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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Avança SP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa601818
Banca
Avança SP
Órgão
CM Osasco
Ano
2024
Cargo
Aqrv ( )

Este pigmento amado por artistas plásticos

era feito com… múmias

 

Um pigmento amarronzado, translúcido e com textura única. Ótimo para fazer sombras e detalhes em pinturas a óleo ou aquarelas. Por alguns séculos, os pintores europeus consideravam que os únicos defeitos do marromm úmia eram desbotar facilmente e rachar depois de seco – dando um visual craquelado para as obras.

 

Foi só em meados do século 19 que um detalhezinho começou a prejudicar o pigmento de tom terroso diante da opinião pública: o nome não estava no sentido figurado. Sua matéria-prima eram, literalmente, múmias egípcias moídas.

 

A história dessa tinta começou na Europa renascentista, quando múmias trazidas do Egito eram comercializadas sem nenhum apreço por seu valor histórico, principalmente para supostos fins medicinais.

 

Os europeus acreditavam, erroneamente, que a substância escura que envolvia os corpos das múmias era betume, uma mistura mineral usada na medicina persa tradicional. Quando eles descobriram tumbas com milhares de cadáveres, acharam que tinham encontrado uma solução para a escassez desse material, e passaram a usar a meleca como remédio para tudo: de dor de dente a infarto. Turistas, exploradores e a população pobre local faziam a festa nos sarcófagos, e os restos mortais eram vendidos por pechinchas: em 1625, era possível comprar três cabeças por meio dirrã, a moeda de prata que circulava no mundo árabe.

 

Sabendo que os europeus comiam, bebiam e esfregavam múmias em si mesmos, não é tão chocante descobrir que eles também pintavam com elas. O pigmento só parou de circular de vez no meio do século passado. O marrom-múmia caiu em desuso por causa de sua má reputação, da instabilidade na qualidade do pigmento e, óbvio, da dificuldade em se obter matéria-prima.

 

No seu auge, a demanda excedeu a oferta de múmias egípcias. E, apesar de ser “só” marrom, não era fácil replicar as propriedades do betume fake. Alguns fabricantes faziam versões falsificadas, usando cadáveres recentes de pessoas escravizadas ou criminosos.

É difícil saber quais quadros levaram o pigmento, porque o processo de análise é destrutivo. Mas sabemos que restos mortais de egípcios estão presentes em várias obras consagradas, como a famosa pintura iluminista A liberdade guiando o povo, do francês Eugène Delacroix.

 

Você já deve ter visto: a pintura mostra uma mulher vigorosa, de peito nu, empunhando a bandeira da França e um rifle em meio à fumaça de canhões e corpos caídos no chão. Um clássico iluminista europeu, um símbolo da luta pela liberdade, igualdade e fraternidade. Colorido pelos corpos traficados de egípcios de 5 mil anos.

 

LOBATO, B. Este pigmento amado por artistas plásticos era feito com… múmias. Revista Superinteressante. (Adaptado). Disponível em <https://super.abril.com.br/historia/este-pigmento-amadopor- artistas-plasticos-que-era-feito-com-mumias>.

Leia o texto a seguir para responder à questão.   De acordo com a reportagem apresentada, entende-se que:
  1. AUma das qualidades da tinta marrom-múmia era rachar depois de seca, causando o efeito de craquelado na pintura.
  2. BO marrom-múmia se popularizou na Europa como remédio pela crença de que seria uma fonte de betume.
  3. CO betume encontrado nas múmias tinha diversas propriedades medicinais e era altamente disputado no mercado.
  4. DTodas as obras renascentistas foram pintadas com tintas feitas a partir de múmias egípcias.
  5. EO desuso da tinta marrom-múmia só aconteceu por conta da má reputação a respeito do seu processo de extração.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — O marrom-múmia se popularizou na Europa como remédio pela crença de que seria uma fonte de betume.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão de Texto: O Marrom-Múmia

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única inteiramente sustentada pelo texto: ela parafraseia a passagem em que se afirma que os europeus acreditavam que a substância das múmias era betume e, por isso, passaram a usá-la como remédio. As demais alternativas ou invertem o sentido do texto (A), ou extrapolam (C, D), ou restringem indevidamente as causas do desuso (E).

