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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — FUNDATEC 2024

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
qa603349
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Cruz Alta
Ano
2024
Cargo
Adm ( )

Tigrinho vai à escola: apostas invadem recreios e salas de aula

 

Por Vanessa Fajardo e Portal Lunetas

 

Quanto mais prejuízo no Jogo do Tigrinho, mais vontade de apostar Gabriel, 16 anos, tinha. “Quando eu perdia, acordava querendo jogar para tentar recuperar. Isso não é bom, você se vicia”, conta. “Eu ganho R$ 50 por dia fazendo um bicoII) de descarregamento de carga de caminhão. Cheguei a perder 400 reais – o equivalente a oito dias de trabalho – em uma hora”. Recentemente, o adolescente parou de jogar. Além de se arrepender dos meses que passou apostando, não incentiva ninguém a jogar.

 

Apesar de proibido no Brasil, o Jogo do Tigrinho ou Fortune Tiger funciona em sites e aplicativos de apostas, e viralizou nas redes sociais neste ano. O professor de informática, João Paulo Freitas de Oliveira, do Instituto Federal da Paraíba (IFPB), tem acompanhado o envolvimento de crianças e adolescentes com esse tema, inclusive na escola. “Até os alunos mais novos já jogam”, diz.

 

Segundo um estudo da Unicef, agência da Organização das Nações Unidas (ONU), para a infância, 22% dos adolescentes entrevistados afirmam que apostaram em jogos de azar pela primeira vez aos 11 anos ou menos; a maioria começou aos 12 anos ou mais (78%).

 

Em junho, o programa Criança e Consumo, do Instituto Alana, denunciou a Meta ao Ministério Público do Estado de São Paulo após identificar perfis de influenciadores mirins, entre 6 e 17 anos, que promovem sites de apostas disponibilizando links de acesso para crianças e adolescentes. Para o coordenador do MBA em cibersegurança da Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP), Marcelo Lau, é difícil responsabilizar e penalizarIII) os culpados. Isso porque “muitas das plataformas que ofertam esse tipo de serviço não têm qualquer representação no Brasil”.

 

Apesar de ter bastante gente jogando na escola, Gabriel diz que nunca jogou lá porque preferia estar em um ambiente “sozinho e silencioso”. Mas essa não é a realidade de um aluno do 1º ano do ensino médio [por volta de 15 anos] que, na primeira quinzena do mês, já tinha gastado mais de R$ 1.000 com o Jogo do Tigrinho, como relata o professor João Paulo Freitas de Oliveira. “Ao questionar se os pais não o controlavam, ele contou que a mãe gastava mais do que ele no jogo. Convoquei a reitoria e vamos montar um plano de ação”.

 

Mesmo crianças que estudam em escolas onde o uso do celular é proibido estão sujeitas a conhecer os jogos de aposta. É o caso de Felipe, 11 anos. Ele se deparou com o Tigrinho no curso de inglês que frequenta no contraturno escolar quando um colega de 14 anos jogava pelo celular. “Eu já tinha visto propagandas e tinha ouvido falar sobre o jogo em vários lugares, mas nunca tinha visto ninguém jogar. Não fiquei curioso porque não gosto desse tipo de jogo de aposta”, conta.

 

Mas o que mais preocupa Oliveira é que os alunos beneficiados pelo Pé-de-Meia [programa que busca incentivar os estudantes de famílias de baixa renda a frequentar as aulas do ensino médio] estão se viciandoI) e usam o dinheiro para fazer apostas on-line. “Isso é gravíssimo”, diz.

 

(Disponível em: https://apublica.org/2024/09/tigrinho-vai-a-escola-apostas-invadem-recreios-e-salas-de-aula/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

No tocante às palavras mencionadas no texto, analise as assertivas a seguir:

 

I. A palavra “viciando” refere-se a um processo gradual de se tornar dependente de jogos e apostas. 

II. O termo “bico”, mencionado no primeiro parágrafo, refere-se a um cargo de tempo integral com vínculo empregatício e benefícios.

III. O vocábulo “penalizar” poderia ser substituído por “bonificar”, sem alteração de sentido no trecho em que se encontra. 

 

Quais estão INCORRETAS?

  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas III.
  4. DApenas I e II.
  5. EApenas II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Apenas II e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sentido das palavras no texto: “viciando”, “bico” e “penalizar” — Gabarito: letra E.

Gabarito: letra E. As assertivas II e III estão incorretas, pois o termo “bico” designa um trabalho temporário e informal — não um cargo de tempo integral com vínculo e benefícios — e “penalizar” não pode ser substituído por “bonificar”, já que são antônimos. A assertiva I está correta, pois “viciando” expressa o processo gradual de dependência, como se lê no trecho em que Gabriel afirma: “Isso não é bom, você se vicia”.

