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Questão de Português — Formação e Estrutura das Palavras — Avança SP 2024

PortuguêsFormação e Estrutura das Palavras
Código
qa601823
Banca
Avança SP
Órgão
CM Osasco
Ano
2024
Cargo
Aqrv ( )

Este pigmento amado por artistas plásticos

era feito com… múmias

 

Um pigmento amarronzado, translúcido e com textura única. Ótimo para fazer sombras e detalhes em pinturas a óleo ou aquarelas. Por alguns séculos, os pintores europeus consideravam que os únicos defeitos do marrom múmia eram desbotar facilmente e rachar depois de seco – dando um visual craquelado para as obras.

 

Foi só em meados do século 19 que um detalhezinho começou a prejudicar o pigmento de tom terroso diante da opinião pública: o nome não estava no sentido figurado. Sua matéria-prima eram, literalmente, múmias egípcias moídas.

 

A história dessa tinta começou na Europa renascentista, quando múmias trazidas do Egito eram comercializadas sem nenhum apreço por seu valor histórico, principalmente para supostos fins medicinais.

 

Os europeus acreditavam, erroneamente, que a substância escura que envolvia os corpos das múmias era betume, uma mistura mineral usada na medicina persa tradicional. Quando eles descobriram tumbas com milhares de cadáveres, acharam que tinham encontrado uma solução para a escassez desse material, e passaram a usar a meleca como remédio para tudo: de dor de dente a infarto. Turistas, exploradores e a população pobre local faziam a festa nos sarcófagos, e os restos mortais eram vendidos por pechinchas: em 1625, era possível comprar três cabeças por meio dirrã, a moeda de prata que circulava no mundo árabe.

 

Sabendo que os europeus comiam, bebiam e esfregavam múmias em si mesmos, não é tão chocante descobrir que eles também pintavam com elas. O pigmento só parou de circular de vez no meio do século passado. O marrom-múmia caiu em desuso por causa de sua má reputação, da instabilidade na qualidade do pigmento e, óbvio, da dificuldade em se obter matéria-prima.

 

No seu auge, a demanda excedeu a oferta de múmias egípcias. E, apesar de ser “só” marrom, não era fácil replicar as propriedades do betume fake. Alguns fabricantes faziam versões falsificadas, usando cadáveres recentes de pessoas escravizadas ou criminosos.

É difícil saber quais quadros levaram o pigmento, porque o processo de análise é destrutivo. Mas sabemos que restos mortais de egípcios estão presentes em várias obras consagradas, como a famosa pintura iluminista A liberdade guiando o povo, do francês Eugène Delacroix.

 

Você já deve ter visto: a pintura mostra uma mulher vigorosa, de peito nu, empunhando a bandeira da França e um rifle em meio à fumaça de canhões e corpos caídos no chão. Um clássico iluminista europeu, um símbolo da luta pela liberdade, igualdade e fraternidade. Colorido pelos corpos traficados de egípcios de 5 mil anos.

 

LOBATO, B. Este pigmento amado por artistas plásticos era feito com… múmias. Revista Superinteressante. (Adaptado). Disponível em <https://super.abril.com.br/historia/este-pigmento-amadopor- artistas-plasticos-que-era-feito-com-mumias>.

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

As palavras ‘marrom-múmia’, ‘matéria-prima’ e ‘sarcófago’ são formadas pelo mesmo processo, que corresponde à:

  1. Aderivação imprópria.
  2. Bderivação sufixal.
  3. Cderivação parassintética.
  4. Dcomposição por justaposição.
  5. Ecomposição por aglutinação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — composição por justaposição.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Formação de Palavras: Composição por Justaposição

Gabarito: letra D. As palavras 'marrom-múmia', 'matéria-prima' e 'sarcófago' são formadas pelo mesmo processo: composição por justaposição, pois resultam da união de dois radicais sem que haja alteração fonética ou gráfica em nenhum deles. A prova está na própria estrutura das palavras: em 'marrom-múmia' temos marrom + múmia; em 'matéria-prima', matéria + prima; e em 'sarcófago', sarc(o) + fago — todos os elementos se mantêm íntegros, apenas justapostos.