O comando pede compreensão — "De acordo com a reportagem apresentada, entende-se que" —, ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase fiel de uma informação explícita no texto, sem deduções nem acréscimos. Não se trata de inferir algo nas entrelinhas, mas de localizar a ideia que o autor afirmou diretamente e reconhecê-la reescrita com outras palavras.

O texto narra a história do pigmento marrom-múmia: inicialmente usado como remédio (porque se acreditava que a substância era betume), depois como tinta, e finalmente abandonado por três motivos. A tese central é que os europeus usaram múmias egípcias de forma utilitária e até macabra, sem valorizar seu significado histórico. Para esta questão, o trecho decisivo está no 3º parágrafo:

"Os europeus acreditavam, erroneamente, que a substância escura que envolvia os corpos das múmias era betume, uma mistura mineral usada na medicina persa tradicional. Quando eles descobriram tumbas com milhares de cadáveres, acharam que tinham encontrado uma solução para a escassez desse material, e passaram a usar a meleca como remédio para tudo."

A alternativa B condensa exatamente isso: a crença de que a substância era betume levou ao uso medicinal. O texto diz que acreditavam erroneamente — ou seja, não era betume de verdade —, e a alternativa B não afirma que era betume, apenas que havia essa crença. Perfeita paráfrase.

A armadilha central da questão é a troca de vocábulo que inverte o sentido. A alternativa A diz que "rachar depois de seca" era uma qualidade da tinta, mas o texto chama isso de defeito. A alternativa E diz que o desuso ocorreu "só" pela má reputação, mas o texto lista três causas. Essas inversões são típicas de banca: usam palavras do texto, mas alteram um termo crucial que muda o significado.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "rachar depois de seca" era uma qualidade da tinta, causando o efeito craquelado. O texto diz o oposto:

"os pintores europeus consideravam que os únicos defeitos do marrom-múmia eram desbotar facilmente e rachar depois de seco – dando um visual craquelado para as obras."

A palavra defeitos é explícita. O craquelado era consequência de um defeito, não uma qualidade. A alternativa contradiz o texto ao trocar "defeito" por "qualidade".

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como demonstrado, o texto afirma que os europeus acreditavam que a substância era betume e, por isso, usavam-na como remédio. A alternativa B é uma paráfrase fiel: "se popularizou na Europa como remédio pela crença de que seria uma fonte de betume". Não há acréscimo nem supressão — apenas reescrita com outras palavras.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa diz que "o betume encontrado nas múmias tinha diversas propriedades medicinais e era altamente disputado no mercado". O texto afirma que os europeus acreditavam erroneamente que a substância era betume — ou seja, não era betume de verdade. Além disso, o texto não diz que o betume tinha propriedades medicinais comprovadas, apenas que era "usado na medicina persa tradicional". A alternativa extrapola ao tratar a crença como fato e ao acrescentar a ideia de "altamente disputado no mercado", que não está no texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "todas as obras renascentistas foram pintadas com tintas feitas a partir de múmias egípcias". O texto não diz isso. Ele menciona que o pigmento foi usado por séculos e que está presente em "várias obras consagradas", mas não afirma que todas as obras renascentistas o usaram. A palavra todas é um quantificador absoluto que restringe indevidamente o alcance do texto — clássica armadilha de generalização.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa diz que o desuso "só aconteceu por conta da má reputação". O texto lista três causas:

"O marrom-múmia caiu em desuso por causa de sua má reputação, da instabilidade na qualidade do pigmento e, óbvio, da dificuldade em se obter matéria-prima."

O advérbio restringe indevidamente as causas, suprimindo duas delas. A alternativa restringe o que o texto afirma de forma mais ampla.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter causa e efeito ou trocar um vocábulo crucial ("defeito" por "qualidade", "só" por "três causas"). Sempre desconfie de palavras absolutas como "todas", "só", "apenas" — confronte com o alcance real do texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife no texto a passagem que corresponde a cada alternativa. Se a alternativa usar uma palavra que não aparece no texto (como "qualidade" ou "só"), pergunte: o texto autoriza essa troca? Se não, é distrator.

Gabarito: letra B. A regra de ouro: a resposta correta é a que parafraseia o texto sem acrescentar, suprimir ou inverter nada. Teste cada alternativa perguntando: "o texto diz exatamente isso, ou exige que eu complete com algo de fora?" — a única que passa no teste é a B.

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