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Questão de Português — Conjunção — Instituto Consulplan 2024

PortuguêsConjunção
Código
qa602493
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Pref Divinópolis
Ano
2024
Cargo
Ag (Divinópolis)

Deficit de atenção ou distração? Entenda o TDAH em adultos

 

Ser uma pessoa distraída é o suficiente para receber o diagnóstico de TDA (Transtorno de Deficit de Atenção) ou TDAH (Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade)? Não é apenas a dificuldade para se concentrar em algumas tarefas que caracteriza a condição, explica a bióloga e neurocientista Lívia Ciacci, palestrante do Método Supera, de ginástica para o cérebro. “O transtorno do deficit de atenção é um transtorno neurobiológico que, diferentemente da distração, tem uma causa física por trás”, ressalta Ciacci.

 

No cérebro de uma pessoa com TDAH, diz a especialista, existe uma alteração bioquímica nas regiões pré-frontal e pré- -motora. Como a região frontal é quem regula o comportamento humano por meio do autocontrole, falhas na bioquímica dessa região levam às alterações de impulsos e inquietação.

 

Essas alterações costumam se manifestar ainda na infância e se estendem pela vida adulta. O transtorno possui influência genética e é comum que várias pessoas da mesma família tenham a mesma doença.

 

“Diferentemente de alguém que se distrai porque foca a atenção na televisão, em algum barulho ou numa conversa paralela, a pessoa com TDAH se distrai porque além da sensibilidade aumentada ao ambiente, ela também tem um excesso de pensamentos na própria mente. Esse excesso de pensamentos somado à dificuldade de autocontrole gera o comportamento impulsivo e a dificuldade de focar em apenas um estímulo”, conta Ciacci.

 

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 4% da população mundial adulta convive com o transtorno de deficit de atenção. Só no Brasil, são 3 milhões de adultos com a condição.

 

O TDAH tem três sintomas mais marcantes: a falta de concentração, a impulsividade e a hiperatividade (excesso de energia), afirma Ciacci.

 

Entre as características comportamentais de uma pessoa com deficit de atenção estão agressividade, excitabilidade, hiperatividade, impulsividade, inquietação, irritabilidade e falta de moderação. Dificuldade de concentração, esquecimento ou falta de atenção são alguns dos reflexos na cognição do paciente. Quanto ao humor, a pessoa pode apresentar ansiedade, depressão ou dificuldade de aprendizagem.

 

Os sintomas do TDAH causam confusão porque são coisas que todos nós já passamos, mesmo aqueles que não têm a alteração biológica no cérebro, mas a diferença para um diagnóstico está na frequência e na intensidade.

 

O risco de olhar superficialmente para essas características e se autodiagnosticar é acabar se apoiando em uma “desculpa” imaginária e deixar de se conhecer e evoluir, observa a neurocientista.

 

“Mesmo que a pessoa realmente tenha o transtorno, apenas se autodiagnosticar não vai garantir melhoria no desempenho ou nos relacionamentos. O tratamento deve seguir uma sequência de abordagens psicoterapêuticas, farmacológicas e principalmente de autoconhecimento e estruturação do ambiente para contornar as dificuldades naturais dessa forma de funcionamento. Tudo isso só será possível com ajuda médica e psicológica”, ressalta.

 

Ainda, segundo a especialista, até chegar ao diagnóstico correto é necessário resgatar a história de vida do indivíduo para entender como eram as características na infância e como foi o ambiente familiar. Por isso é importante que a pessoa procure psicólogos e psiquiatras que entendam o transtorno e que vão dar a devida atenção ao histórico do paciente.

 

A maior dificuldade não é apenas identificar os sintomas, mas também entender como essa pessoa passou pela infância e adolescência com o transtorno, pois o tratamento adequado depende disso. “Não basta receitar uma medicação. É preciso orientá-la quanto ao autoconhecimento, porque as crianças e adolescentes que crescem sem o diagnóstico correto tendem a ter uma baixa autoestima e um histórico de fracassos incompreendidos”, alerta Ciacci.

 

(Silvia Haidar. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ Acesso em: julho de 2024. Fragmento.)

Analise o emprego da palavra “como” em: “Como a região frontal é quem regula o comportamento humano por meio do autocontrole, falhas na bioquímica dessa região levam às alterações de impulsos e inquietação.” Sobre o emprego do vocábulo no trecho, assinale a alternativa correta.

  1. ATrata-se de preposição com sentido de “na posição de”.
  2. BTransmite ideia de causa e tem valor de “uma vez que”.
  3. CPode ser substituído por “a saber”, pois introduz uma explicação.
  4. DExpressa sentido de conformidade; portanto, pode ser substituído por “conforme”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Transmite ideia de causa e tem valor de “uma vez que”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O valor causal do "como" no trecho sobre o TDAH

Gabarito: letra B. No trecho, o vocábulo "como" introduz uma oração subordinada adverbial causal, equivalendo a "uma vez que" / "já que": a função da região frontal (regular o comportamento) é a causa de as falhas bioquímicas levarem a alterações de impulsos e inquietação. A passagem que ancora essa leitura é a própria estrutura do período:

"Como a região frontal é quem regula o comportamento humano por meio do autocontrole, falhas na bioquímica dessa região levam às alterações de impulsos e inquietação."