O Comando

A questão pede que você identifique o processo de formação comum às três palavras. Isso é uma tarefa de classificação morfológica: você precisa reconhecer, em cada vocábulo, se houve derivação (acréscimo de afixos a um radical) ou composição (união de dois ou mais radicais), e, dentro da composição, distinguir justaposição (sem perda de sons/letras) de aglutinação (com perda ou alteração). O comando não pede interpretação de texto — é gramática aplicada ao léxico.

O Texto e a Técnica

O texto-base fala sobre o pigmento 'marrom-múmia', mas a questão não depende do conteúdo — ela usa apenas as palavras citadas. A técnica é analisar a estrutura interna de cada palavra:

  • marrom-múmia: dois substantivos unidos por hífen. Nenhum elemento sofre alteração: marrom + múmia = marrom-múmia. → Justaposição.

  • matéria-prima: adjetivo 'prima' (no sentido de 'primeira') + substantivo 'matéria'. Também sem alteração: matéria + prima = matéria-prima. → Justaposição.

  • sarcófago: vem do grego sarkophágos (sarkós = carne + phágos = que come). Em português, os radicais sarc(o)- e -fago se unem com a vogal de ligação -o-, mas sem perda de fonemas — apenas justaposição com vogal de ligação (que não é afixo, é apenas eufônica). → Justaposição.

A pegadinha está em 'sarcófago': muitos candidatos veem o sufixo '-o' e pensam em derivação, ou confundem a vogal de ligação com alteração fonética (aglutinação). Mas a vogal de ligação não caracteriza aglutinação — ela apenas une os radicais, como em gás + ô + metro (gasômetro) e carn + í + voro (carnívoro).

Alternativa A — ❌ Incorreta

Derivação imprópria é a mudança de classe gramatical sem alteração na forma (ex.: 'o olhar' — verbo virando substantivo). Nenhuma das três palavras muda de classe; todas são formadas por união de radicais, não por conversão. Erro: troca de conceito — confunde composição com derivação imprópria.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Derivação sufixal é o acréscimo de sufixo a um radical (ex.: 'lealdade' = leal + -dade). Em 'marrom-múmia' e 'matéria-prima' não há sufixo algum; em 'sarcófago', o '-o' final é vogal de ligação ou desinência de gênero, não sufixo derivacional. Erro: troca de conceito — confunde vogal de ligação com sufixo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Derivação parassintética exige acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo a um radical (ex.: 'emagrecer' = e- + magr- + -ecer; retirar um dos afixos torna a palavra inexistente). Nenhuma das palavras tem prefixo; todas são compostas por dois radicais. Erro: troca de conceito — confunde composição com derivação parassintética.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Composição por justaposição é a união de dois ou mais radicais sem alteração fonética ou gráfica. As três palavras se encaixam perfeitamente:

'marrom-múmia' = marrom + múmia 'matéria-prima' = matéria + prima 'sarcófago' = sarc(o) + fago

Em nenhuma há perda de fonemas (como em 'planalto' = plano + alto, que vira 'planalto' com perda do 'o' de 'plano' — isso seria aglutinação). A vogal de ligação '-o-' em 'sarcófago' não é perda, é apenas um elemento de ligação eufônica, comum em compostos eruditos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Composição por aglutinação ocorre quando há alteração fonética na união (ex.: 'planalto' = plano + alto; 'aguardente' = água + ardente). Nas três palavras, os radicais se mantêm íntegros — não há supressão nem alteração de sons. Erro: troca de conceito — confunde justaposição com aglutinação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você achar que 'sarcófago' é aglutinação por causa da vogal de ligação '-o-'. Lembre-se: vogal de ligação não é alteração fonética — é apenas um elemento de união, como em gasômetro e carnívoro.

PEGA ESSA DICA!

Para distinguir justaposição de aglutinação, pergunte: houve perda ou alteração de letras/sons na união? Se sim, aglutinação; se não, justaposição. Ex.: 'girassol' (gira + sol) = justaposição; 'planalto' (plano + alto) = aglutinação.

Conclusão: as três palavras são formadas por composição por justaposição, pois unem dois radicais sem alteração fonética. Portanto, Gabarito: letra D.

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