O comando pede que se analise o sentido contextual de três palavras e se marque as assertivas incorretas. Isso muda a resolução: não basta saber o significado dicionarizado; é preciso verificar se a definição apresentada corresponde ao uso no texto. A assertiva correta é a que descreve fielmente o sentido no contexto; a incorreta é a que o distorce, seja por extrapolação, seja por troca de vocábulo.

O texto trata da invasão de jogos de aposta no ambiente escolar. No primeiro parágrafo, Gabriel, de 16 anos, relata sua experiência com o Jogo do Tigrinho: “Quando eu perdia, acordava querendo jogar para tentar recuperar. Isso não é bom, você se vicia”. A palavra “viciando” aparece no último parágrafo, quando o professor Oliveira afirma que os alunos beneficiados pelo Pé-de-Meia “estão se viciando e usam o dinheiro para fazer apostas on-line”. Em ambos os casos, o sentido é o de dependência progressiva — exatamente o que a assertiva I descreve.

A técnica que decide esta questão é a substituição pelo contexto: para cada palavra, pergunta-se “o que ela significa neste trecho?” e compara-se com a definição dada. A assertiva II erra ao extrapolar o sentido de “bico”, que no texto é claramente um trabalho informal e temporário — Gabriel diz: “Eu ganho R$ 50 por dia fazendo um bico de descarregamento de carga de caminhão”. A assertiva III erra ao trocar o vocábulo por um antônimo: “penalizar” significa punir, enquanto “bonificar” significa premiar — sentidos opostos que não podem ser intercambiados sem alterar o texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o sentido contextual e o sentido genérico. “Bico” é uma palavra polissêmica — pode ser “parte do corpo” ou “trabalho informal” — e a assertiva II aposta no candidato que não percebe o uso no texto. Já a assertiva III testa se o candidato conhece o par antônimo penalizar/bonificar.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar o sentido de uma palavra, volte ao trecho em que ela aparece e substitua mentalmente pela definição dada. Se a frase continuar com o mesmo sentido, a assertiva está correta; se mudar ou ficar absurda, está incorreta.

1"Viciando"
Dependência progressiva
Paráfrase fiel do texto
2"Bico"
Trabalho temporário e informal
Sem vínculo nem benefícios
3"Penalizar"
Punir (antônimo de bonificar)
Troca alteraria o sentido
Sentido contextual das palavras
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Sentido contextual das palavras: "Viciando" (Dependência progressiva, Paráfrase fiel do texto); "Bico" (Trabalho temporário e informal, Sem vínculo nem benefícios); "Penalizar" (Punir (antônimo de bonificar), Troca alteraria o sentido)

Assertiva I — ✅ Correta

A assertiva afirma que “viciando” refere-se a um processo gradual de se tornar dependente de jogos e apostas. Isso está correto. No texto, o verbo “viciar” aparece em dois momentos: na fala de Gabriel, “Isso não é bom, você se vicia”, e na fala do professor, “estão se viciando e usam o dinheiro para fazer apostas on-line”. Em ambos, o sentido é o de dependência progressiva — o vício não é instantâneo, mas construído aos poucos, como o próprio relato de Gabriel demonstra: ele perdia, acordava querendo jogar para recuperar, e assim o ciclo se repetia. A definição da assertiva é uma paráfrase fiel do sentido contextual.

Assertiva II — ❌ Incorreta

A assertiva afirma que “bico” refere-se a um cargo de tempo integral com vínculo empregatício e benefícios. Isso está incorreto. No texto, Gabriel diz: “Eu ganho R$ 50 por dia fazendo um bico de descarregamento de carga de caminhão”. O termo “bico”, nesse contexto, designa um trabalho temporário, informal e sem vínculo — não um emprego formal com carteira assinada e benefícios. A assertiva extrapola o sentido: acrescenta características (“tempo integral”, “vínculo empregatício”, “benefícios”) que o texto não menciona e que contradizem a ideia de “bico”. O erro é do tipo generalização indevida — toma uma palavra polissêmica e aplica um sentido que não é o do contexto.

Assertiva III — ❌ Incorreta

A assertiva afirma que “penalizar” poderia ser substituído por “bonificar” sem alteração de sentido. Isso está incorreto. No texto, lê-se: “é difícil responsabilizar e penalizar os culpados”. “Penalizar” significa punir, aplicar pena; “bonificar” significa premiar, conceder benefício. São antônimos — sentidos opostos. Substituir um pelo outro inverteria completamente o sentido do trecho: em vez de punir os culpados, estar-se-ia premiando-os. A assertiva contradiz o texto ao propor uma troca que altera radicalmente o significado. O erro é do tipo troca de termo — a banca oferece um par antônimo como se fosse sinônimo.

Conclusão: a assertiva I está correta; as assertivas II e III estão incorretas. Como a banca pediu as incorretas, o gabarito é a letra E (Apenas II e III). A regra de ouro: ao analisar o sentido de uma palavra, o contexto é soberano — e sinônimos e antônimos não podem ser trocados sem verificar o efeito no texto.

Gabarito: letra E

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