A oração iniciada por "como" expressa o motivo do que se afirma na oração principal — não uma comparação, não uma conformidade, não uma preposição.

O comando

A questão pede que você analise o emprego da palavra "como" no trecho dado. Isso é uma tarefa de gramática aplicada ao texto: não basta saber as classes possíveis de "como" (preposição, conjunção, advérbio, pronome relativo...); é preciso identificar qual valor o contexto instaura. O comando "sobre o emprego do vocábulo no trecho" sinaliza que a resposta depende da relação semântica que o "como" estabelece entre as duas orações do período.

O texto e o movimento argumentativo

O texto explica o TDAH em adultos. No trecho em questão, a neurocientista explica por que falhas na bioquímica da região frontal geram alterações de impulsos e inquietação: porque essa região é a responsável pelo autocontrole. A relação é de causa e consequência: a causa é o fato de a região frontal regular o comportamento; a consequência é que falhas nessa região levam a alterações. O "como" é a conjunção causal que introduz essa causa.

A técnica que decide

Para identificar o valor de "como", faça o teste da substituição: troque o "como" por conectivos de cada valor possível e veja qual preserva o sentido original.

  • Causal: "Uma vez que a região frontal é quem regula o comportamento..." → mantém o sentido. ✅

  • Conformativo: "Conforme a região frontal é quem regula..." → muda o sentido: não há ideia de acordo, mas de motivo. ❌

  • Comparativo: "Assim como a região frontal é quem regula..." → exigiria um segundo termo de comparação, que não existe. ❌

  • Preposicional: "Na posição de a região frontal..." → não faz sentido. ❌

O único valor que se encaixa é o causal. A banca adora cobrar essa distinção, pois o "como" é uma palavra polissêmica — pode ser conjunção causal, conformativa, comparativa, aditiva, além de preposição, advérbio, pronome relativo e verbo. O contexto é o juiz.

1Valor causal
Equivale a "uma vez que"
Introduz oração subordinada adverbial causal
2Teste da substituição
"Uma vez que" → [+] mantém o sentido
"Conforme" → [-] muda o sentido
"Assim como" → [-] exige 2º termo
"Na posição de" → [-] não faz sentido
3Valores possíveis de "como"
Conjunção causal
Conjunção conformativa
Conjunção comparativa
Preposição
"Como" no trecho
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"Como" no trecho: Valor causal (Equivale a "uma vez que", Introduz oração subordinada adverbial causal); Teste da substituição ("Uma vez que" → [+] mantém o sentido, "Conforme" → [-] muda o sentido, "Assim como" → [-] exige 2º termo, "Na posição de" → [-] não faz sentido); Valores possíveis de "como" (Conjunção causal, Conjunção conformativa, Conjunção comparativa, Preposição)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de classe e de sentido. A alternativa afirma que "como" é preposição com sentido de "na posição de". No trecho, "como" não introduz um termo que ocupe a posição de outro; ele introduz uma oração inteira ("a região frontal é quem regula o comportamento humano"), o que é função de conjunção, não de preposição. Além disso, o sentido de "na posição de" não se aplica: não há ideia de papel ou função. Exemplo de preposição com esse valor: "Ele atua como zagueiro" — aqui sim, "como" é preposição. No trecho, não.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Transmite ideia de causa e tem valor de "uma vez que". Exatamente o que ocorre. A oração "Como a região frontal é quem regula o comportamento humano" é a causa da consequência expressa na oração principal. A substituição por "uma vez que" preserva o sentido:

"Uma vez que a região frontal é quem regula o comportamento humano, falhas na bioquímica dessa região levam às alterações de impulsos e inquietação."

A relação é de causa e efeito: a função da região frontal é o motivo de as falhas gerarem os sintomas. A alternativa está correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de valor semântico. A alternativa afirma que "como" pode ser substituído por "a saber", introduzindo uma explicação. "A saber" é uma expressão que introduz enumeração ou esclarecimento (ex.: "Comprei vários itens, a saber: pão, leite e ovos"). No trecho, "como" não enumera nem explica algo; ele estabelece uma relação de causa. A substituição por "a saber" quebraria o sentido: "A saber a região frontal é quem regula..." não faz sentido. A alternativa confunde explicação com causa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de valor semântico. A alternativa afirma que "como" expressa conformidade e pode ser substituído por "conforme". A conjunção conformativa indica que algo ocorre de acordo com outra coisa (ex.: "Como foi combinado, sairemos cedo" = "Conforme foi combinado"). No trecho, não há ideia de acordo ou conformidade; há ideia de causa. A substituição por "conforme" alteraria o sentido: "Conforme a região frontal é quem regula..." daria a entender que a afirmação segue um padrão, não que é o motivo. A alternativa troca o valor causal pelo conformativo.

Fechamento

A regra de ouro: o contexto decide o valor do "como". Antes de marcar, faça o teste da substituição — troque por "uma vez que" (causal), "conforme" (conformativo), "assim como" (comparativo) e veja qual preserva o sentido. A única que passa é a letra B.

Gabarito: letra B.

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