de tempo decorrido é impessoal e não admite crase, pois não há preposição a antes do substantivo décadas. A crase seria impossível aqui, pois o verbo haver não exige preposição. A alternativa C comete o erro de troca de conceito, confundindo o verbo haver com a preposição a.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A sequência a – à – a erra na primeira e na terceira lacunas. Na primeira, o verbo haver com sentido de tempo decorrido exige a forma , não a preposição a. Na terceira, a expressão à saúde é uma locução adverbial feminina que exige crase obrigatória, não podendo ser grafada sem o acento grave. A alternativa D comete o erro de contradizer o texto, pois não respeita a regência do verbo haver nem a locução adverbial.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A sequência à – à – a erra na primeira e na segunda lacunas. Na primeira, o verbo haver com sentido de tempo decorrido exige a forma , não a preposição a. Na segunda, o verbo proibir exige a preposição a sem crase, pois o substantivo promoção não aceita o artigo definido nesse contexto genérico. A alternativa E comete o erro de generalização indevida, aplicando a crase onde não há fusão.

Conclusão

A questão testa a distinção entre o verbo haver (tempo decorrido) e a preposição a, além da crase obrigatória em locuções adverbiais femininas. A alternativa B é a única que respeita a regência verbal e a necessidade do acento grave. Gabarito: letra B.

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