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Questão de Português — Preposição — Avança SP 2024

PortuguêsPreposição
Código
qa602142
Banca
Avança SP
Órgão
Pref SM Arcanjo
Ano
2024
Cargo
Aux (SM Arcanjo)

Verde-paris: o pigmento do séc. 19 que começou como 

moda e virou inseticida

 

Em 2 de abril de 1894, Jordan foi buscar um balde d’água no poço da pensão em que morava em Buena Vista, uma cidadezinha de 1,2 mil habitantes no estado de Wisconsin, nos EUA. No fundo do recipiente, percebeu uma borra esverdeada suspeita. Calhou que, no dia anterior, um criminoso havia despejado um saco de 1kg de verde-paris na água – o que explicava o mal-estar repentino que havia acometido os moradores do casarão no dia anterior.

 

O verde-paris, ou verde de Schweinfurt, foi inventado em 1814 na Alemanha pelos fabricantes de tintas Wilhelm Sattler e Friedrich Russ, e começou sua trajetória como uma inovação promissora na indústria. A dupla de inventores buscava um verde mais estável do que o pigmento mais usado até então – o chamado verde de Scheele –, e encontrou um composto químico inorgânico que rapidamente se tornou popular por sua cor intensa e relativa durabilidade.

 

O verde-paris virou febre: foi amplamente utilizado em pinturas, encadernação de livros e papéis de parede. Artistas famosos do século 19, como Claude Monet, Vincent van Gogh e Paul Gauguin ficaram encantados com a cor – que era difícil de se replicar misturando outros pigmentos. Livros com capas e lombadas decoradas com o pigmento tornaram-se populares no Ocidente.

 

A lua de mel não durou muito, porém. O acetoarsenito de cobre, como o nome já diz, leva arsênico na receita, que o torna tóxico. O nome “verde-paris” não se refere à presença da cor nas paredes e pôsteres da capital francesa, e sim ao fato de que ele passou a ser usado como veneno de rato nos esgotos da cidade luz.

 

Mais tarde, descobriu-se que o pó também era um poderoso inseticida, que foi usado para controlar pragas agrícolas como o besouro da batata e o bicho-da-seda. O pigmento chegou a ser lançado de aviões durante a 2° Guerra Mundial para matar mosquitos e, assim, combater a malária na Itália.

 

Ao longo do século 19, a consciência crescente sobre a toxicidade do arsênico – famílias inteiras acabaram mortas por papéis de parede que continham verde-paris e outros pigmentos com esse elemento – levou a uma queda progressiva no uso de corantes desse tipo, que foram sendo substituídos por alternativas mais seguras.

 

Em fevereiro de 2024, bibliotecas na Alemanha começaram a restringir o acesso a livros com capas verde-paris, monitorando o risco de envenenamento de cada exemplar. Pesquisadores da Universidade de Delaware, nos EUA, também criaram um projeto para identificar e isolar esses livros em bibliotecas ao redor do globo (até maio de 2024, haviam sido identificados 313 volumes).

 

MOURÃO, M. Verde-paris: o pigmento do séc. 19 que começou como moda e virou inseticida. Revista Superinteressante. (Adaptado). Disponível em <https://super.abril.com.br/historia/verde-paris-opigmento- do-sec-19-que-comecou-como-moda-e-virouinseticida>.

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

Em “A dupla de inventores buscava um verde mais estável do que o pigmento mais usado até então”, a palavra “até” é um(a):

  1. Apreposição.
  2. Bconjunção.
  3. Csubstantivo.
  4. Dadvérbio.
  5. Eadjetivo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — preposição.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Funções da palavra ATÉ: preposição, advérbio ou palavra denotativa?

Gabarito: letra A. No trecho “A dupla de inventores buscava um verde mais estável do que o pigmento mais usado até então”, a palavra “até” é uma preposição, pois estabelece uma relação de limite temporal com o termo seguinte (“então”), equivalendo a “até aquele momento”. A pista decisiva é o contexto de comparação: “mais estável do que” — a preposição “até” introduz o termo que delimita o período de referência, funcionando como conectivo subordinativo.

