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Questão de Português — Linguagem Formal e Informal — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsLinguagem Formal e Informal
Código
qa601836
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref Recife
Ano
2024
Cargo
Nutri Esc ( )

O poder da música no coração: como ela interfere na saúde cardiovascular?

 

Paulo Chaccur

 

A música é tida por muitas pessoas como uma fonte de diversão, inspiração e entretenimento. No entanto, ela tem uma atuação que vai muito além disso. Você já teve a sensação de ouvir uma canção, e ela tocar diretamente o seu coração? Estudos indicam que certas composições são capazes de despertar sentimentos e emoções, e, assim, interferir positivamente no funcionamento do nosso sistema cardiovascular. [...] E isso acontece ao ouvir música, tocar um instrumento ou cantar mesmo informalmente, no carro ou no chuveiro.

 

Por que e como isso ocorre?

 

Quando pensamos na ativação provocada por uma música, a primeira ligação que geralmente fazemos é com o sistema auditivo. Entretanto, uma canção que gostamos, seja qual for o estilo musical, é capaz de acionar várias partes do cérebro, incluindo áreas responsáveis pelo movimento, pela linguagem, pela atenção e estado de alerta, pela memória, pelas sensações e pelo centro de recompensa.

 

A música tem potencial para estimular ou inibir o sistema nervoso autônomo (SNA), modulando os sentimentos e as emoções. Isso ocorre a partir da liberação de neurotransmissores, como a dopamina, hormônio relacionado ao prazer e à motivação, e a serotonina, substância considerada um antidepressivo natural, capaz de melhorar o humor, controlar a ansiedade e reduzir a sensação de solidão.

 

Pesquisas revelam ainda que os níveis de ocitocina hormônio associado à empatia, confiança e construção de relacionamentos na corrente sanguínea ficam elevados quando pessoas cantam juntas. Tudo isso mesmo em canções tristes ou melancólicas. Nesses casos, a explicação é que certas composições podem nos conectar com o artista em questão e com a mensagem que ele transmite. É como se aquela pessoa entendesse e conseguisse dar voz ao que estamos sentindo, o que gera uma sensação de pertencimento e conforto. (...)

 

1. Redução do estresse

 

(...) As canções, especialmente as suaves e calmas, ajudam a promover um estado de relaxamento o aumento da atividade do sistema nervoso parassimpático compensa a resposta de "luta ou fuga" do simpático, associado ao estresse. [...]

 

2. Alteração da frequência cardíaca

 

(...) Uma canção lenta e tranquilizante pode diminuir a frequência cardíaca (e o contrário também ocorre) e, dessa forma, interferir positivamente na pressão arterial, ajudando a manter seus níveis dentro do que é considerado saudável - à medida que o coração bate mais devagar, próximo de um ritmo normal, há menos pressão sobre as paredes das artérias.

 

3. Vasos sanguíneos mais saudáveis

 

Alguns estudos apontam que a música contribui com a saúde dos vasos sanguíneos e com a chamada função endotelial, ligada à capacidade das células endoteliais (aquelas que revestem o interior dos vasos) de regular o fluxo de sangue e o tônus vascular. [...]

 

4. Melhora do humor

 

Ouvir músicas de que gostamos pode aumentar a liberação de endorfinas e outros neurotransmissores que têm um efeito positivo no humor. Um estado de espírito positivo pode trazer benefícios para a saúde cardiovascular.

 

5. Aumento da motivação para o exercício

 

Muitas pessoas usam a música como estímulo durante um exercício físico. Isso pode aumentar a motivação e o desempenho durante o treino, o que é benéfico para o coração.

 

6. Mais qualidade do sono

 

Canções relaxantes antes de dormir contribuem com a qualidade do sono, uma vez que podem induzir a um estado de relaxamento profundo. E vale salientar: dormir é uma forma de recuperação do corpo, que precisa se recarregar para o dia seguinte. [...]

 

7. Redução da dor e auxílio em tratamentos

 

A música também tem sido usada como terapia complementar para ajudar a reduzir a percepção da dor em pacientes que estão enfrentando determinados tratamentos e pós-cirurgias cardíacas. [...]

 

Música para seu coração

 

Falamos muito aqui de música tranquila e relaxante, mas é válido lembrar que as canções têm efeitos diferentes em cada indivíduo, ou seja, o que funciona para uma pessoa pode não ser igualmente eficaz para outra. Assim, o gosto, as preferências e as respostas pessoais de cada indivíduo à música também desempenham papel relevante. [...] E, apesar dos benefícios, a música não substitui os cuidados médicos e tratamentos recomendados por profissionais de saúde. De modo geral, ela é tida como uma aliada. Por fim, apesar do crescente número de evidências favoráveis que envolvem a saúde cardíaca, ainda existem muitos desafios nessa relação, como a necessidade de mais pesquisas e protocolos padronizados de aplicação e melhores práticas.

 

Adaptado de: https://www.uol.com.br/vivabem/colunas/paulochaccur/ 2023/10/08/o-poder-da-musica-no-coracao-como-elainterfere- na-saude-cardiovascular.htm. Acesso em: 15 de jan. 2024.

