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Questão de Português — Funções Sintáticas dos Pronomes Relativos — Instituto Consulplan 2024

PortuguêsFunções Sintáticas dos Pronomes Relativos
Código
qa602491
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Pref Divinópolis
Ano
2024
Cargo
Ag (Divinópolis)

Deficit de atenção ou distração? Entenda o TDAH em adultos

 

Ser uma pessoa distraída é o suficiente para receber o diagnóstico de TDA (Transtorno de Deficit de Atenção) ou TDAH (Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade)? Não é apenas a dificuldade para se concentrar em algumas tarefas que caracteriza a condição, explica a bióloga e neurocientista Lívia Ciacci, palestrante do Método Supera, de ginástica para o cérebro. “O transtorno do deficit de atenção é um transtorno neurobiológico que, diferentemente da distração, tem uma causa física por trás”, ressalta Ciacci.

 

No cérebro de uma pessoa com TDAH, diz a especialista, existe uma alteração bioquímica nas regiões pré-frontal e pré- -motora. Como a região frontal é quem regula o comportamento humano por meio do autocontrole, falhas na bioquímica dessa região levam às alterações de impulsos e inquietação.

 

Essas alterações costumam se manifestar ainda na infância e se estendem pela vida adulta. O transtorno possui influência genética e é comum que várias pessoas da mesma família tenham a mesma doença.

 

“Diferentemente de alguém que se distrai porque foca a atenção na televisão, em algum barulho ou numa conversa paralela, a pessoa com TDAH se distrai porque além da sensibilidade aumentada ao ambiente, ela também tem um excesso de pensamentos na própria mente. Esse excesso de pensamentos somado à dificuldade de autocontrole gera o comportamento impulsivo e a dificuldade de focar em apenas um estímulo”, conta Ciacci.

 

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 4% da população mundial adulta convive com o transtorno de deficit de atenção. Só no Brasil, são 3 milhões de adultos com a condição.

 

O TDAH tem três sintomas mais marcantes: a falta de concentração, a impulsividade e a hiperatividade (excesso de energia), afirma Ciacci.

 

Entre as características comportamentais de uma pessoa com deficit de atenção estão agressividade, excitabilidade, hiperatividade, impulsividade, inquietação, irritabilidade e falta de moderação. Dificuldade de concentração, esquecimento ou falta de atenção são alguns dos reflexos na cognição do paciente. Quanto ao humor, a pessoa pode apresentar ansiedade, depressão ou dificuldade de aprendizagem.

 

Os sintomas do TDAH causam confusão porque são coisas que todos nós já passamos, mesmo aqueles que não têm a alteração biológica no cérebro, mas a diferença para um diagnóstico está na frequência e na intensidade.

 

O risco de olhar superficialmente para essas características e se autodiagnosticar é acabar se apoiando em uma “desculpa” imaginária e deixar de se conhecer e evoluir, observa a neurocientista.

 

“Mesmo que a pessoa realmente tenha o transtorno, apenas se autodiagnosticar não vai garantir melhoria no desempenho ou nos relacionamentos. O tratamento deve seguir uma sequência de abordagens psicoterapêuticas, farmacológicas e principalmente de autoconhecimento e estruturação do ambiente para contornar as dificuldades naturais dessa forma de funcionamento. Tudo isso só será possível com ajuda médica e psicológica”, ressalta.

 

Ainda, segundo a especialista, até chegar ao diagnóstico correto é necessário resgatar a história de vida do indivíduo para entender como eram as características na infância e como foi o ambiente familiar. Por isso é importante que a pessoa procure psicólogos e psiquiatras que entendam o transtorno e que vão dar a devida atenção ao histórico do paciente.

 

A maior dificuldade não é apenas identificar os sintomas, mas também entender como essa pessoa passou pela infância e adolescência com o transtorno, pois o tratamento adequado depende disso. “Não basta receitar uma medicação. É preciso orientá-la quanto ao autoconhecimento, porque as crianças e adolescentes que crescem sem o diagnóstico correto tendem a ter uma baixa autoestima e um histórico de fracassos incompreendidos”, alerta Ciacci.

 

(Silvia Haidar. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ Acesso em: julho de 2024. Fragmento.)

