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Questão de Português — Partícula "Se" — Quadrix 2024

PortuguêsPartícula "Se"
Código
qa601797
Banca
Quadrix
Órgão
CFP
Ano
2024
Cargo
Tec Adm ( )

Usualmente toma‑se como justificativa para a saída dos jovens da escola as dificuldades econômicas familiares, que obrigam o jovem a exercer alguma atividade remunerada para auxiliar no orçamento doméstico.


É óbvio que, em um país de desigualdades como o Brasil, no qual muitas famílias vivem em condições de miséria, há grande probabilidade de um jovem se ver obrigado a buscar meios de subsistência, em detrimento da continuidade de sua vida escolar. Essa é uma situação incontestável, mas será que a evasão escolar pode ser reduzida a esse contexto? Há uma relação biunívoca entre necessidades econômicas e evasão escolar?


Ao lidarmos com a inclusão escolar de pessoas com algum tipo de deficiência, também nos deparamos com a retirada dessas pessoas da escola, muitas vezes ainda na infância, e isso ocorre com base em justificativas que passam longe das causas econômicas.


Observamos que os envolvidos no processo, educadores e família, muitas vezes não enxergam a necessidade de permanência desses jovens na escola, já que eles não aprendem como os demais. Constatamos, assim, que características pessoais também têm sido impedimento para que o direito à educação seja desfrutado.


Apesar da legislação e das inúmeras pesquisas acadêmicas sobre a inclusão, na prática encontramos enormes dificuldades em implantá‑la. E as justificativas são as mais variadas: “esta não é a escola mais adequada para esse aluno”; “eu não sei como ensinar a ele”; “ele
veio sem diagnóstico”; “ele é muito limitado e, ao mesmo tempo, é tão esperto que só faz o que quer”; “ele já está muito grande para ficar na escola” – e há diversas outras.


Ao refletirmos sobre as causas da evasão escolar, nos deparamos com questões relativas aopreconceito. Devemos discutir, então, a partir dessa constatação, se a saída dos jovens da escola não se deve, em alguma medida, a concepções ideológicas que minimizam a importância e a necessidade de escola para quem possui diferenças em relação à normalidade e à expectativa vigentes.


Internet: <www.proceedings.scielo.br> (com adaptações).

Leia o texto para responder a questão abaixo.   Com base nas estruturas linguísticas e no vocabulário empregados no texto, julgue o item seguinte. A correção gramatical do texto seria mantida caso o trecho “Usualmente toma‑se”  fosse reescrito da seguinte forma: Se toma usualmente.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita e colocação pronominal: “Usualmente toma-se” × “Se toma usualmente”

Gabarito: E (Errado). A reescrita proposta não mantém a correção gramatical do texto, pois “Se toma usualmente” inicia o período com pronome oblíquo átono (“Se”), o que é proibido na norma culta — não se começa frase com pronome átono. No original, “Usualmente toma-se” é uma voz passiva sintética com ênclise (pronome após o verbo), correta porque o advérbio “Usualmente” não atrai o pronome para antes do verbo (não é palavra atrativa).

O comando

A questão pede que você julgue se a reescrita mantém a correção gramatical. Isso não é interpretação de texto, é gramática aplicada: você precisa comparar a estrutura original com a proposta e verificar se ambas obedecem às regras de colocação pronominal e de voz passiva. O foco está na posição do pronome “se” em relação ao verbo.

O texto e a estrutura original

No trecho original, “Usualmente toma-se como justificativa...”, temos:

  • “Usualmente”: advérbio de tempo, adjunto adverbial.

  • “toma-se”: verbo “tomar” na 3ª pessoa do singular + pronome “se” após o verbo (ênclise).

  • “como justificativa”: predicativo do sujeito ou complemento, mas o essencial é que a estrutura é de voz passiva sintética: “toma-se” = “é tomada”. O sujeito paciente é “a justificativa” (que vem depois).

A ênclise está correta porque não há palavra atrativa antes do verbo. O advérbio “Usualmente” não atrai o pronome (só palavras como “não”, “nunca”, “já”, pronomes relativos, conjunções subordinativas etc. é que atraem). Portanto, “Usualmente toma-se” é gramaticalmente perfeito.

A reescrita proposta e o erro

A reescrita “Se toma usualmente” coloca o pronome antes do verbo (próclise). Isso seria aceitável se houvesse uma palavra atrativa, mas não há — o período começa com o pronome. A norma culta proíbe iniciar frase com pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos). Exemplos: não se diz “Me dá um copo d’água” em texto formal; o correto é “Dá-me um copo d’água”. Da mesma forma, “Se toma” é inaceitável em início de período.

Além disso, a reescrita altera a ordem dos constituintes: no original, o adjunto adverbial “Usualmente” vem antes do verbo; na proposta, ele vem depois. Isso não é, por si só, um erro, mas a próclise indevida já compromete a correção.

A regra que decide

A colocação pronominal na norma culta segue estas orientações:

  • Ênclise (pronome depois do verbo): é o padrão em início de frase e após pausa. Ex.: “Toma-se”, “Diga-me”.

  • Próclise (pronome antes do verbo): obrigatória quando há palavra atrativa (advérbios de negação, pronomes relativos, conjunções subordinativas, pronomes indefinidos, etc.). Ex.: “Não se sabe”, “Que me diz?”.

  • Mesóclise (pronome no meio do verbo): usada com futuro do presente e futuro do pretérito. Ex.: “Dir-lhe-ei”.

No caso, “Usualmente” não é palavra atrativa — é um advérbio de tempo, mas não está na lista de atratores (que são principalmente advérbios de negação e de modo, como “não”, “nunca”, “bem”, “mal”). Portanto, a ênclise é a única forma correta.

Análise da alternativa

Colocação pronominal
  • 1Ênclise (após o verbo)
    • Padrão em início de frase
    • "Usualmente toma-se"
  • 2Próclise (antes do verbo)
    • Palavra atrativa
      • Negação ("não", "nunca")
      • Pronomes relativos
      • Conjunções subordinativas
    • Início de período ("Se toma")
  • 3Mesóclise (meio do verbo)
    • Futuro do presente
    • Futuro do pretérito
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Alternativa E — ❌ Errado ⟵ GABARITO

A afirmação de que a reescrita “Se toma usualmente” mantém a correção gramatical é falsa. O erro está na próclise indevida: iniciar o período com o pronome átono “Se” viola a norma culta. A forma correta seria “Toma-se usualmente” (ênclise) ou, se houvesse atrator, “Usualmente se toma” — mas nunca “Se toma” em início de frase. Portanto, a reescrita não mantém a correção.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar reescritas, verifique sempre a posição do pronome em relação ao verbo. Pergunte: há palavra atrativa antes? Se não, a ênclise é obrigatória. E lembre: nunca se inicia período com pronome oblíquo átono.

Conclusão: a reescrita proposta é incorreta porque usa próclise em início de período, o que a norma culta não admite. A forma original “Usualmente toma-se” está correta, pois a ênclise é o padrão após advérbio não atrativo. Gabarito: E (Errado).

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