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Questão de Português — Orações Subordinadas Adjetivas — Quadrix 2024

PortuguêsOrações Subordinadas Adjetivas
Código
qa603282
Banca
Quadrix
Órgão
CRF BA
Ano
2024
Cargo
Farma Fisc ( )

A utilização da natureza para fins terapêuticos é tão antiga quanto a civilização humana e, por muito tempo, produtos minerais, vegetais e animais foram fundamentais para a área da saúde. Historicamente, as plantas medicinais são importantes como fitoterápicos e na descoberta de novos fármacos, estando no reino vegetal a maior contribuição para os medicamentos. 

 

O termo fitoterapia foi dado à terapêutica que utiliza medicamentos cujos constituintes ativos são plantas ou derivados vegetais e cuja origem está no conhecimento e no uso popular. As plantas utilizadas para esse fim são tradicionalmente denominadas medicinais. A terapia com medicamentos de espécies vegetais é relatada em sistemas de medicinas milenares em todo o mundo, como na medicina chinesa, tibetana ou indiana‑ayurvédica. 

 

No Brasil, a magnitude de sua biodiversidade – conjunto de todos os seres vivos com a sua variabilidade genética integral – não é conhecida com precisão tal a sua complexidade, estimando‑se mais de dois milhões de espécies distintas de plantas, animais e micro‑organismos. Isso coloca o país como detentor da maior diversidade biológica do mundo. 

 

Apesar de toda a diversidade de espécies existentes, o potencial de uso de plantas como fonte de novos medicamentos é ainda pouco explorado. Entre as 250 mil e 500 mil espécies de plantas estimadas no mundo, apenas pequena porcentagem tem sido investigada do ponto de vista fitoquímico, fato que ocorre também em relação às propriedades farmacológicas, que, em muitos casos, contam apenas com estudos preliminares. Em relação ao uso médico, estima‑se que apenas 5 mil espécies tenham sido estudadas e, no Brasil, com cerca de 55 mil espécies de plantas, há relatos de investigação de apenas 0,4% da flora. Estima‑se que pelo menos 25% de todos os medicamentos modernos sejam derivados diretamente ou indiretamente de plantas medicinais, principalmente por meio da aplicação de tecnologias modernas ao conhecimento tradicional.

 

Considerando as plantas medicinais como importantes instrumentos da assistência farmacêutica, a Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio de vários comunicados e resoluções, expressa sua posição a respeito da necessidade de valorizar sua utilização no âmbito sanitário ao observar que 70% a 90% da população nos países em vias de desenvolvimento depende delas no que se refere à atenção primária à saúde. Em alguns países industrializados, o uso de produtos fitoterápicos é igualmente significante, como no Canadá, França, Alemanha e Itália, onde 70% a 90% da população tem usado essa terapia medicamentosa sob a denominação de medicina complementar, alternativa ou não convencional. De forma semelhante, no Brasil cerca de 82% da população utiliza produtos à base de plantas medicinais nos seus cuidados com a saúde, seja pelo conhecimento tradicional na medicina indígena, quilombola, entre outros povos e comunidades tradicionais, seja pelo uso na medicina popular, de transmissão oral entre gerações, ou nos sistemas oficiais de saúde, como prática de cunho científico orientada pelos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), que incentivam o desenvolvimento comunitário, a solidariedade e a participação social.

 

RODRIGUES, Angelo Giovani; AMARAL, Ana Cláudia Fernandes. Aspectos sobre o desenvolvimento da fitoterapia in: Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria

de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Práticas integrativas e complementares: plantas medicinais e fitoterapia na atenção básica. Brasília:

Ministério da Saúde, 2012 (com adaptações).

Texto para o item abaixo.

   

No que se refere à pontuação no texto, julgue o item a seguir.

 

Estariam mantidas a correção gramatical e a coerência das ideias do texto, caso se unissem os dois períodos que compõem o terceiro parágrafo do texto em um único período, mediante a substituição do ponto empregado após “micro‑organismos” por vírgula e do vocábulo “Isso” pelo segmento o que.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita com "o que" — pronome relativo e manutenção do sentido

Gabarito: letra C (Certo). A substituição do ponto após "micro-organismos" por vírgula e do pronome "Isso" pelo segmento "o que" mantém a correção gramatical e a coerência, porque "o que" funciona como pronome relativo que retoma toda a oração anterior, exatamente como o pronome demonstrativo "Isso" fazia. A passagem que ancora a resposta é o trecho do terceiro parágrafo: "estimando-se mais de dois milhões de espécies distintas de plantas, animais e micro-organismos. Isso coloca o país como detentor da maior diversidade biológica do mundo." — a reescrita proposta transforma o segundo período em oração subordinada adjetiva explicativa, sem alterar a relação de sentido.