Os sintomas do TDAH causam confusão porque são coisas que todos nós já passamos, mesmo aqueles que não têm a alteração biológica no cérebro, mas a diferença para um diagnóstico está na frequência e na intensidade.” A função do vocábulo “que”, no trecho sublinhado, é:

  1. AAdvérbio.
  2. BPronome.
  3. CPartícula de realce.
  4. DConjunção integrante.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Pronome.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função do "que" no trecho: pronome relativo

Gabarito: letra B. No trecho "Os sintomas do TDAH causam confusão porque são coisas que todos nós já passamos", o vocábulo "que" é um pronome relativo, pois retoma o antecedente "coisas" e introduz a oração subordinada adjetiva "que todos nós já passamos". A prova está na possibilidade de substituição por "as quais": "coisas as quais todos nós já passamos".

O comando

A questão pede a função morfossintática do vocábulo "que" no trecho sublinhado. Isso exige analisar o papel que a palavra desempenha na oração: se liga orações como conjunção, se retoma um termo anterior como pronome relativo, ou se é mero realce. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise gramatical contextual.

O texto

O trecho em análise está no oitavo parágrafo do texto sobre TDAH. A autora explica que os sintomas do transtorno são comuns a todos, mas o diagnóstico depende da frequência e intensidade. A oração "que todos nós já passamos" restringe o sentido de "coisas": não são quaisquer coisas, mas aquelas que todos já vivenciamos. Essa função restritiva é típica do pronome relativo, que introduz oração subordinada adjetiva restritiva.

A técnica que decide

Para identificar a classe do "que", faça o teste da substituição: se puder trocar por "o qual", "a qual", "os quais" ou "as quais", é pronome relativo. No trecho, "coisas que todos nós já passamos" → "coisas as quais todos nós já passamos". Funcionou. Além disso, o "que" retoma um termo anterior (coisas) e exerce função sintática dentro da oração que introduz: aqui, é objeto direto do verbo "passamos" (passamos as coisas). Essa dupla característica — retomar antecedente e exercer função sintática — é exclusiva do pronome relativo.

"Os sintomas do TDAH causam confusão porque são coisas que todos nós já passamos"

A substituição por "as quais" confirma: "coisas as quais todos nós já passamos". O "que" não é conjunção integrante (não introduz oração substantiva), não é advérbio (não modifica verbo, adjetivo ou outro advérbio) e não é partícula de realce (não pode ser retirado sem prejuízo sintático).

"Que" no trecho
  • 1Pronome relativo (gabarito)
    • Retoma "coisas"
    • Introduz oração adjetiva restritiva
    • Substituível por "as quais"
    • Exerce função sintática (objeto direto)
  • 2Não é
    • Advérbio (não modifica verbo/adjetivo)
    • Partícula de realce (não pode ser retirado)
    • Conjunção integrante (não introduz oração substantiva)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Advérbio. O advérbio modifica verbo, adjetivo ou outro advérbio, indicando circunstância. No trecho, o "que" não modifica nada; ele retoma "coisas" e exerce função de objeto direto. Não há valor adverbial. Erro: troca de classe gramatical.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Pronome relativo. O "que" retoma o antecedente "coisas" e introduz a oração subordinada adjetiva restritiva "que todos nós já passamos". A substituição por "as quais" comprova: "coisas as quais todos nós já passamos". Além disso, exerce função sintática de objeto direto dentro da oração relativa. Correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Partícula de realce. A partícula expletiva ou de realce pode ser retirada da frase sem alteração de sentido, servindo apenas para ênfase. Exemplo: "Ela é que provocou tudo" → "Ela provocou tudo". No trecho, o "que" não pode ser retirado sem quebrar a estrutura: "coisas todos nós já passamos" é agramatical. Erro: confusão com partícula expletiva.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Conjunção integrante. A conjunção integrante introduz oração subordinada substantiva, que exerce função de sujeito, objeto, etc. Exemplo: "Espero que você passe". No trecho, a oração "que todos nós já passamos" é adjetiva, pois caracteriza "coisas", e não substantiva. O "que" retoma antecedente, o que a conjunção integrante não faz. Erro: confusão entre oração adjetiva e substantiva.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre pronome relativo e conjunção integrante. A diferença crucial: o pronome relativo retoma um termo anterior e exerce função sintática; a conjunção integrante apenas liga orações, sem retomar nada.

PEGA ESSA DICA!

Sempre que aparecer "que", faça o teste da substituição por "o qual/a qual". Se funcionar, é pronome relativo. Se não, teste se pode ser retirado (partícula de realce) ou se introduz oração substantiva (conjunção integrante).

Gabarito: letra B.

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