O comando da questão

A banca pede a classe gramatical da palavra “até” no contexto específico. Isso exige analisar a função sintático-semântica que ela desempenha na frase, e não apenas decorar que “até” pode ser preposição ou advérbio. Em questões de morfologia contextual, o que decide é o papel que a palavra exerce na oração: se liga termos (preposição), se modifica verbo/adjetivo/advérbio (advérbio) ou se tem valor de inclusão/reforço (palavra denotativa).

O texto e o trecho em análise

O texto narra a história do verde-paris, um pigmento tóxico. No segundo parágrafo, lemos:

“A dupla de inventores buscava um verde mais estável do que o pigmento mais usado até então”

Aqui, “até” liga o adjetivo “usado” ao advérbio “então”, formando a expressão adverbial “até então”, que indica limite temporal — ou seja, “até aquele momento”. Essa é a função típica da preposição: subordinar um termo a outro, estabelecendo uma relação de tempo (limite). A preposição “até” é uma preposição essencial, que pode indicar limite de tempo ou de espaço, como em “Fui até a última parte” (limite espacial) ou “Fiquei até as dez” (limite temporal).

A técnica que decide

Para classificar “até”, pergunte: o que ele faz na frase? Se liga dois termos, subordinando um ao outro, é preposição. Se modifica um verbo, adjetivo ou advérbio, com valor de inclusão/reforço, é advérbio (ou palavra denotativa). No trecho, “até” liga “usado” a “então”, formando um adjunto adverbial de tempo. Não há verbo sendo modificado diretamente por “até” com sentido de “inclusive” — o sentido é de limite temporal, não de inclusão. Portanto, é preposição.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre “até” preposição (limite) e “até” advérbio/palavra denotativa (inclusão). Em “até o padre riu”, “até” = “inclusive” (inclusão). Em “até então”, “até” = “até aquele momento” (limite temporal). A troca de sentido é sutil, mas o contexto decide.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de classe gramatical, substitua a palavra por um sinônimo. Se “até” = “inclusive”, é advérbio/palavra denotativa. Se “até” = “até o limite de”, é preposição. No trecho, “até então” = “até aquele momento” → preposição.

Análise das alternativas

Palavra "até"
  • 1Preposição (limite)
    • "até então" = até aquele momento
    • Liga termos (usado → então)
  • 2Advérbio/palavra denotativa (inclusão)
    • "até o padre riu" = inclusive
    • Modifica verbo com valor de reforço
  • 3Teste de substituição
    • "inclusive" → advérbio
    • "até o limite de" → preposição
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Até” é preposição porque liga o adjetivo “usado” ao advérbio “então”, formando a expressão “até então”, que indica limite temporal. A preposição subordina um termo a outro, e aqui ela introduz o adjunto adverbial de tempo. A substituição por “até aquele momento” confirma: “o pigmento mais usado até aquele momento”. Não há valor de inclusão, mas de limite.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Conjunção é a classe que liga orações ou termos de mesma função, estabelecendo relações como adição, oposição, causa, etc. No trecho, “até” não liga orações nem termos coordenados — ela subordina “então” a “usado”, com valor de limite. Não há relação de coordenação ou subordinação entre orações. A alternativa confunde a função de conectivo da preposição com a de conjunção.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Substantivo é a classe que nomeia seres, objetos, ideias, etc. “Até” não nomeia nada; é uma palavra invariável, sem flexão de gênero, número ou grau. Não há contexto em que “até” seja substantivo (diferente de “quê”, que pode ser substantivo com acento). A alternativa extrapola ao atribuir uma classe que não se aplica à palavra.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Advérbio modifica verbo, adjetivo ou outro advérbio, indicando circunstância. No trecho, “até” não modifica diretamente um verbo com valor de inclusão (como em “ele até riu”). Ela liga “usado” a “então”, formando um adjunto adverbial. O advérbio seria “então” (tempo), não “até”. A alternativa confunde a palavra que introduz o adjunto com o adjunto em si.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Adjetivo é a classe que caracteriza o substantivo, variando em gênero e número. “Até” é invariável e não caracteriza nenhum nome. Não há relação de adjetivação no trecho. A alternativa contradiz a natureza invariável da palavra, atribuindo-lhe uma flexão que ela não possui.

Conclusão: a única classificação sustentada pelo contexto é preposição, pois “até” liga termos subordinando um ao outro, com valor de limite temporal. As demais alternativas confundem a função de conectivo com outras classes ou atribuem características que a palavra não tem. Gabarito: letra A.

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