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Questão de Português — Questões Mescladas sobre Pronomes — Quadrix 2024

PortuguêsQuestões Mescladas sobre Pronomes
Código
qa603273
Banca
Quadrix
Órgão
CRF BA
Ano
2024
Cargo
Farma Fisc ( )

A utilização da natureza para fins terapêuticos é tão antiga quanto a civilização humana e, por muito tempo, produtos minerais, vegetais e animais foram fundamentais para a área da saúde. Historicamente, as plantas medicinais são importantes como fitoterápicos e na descoberta de novos fármacos, estando no reino vegetal a maior contribuição para os medicamentos. 

 

O termo fitoterapia foi dado à terapêutica que utiliza medicamentos cujos constituintes ativos são plantas ou derivados vegetais e cuja origem está no conhecimento e no uso popular. As plantas utilizadas para esse fim são tradicionalmente denominadas medicinais. A terapia com medicamentos de espécies vegetais é relatada em sistemas de medicinas milenares em todo o mundo, como na medicina chinesa, tibetana ou indiana‑ayurvédica. 

 

No Brasil, a magnitude de sua biodiversidade – conjunto de todos os seres vivos com a sua variabilidade genética integral – não é conhecida com precisão tal a sua complexidade, estimando‑se mais de dois milhões de espécies distintas de plantas, animais e micro‑organismos. Isso coloca o país como detentor da maior diversidade biológica do mundo. 

 

Apesar de toda a diversidade de espécies existentes, o potencial de uso de plantas como fonte de novos medicamentos é ainda pouco explorado. Entre as 250 mil e 500 mil espécies de plantas estimadas no mundo, apenas pequena porcentagem tem sido investigada do ponto de vista fitoquímico, fato que ocorre também em relação às propriedades farmacológicas, que, em muitos casos, contam apenas com estudos preliminares. Em relação ao uso médico, estima‑se que apenas 5 mil espécies tenham sido estudadas e, no Brasil, com cerca de 55 mil espécies de plantas, há relatos de investigação de apenas 0,4% da flora. Estima‑se que pelo menos 25% de todos os medicamentos modernos sejam derivados diretamente ou indiretamente de plantas medicinais, principalmente por meio da aplicação de tecnologias modernas ao conhecimento tradicional.

 

Considerando as plantas medicinais como importantes instrumentos da assistência farmacêutica, a Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio de vários comunicados e resoluções, expressa sua posição a respeito da necessidade de valorizar sua utilização no âmbito sanitário ao observar que 70% a 90% da população nos países em vias de desenvolvimento depende delas no que se refere à atenção primária à saúde. Em alguns países industrializados, o uso de produtos fitoterápicos é igualmente significante, como no Canadá, França, Alemanha e Itália, onde 70% a 90% da população tem usado essa terapia medicamentosa sob a denominação de medicina complementar, alternativa ou não convencional. De forma semelhante, no Brasil cerca de 82% da população utiliza produtos à base de plantas medicinais nos seus cuidados com a saúde, seja pelo conhecimento tradicional na medicina indígena, quilombola, entre outros povos e comunidades tradicionais, seja pelo uso na medicina popular, de transmissão oral entre gerações, ou nos sistemas oficiais de saúde, como prática de cunho científico orientada pelos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), que incentivam o desenvolvimento comunitário, a solidariedade e a participação social.

 

RODRIGUES, Angelo Giovani; AMARAL, Ana Cláudia Fernandes. Aspectos sobre o desenvolvimento da fitoterapia in: Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria

de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Práticas integrativas e complementares: plantas medicinais e fitoterapia na atenção básica. Brasília:

Ministério da Saúde, 2012 (com adaptações).

Texto para o item abaixo.

   

Em relação a aspectos linguísticos do texto, julgue o item a seguir.

 

Os vocábulos “cujos” e “cuja” têm valor possessivo, por isso poderiam ser substituídos, sem prejuízo do sentido original e da correção gramatical do texto, por os quais seus e sua, respectivamente.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pronome relativo "cujo": valor possessivo e substituição por "os quais seus"

Gabarito: E (Errado). A substituição de “cujos” por “os quais seus” e de “cuja” por “sua” não preserva o sentido original nem a correção gramatical do texto, pois o pronome relativo “cujo” (e variações) tem valor possessivo e não admite artigo após si, além de ser substituível por “do qual/de quem/de que”, e não por “os quais” + possessivo. A banca explora a confusão entre o valor possessivo de “cujo” e a possibilidade de substituí-lo por uma estrutura com pronome possessivo, o que é gramaticalmente inviável.