Assinale a alternativa que apresenta um trecho do texto em que se identifica informalidade da linguagem, com não atendimento à norma-padrão.
  1. A“O poder da música no coração: como ela interfere na saúde cardiovascular?”.
  2. B“Entretanto, uma canção que gostamos, seja qual for o estilo musical, é capaz de acionar várias partes do cérebro [...]”.
  3. C“Muitas pessoas usam a música como estímulo durante um exercício físico.”.
  4. D“É como se aquela pessoa entendesse e conseguisse dar voz ao que estamos sentindo [...]".
  5. E“Assim, o gosto, as preferências e as respostas pessoais de cada indivíduo à música também desempenham papel relevante.”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — “Entretanto, uma canção que gostamos, seja qual for o estilo musical, é capaz de acionar várias partes do cérebro [...]”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Informalidade e norma-padrão: identificando o desvio no texto

Gabarito: letra B. O trecho "Entretanto, uma canção que gostamos, seja qual for o estilo musical, é capaz de acionar várias partes do cérebro [...]" apresenta informalidade porque o verbo "gostar", na norma-padrão, exige a preposição "de" antes do pronome relativo "que" — o correto seria "uma canção de que gostamos". A supressão da preposição é um desvio de regência verbal, marca típica da linguagem coloquial, como se lê no 2º parágrafo do texto.

A questão pede que você identifique, entre os trechos transcritos, aquele em que há informalidade da linguagem, com não atendimento à norma-padrão. Isso não é uma questão de interpretação de sentido, mas de reconhecimento de um desvio gramatical — ou seja, você precisa localizar a passagem em que o autor, mesmo escrevendo um texto de divulgação científica, escorrega para uma construção coloquial. O comando "não atendimento à norma-padrão" é a chave: não basta a linguagem ser simples ou afetiva; é preciso haver um erro segundo a gramática normativa.

O texto é um artigo de divulgação sobre os benefícios da música para a saúde cardiovascular. O autor, Paulo Chaccur, adota um tom acessível, mas predominantemente formal, com vocabulário técnico ("sistema nervoso autônomo", "função endotelial", "neurotransmissores"). Nesse contexto, a informalidade aparece pontualmente, como um deslize de regência, e é exatamente isso que a banca quer que você perceba.

A técnica para resolver é simples: leia cada alternativa e pergunte: há algum desvio da norma culta? Se sim, é a informalidade procurada. Se não, descarte. A alternativa B é a única que contém um erro de regência: o verbo "gostar" exige a preposição "de" (gostar de algo), e o pronome relativo "que" deve ser precedido dela: "de que gostamos". A forma "que gostamos" é coloquial e foge à norma-padrão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre informalidade de vocabulário e desvio gramatical. A alternativa D parece informal pelo tom afetivo ("É como se aquela pessoa entendesse..."), mas não foge à norma; a B tem um desvio real de regência.

PEGA ESSA DICA!

Desconfie de construções com pronome relativo: verifique se a preposição exigida pelo verbo foi mantida. "Gostar" pede "de"; "assistir" pede "a"; "precisar" pede "de".

Informalidade (desvio da norma-padrão)
  • 1Regência verbal
    • Gostar exige "de"
    • "canção de que gostamos"
    • "canção que gostamos" (coloquial)
  • 2Confusões comuns
    • Tom afetivo ≠ desvio
    • Vocabulário simples ≠ erro
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O trecho "O poder da música no coração: como ela interfere na saúde cardiovascular?" é o título do texto. Está na norma-padrão: a pergunta é construída com o verbo "interferir" corretamente regido pela preposição "em" (interferir em algo). Não há desvio. Erro: não apresenta informalidade.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O trecho "Entretanto, uma canção que gostamos, seja qual for o estilo musical, é capaz de acionar várias partes do cérebro [...]" contém um desvio de regência: o verbo "gostar" exige a preposição "de" antes do pronome relativo "que". O correto seria "uma canção de que gostamos". A supressão da preposição é típica da linguagem coloquial, configurando informalidade com não atendimento à norma-padrão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O trecho "Muitas pessoas usam a música como estímulo durante um exercício físico." está na norma-padrão. O verbo "usar" é transitivo direto, sem preposição, e a construção é correta. Não há desvio. Erro: não apresenta informalidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O trecho "É como se aquela pessoa entendesse e conseguisse dar voz ao que estamos sentindo [...]" tem tom afetivo e coloquial, mas não foge à norma-padrão. O verbo "dar" exige a preposição "a" (dar voz a algo), e o pronome relativo "que" é precedido dela: "ao que". A construção é gramaticalmente correta. Erro: confunde tom afetivo com informalidade gramatical.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O trecho "Assim, o gosto, as preferências e as respostas pessoais de cada indivíduo à música também desempenham papel relevante." está na norma-padrão. O verbo "desempenhar" é transitivo direto, sem preposição, e a concordância está correta. Não há desvio. Erro: não apresenta informalidade.

Conclusão: a única alternativa que apresenta um desvio real da norma-padrão é a letra B, com a regência do verbo "gostar" sem a preposição "de". As demais, mesmo as de tom mais coloquial, estão gramaticalmente corretas. Lembre-se: informalidade, para a banca, é desvio da norma culta, não apenas simplicidade ou afetividade.

Gabarito: letra B

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