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Questão de Português — Figuras de Linguagem — Avança SP 2024

PortuguêsFiguras de Linguagem
Código
qa602132
Banca
Avança SP
Órgão
Pref SM Arcanjo
Ano
2024
Cargo
Ag Fisc (SM Arcanjo)

Carmim de cochonilha: a história do pigmento 

feito de insetos moídos

 

A palavra “vermelho” vem do latim vermiculus, que significa “verme”. O motivo é que, por muito tempo, um pigmento vermelho comum na Europa vinha de um inseto minúsculo de nome científico Kermes vermilio. Esse bichinho excreta um composto químico batizado de ácido quermésico, que já dava cor a roupas, cerâmicas e quadros em Roma. Civilizações antigas das Américas, como astecas e maias, eram fãs de um ácido colorido similar – o ácido carmínico, presente no inseto Dactylopius coccus, a cochonilha.

 

No século 15, por exemplo, Montezuma, o imperador asteca, exigiu tributo na forma de cochonilha de onze cidades conquistadas. Até hoje, o Peru e o México estão entre os maiores produtores desse pigmento. Os insetos são criados em cactos, que eles adoram parasitar.

 

Para obter meio quilo de pó de carmim, é necessário pulverizar 70 mil cochonilhas secas. Até 20% do corpo do inseto de 0,5 cm consiste nesse ácido de cor vibrante, mas elas pesam frações de grama cada uma. Não rende.

 

O pó escarlate se tornaria um dos produtos mais importantes da balança comercial do México colonial: só não movimentava mais dinheiro que a prata. Sua importância era tamanha que essa substância era negociada em bolsas de valores na Europa – como soja e minério de ferro são hoje, por exemplo –, e foi essencial para que a Espanha se tornasse uma potência econômica

 

Essa commodity fez muito sucesso nos retratos e cenas cristãs dramáticas do barroco. Caravaggio, o pintor italiano, utilizava frequentemente sua tonalidade cor de sangue. Quando os tintureiros europeus começaram a experimentar com o pigmento americano em tecidos, ficaram deslumbrados com sua vivacidade e concentração: o vermelho era muito mais bonito que o gerado pelos insetos do Velho Mundo.

 

A Revolução Industrial e a ascensão dos corantes sintéticos no século 19, como a alizarina, mudaram o cenário. A indústria da cochonilha entrou em crise, e muitas fábricas fecharam: criar e triturar insetos aos milhões não era uma solução tão lucrativa ou escalável quanto usar pigmentos artificiais.

 

O carmim de cochonilha só voltou a ser viável economicamente nas últimas décadas: embora tenha saído de cena nas artes, na construção civil e na indústria têxtil, ele ainda é uma opção biologicamente inofensiva para colorir comida e cosméticos, aprovada por agências de vigilância sanitária mundo afora. Aparece em iogurtes, balas e outras coisas sabor morango, bem como no bolo red velvet e em quase todo batom.

 

No futuro, é possível que o corante passe a ser secretado por microrganismos geneticamente modificados, eliminando a preocupação dos veganos com a matança de artrópodes.

 

MOURÃO, M. Carmim de cochonilha: a história do pigmento feito de insetos moídos. Revista Superinteressante. (Adaptado). Disponível em <https://super.abril.com.br/historia/carmim-decochonilha- a-historia-do-pigmento-feito-de-insetosmoidos>.

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

No excerto “Civilizações antigas das Américas, como astecas e maias, eram fãs de um ácido colorido similar”, a palavra “fã” é utilizada como um recurso de expressividade, que corresponde à figura de linguagem:

  1. Acomparação.
  2. Bmetáfora.
  3. Cmetonímia.
  4. Dsinestesia.
  5. Eperífrase.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — metáfora.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Metáfora: a comparação implícita em "eram fãs"

Gabarito: letra B. No excerto "Civilizações antigas das Américas, como astecas e maias, eram fãs de um ácido colorido similar", a palavra "fã" é empregada em sentido figurado (conotativo), configurando uma metáfora: atribui-se a civilizações antigas um comportamento tipicamente humano (ser "fã" de algo), sem qualquer conectivo comparativo. A passagem que ancora essa leitura é o próprio trecho citado, em que "fãs" não designa admiradores reais, mas expressa, de forma expressiva, a preferência desses povos pelo ácido carmínico.