O comando

A questão pede um julgamento sobre a possibilidade de substituir “cujos” e “cuja” por “os quais seus” e “sua”, respectivamente, sem prejuízo do sentido e da correção gramatical. Trata-se de uma questão de reescritura (substituição de termos) que exige conhecimento do pronome relativo “cujo” e de suas propriedades sintáticas e semânticas. Não é uma questão de interpretação de texto, mas de gramática aplicada ao texto.

O texto

No texto, encontramos:

“O termo fitoterapia foi dado à terapêutica que utiliza medicamentos cujos constituintes ativos são plantas ou derivados vegetais e cuja origem está no conhecimento e no uso popular.”

Aqui, “cujos” refere-se a “medicamentos” e indica que os “constituintes ativos” pertencem a esses medicamentos; “cuja” refere-se a “terapêutica” e indica que a “origem” pertence a essa terapêutica. O pronome “cujo” estabelece uma relação de posse entre o antecedente (possuidor) e o termo seguinte (possuído).

A regra do “cujo”

O pronome relativo “cujo” (e flexões) é um pronome relativo possessivo: ele retoma um antecedente e estabelece uma relação de posse com o termo que o segue. Suas principais características:

  • Sempre vem entre dois substantivos: o primeiro é o possuidor (antecedente), o segundo é o possuído.

  • Concorda com o termo possuído (o que vem depois), não com o antecedente.

  • Não admite artigo após si: é proibido “cujo o”, “cuja a”, “cujos os”, “cujas as”.

  • Pode ser substituído por “do qual”, “de quem”, “de que” (e flexões), conforme o contexto, mas não por “os quais” + possessivo.

Exemplo clássico: “Este é o livro cujo autor é famoso” = “Este é o livro do qual o autor é famoso”. Note que “cujo autor” não pode virar “o qual seu autor” — a estrutura com possessivo é agramatical.

A pegadinha da banca

A banca tenta fazer o candidato acreditar que, como “cujo” tem valor possessivo, ele poderia ser substituído por “os quais seus” (que também expressaria posse). No entanto, essa substituição é inviável por dois motivos:

  1. Gramatical: “cujo” não admite artigo após si; “os quais seus” introduziria um artigo (“os”) que não pode aparecer depois de “cujo”. Além disso, “cujo” é um pronome relativo que já carrega a ideia de posse, dispensando o possessivo “seus”.

  2. Sintático: “cujo” exerce função de adjunto adnominal (ou complemento nominal) na oração adjetiva; “os quais” teria outra função (sujeito, objeto etc.) e não estabeleceria a mesma relação de posse.

Portanto, a substituição alteraria a estrutura sintática e o sentido, tornando o período incorreto ou com sentido diverso.

Pronome relativo "cujo"
  • 1Valor possessivo
    • Entre dois substantivos
    • Concorda com o possuído
  • 2Regras
    • Não admite artigo após si
    • Não substituível por "os quais" + possessivo
    • Substituível por "do qual", "de quem", "de que"
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Análise das alternativas

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa de que a substituição é possível sem prejuízo é falsa. Como demonstrado, “cujos” e “cuja” não podem ser substituídos por “os quais seus” e “sua” sem quebrar a correção gramatical e o sentido. O erro da alternativa é contradizer a regra do pronome relativo possessivo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa de que a substituição não é possível está correta. O item está errado porque a troca proposta é inviável. A banca pede para julgar a afirmação; como a afirmação é falsa, o gabarito é Errado.

Conclusão

A questão testa o conhecimento do pronome relativo “cujo” e sua impossibilidade de ser substituído por estruturas com possessivo. Gabarito: E (Errado).

PEGA ESSA DICA!

Sempre que a banca propuser substituir “cujo” por “os quais” + possessivo, desconfie: “cujo” já embute a posse e não admite artigo após si. A substituição correta seria por “do qual/de quem/de que”.

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