O comando

A questão pede que você julgue a validade de uma reescritura — não é uma pergunta de compreensão nem de inferência, mas de reescritura e reestruturação de frases com foco em pontuação e coesão. O verbo "estariam mantidas" indica que você deve verificar se a nova versão preserva (1) a correção gramatical (sintaxe, pontuação, regência) e (2) a coerência das ideias (relação lógica entre as partes).

O texto e o ponto decisivo

O terceiro parágrafo tem dois períodos:

"No Brasil, a magnitude de sua biodiversidade – conjunto de todos os seres vivos com a sua variabilidade genética integral – não é conhecida com precisão tal a sua complexidade, estimando-se mais de dois milhões de espécies distintas de plantas, animais e micro-organismos. Isso coloca o país como detentor da maior diversidade biológica do mundo."

O pronome "Isso" (com maiúscula por iniciar período) é um pronome demonstrativo que retoma, de forma resumida, toda a ideia anterior: o fato de o Brasil ter uma biodiversidade gigantesca e não precisamente conhecida. A reescrita proposta troca o ponto por vírgula e "Isso" por "o que".

A técnica que decide: "o que" como pronome relativo

A chave está em reconhecer que "o que" aqui não é conjunção integrante (que introduziria oração substantiva, substituível por "isso"), mas pronome relativo — ele retoma um antecedente e introduz uma oração subordinada adjetiva. O antecedente, neste caso, é toda a oração anterior (a ideia de que o Brasil tem mais de dois milhões de espécies).

Veja a reescrita resultante:

"...estimando-se mais de dois milhões de espécies distintas de plantas, animais e micro-organismos, o que coloca o país como detentor da maior diversidade biológica do mundo."

A oração "o que coloca o país..." é uma oração subordinada adjetiva explicativa (também chamada de "oração relativa solta" ou "apositiva"), pois o pronome relativo "o que" equivale a "coisa que" e retoma a oração inteira. Esse é um uso consagrado na norma culta: o relativo "o que" pode ter como antecedente uma oração, e não apenas um substantivo.

A vírgula antes de "o que" é obrigatória nesse caso, porque a oração adjetiva é explicativa — ela acrescenta uma informação sobre o antecedente (a oração anterior) sem restringi-lo. A pontuação, portanto, está correta.

Por que a coerência é mantida

A relação de sentido entre as duas partes é de consequência: o fato de o Brasil ter mais de dois milhões de espécies (causa) coloca o país como detentor da maior diversidade biológica (consequência). Tanto "Isso" quanto "o que" retomam a mesma ideia e mantêm essa relação. Não há mudança de sentido, apenas de estrutura: o que era um período composto por coordenação (dois períodos independentes) passa a ser um período composto por subordinação (oração principal + oração adjetiva explicativa).

  1. 1Substitui "Isso" por "o que"
  2. 2Vira pronome relativo
  3. 3Retoma a oração anterior
  4. 4Oração adjetiva explicativa
  5. 5Vírgula obrigatória
  6. 6[+] Mantém correção e coerência
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Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmação está correta. A reescrita é gramaticalmente válida e preserva a coerência. O pronome relativo "o que" retoma a oração anterior, e a vírgula é obrigatória por se tratar de oração adjetiva explicativa. A relação de consequência entre as ideias é mantida.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmação de que a reescrita não manteria a correção e a coerência está incorreta. Quem marca esta opção provavelmente confundiu "o que" com conjunção integrante ou achou que a vírgula separaria indevidamente o sujeito do verbo. Mas não há erro: "o que" é pronome relativo com antecedente oracional, e a vírgula é exigida pela natureza explicativa da oração.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "o que" como conjunção integrante (que introduz oração substantiva, ex.: "Sei o que você fez") e "o que" como pronome relativo com antecedente oracional. No texto, o antecedente é a oração inteira, não um substantivo — por isso a vírgula é obrigatória e a reescrita é válida.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar reescrituras, teste se a nova estrutura mantém a relação lógica entre as partes (causa, consequência, oposição etc.) e se a pontuação respeita a natureza da oração (explicativa exige vírgula; restritiva não). Se ambos se mantêm, a reescrita é válida.

Gabarito: letra C (Certo).

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