O comando: identificar a figura de linguagem

A questão pede que você reconheça o recurso de expressividade empregado na palavra "fã". Isso significa que você deve analisar o sentido conotativo (figurado) do termo no contexto, e não o seu sentido denotativo (literal, de dicionário). A banca quer que você diferencie as principais figuras de palavras: metáfora, comparação, metonímia, sinestesia e perífrase.

O texto: a ideia de preferência expressa de forma figurada

No texto, o autor explica que astecas e maias utilizavam o ácido carmínico, presente na cochonilha, para obter cor vermelha. Ao dizer que essas civilizações "eram fãs" desse ácido, o autor não está afirmando que elas tinham admiradores humanos, mas sim que apreciavam, valorizavam e utilizavam intensamente aquele pigmento. A palavra "fã" é deslocada de seu sentido original (pessoa que admira alguém) para expressar uma relação de preferência, criando uma imagem expressiva.

A técnica: metáfora é comparação implícita, sem conectivo

A metáfora é uma figura de linguagem que consiste em empregar uma palavra ou expressão em um sentido que não lhe é próprio, estabelecendo uma comparação implícita, ou seja, sem o uso de conectivos comparativos como "como", "tal qual", "assim como". No trecho, a relação de preferência é comparada, de forma subentendida, à admiração de um fã. Não há um termo comparativo explícito; a comparação está subentendida na própria escolha lexical.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar metáfora de comparação, pergunte: há um conectivo comparativo (como, tal qual, que nem)? Se sim, é comparação (símile). Se não, e a palavra está em sentido figurado, é metáfora.

Análise das alternativas

1Metáfora
Comparação implícita
Sem conectivo
Sentido conotativo
2Comparação (símile)
Conectivo explícito (como, tal qual)
3Metonímia
Relação de proximidade (autor/obra, parte/todo)
4Sinestesia
Mistura de sentidos (visão, audição, tato)
5Perífrase
Substituição por característica (Cidade Maravilhosa)
Figuras de palavra
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Figuras de palavra: Metáfora (Comparação implícita, Sem conectivo, Sentido conotativo); Comparação (símile) (Conectivo explícito (como, tal qual)); Metonímia (Relação de proximidade (autor/obra, parte/todo)); Sinestesia (Mistura de sentidos (visão, audição, tato)); Perífrase (Substituição por característica (Cidade Maravilhosa))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A comparação (ou símile) exige um conectivo comparativo explícito, como "como", "tal qual", "assim como". No trecho, não há esse conectivo ligando "fãs" a um elemento comparado. A palavra "como" que aparece no excerto ("como astecas e maias") tem função de exemplificação, não de comparação. Portanto, a alternativa extrapola o conceito, confundindo exemplificação com comparação.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A metáfora é a comparação implícita, sem conectivo. Ao dizer que as civilizações "eram fãs" do ácido, o autor transfere o sentido de "fã" (admirador) para expressar a preferência desses povos, criando uma imagem figurada. Não há comparação explícita; a relação é subentendida, caracterizando a metáfora.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A metonímia é a substituição de um termo por outro com base em uma relação de proximidade ou contiguidade lógica (autor pela obra, parte pelo todo, causa pelo efeito, etc.). No trecho, "fãs" não substitui um termo por outro com base em uma relação lógica; ele é usado em sentido figurado para expressar preferência. A alternativa troca o conceito, confundindo metáfora com metonímia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A sinestesia é a mistura de sensações de sentidos diferentes (visão, audição, tato, paladar, olfato) em uma mesma expressão, como "perfume doce e quente". No trecho, não há mistura de sensações; há apenas o uso figurado de "fãs". A alternativa tangencia o tema, apresentando uma figura que não se aplica ao contexto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A perífrase (ou antonomásia) é a substituição de um nome por uma expressão que o caracteriza, como "Cidade Maravilhosa" por Rio de Janeiro. No trecho, "fãs" não é uma expressão que designa ou caracteriza um ser; é uma palavra usada em sentido figurado. A alternativa troca o conceito, confundindo perífrase com metáfora.

Conclusão

A questão exige o reconhecimento da metáfora como figura de palavra que estabelece uma comparação implícita, sem conectivo. A palavra "fã" é empregada em sentido conotativo para expressar preferência, caracterizando a figura. As demais alternativas apresentam figuras que não se aplicam ao contexto, seja por exigirem conectivo (comparação), relação de proximidade (metonímia), mistura de sentidos (sinestesia) ou substituição por característica (perífrase).

Gabarito: letra B

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