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Questão de Português — Denotação e Conotação — FUNDATEC 2024

PortuguêsDenotação e Conotação
Código
qa603411
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Cruz Alta
Ano
2024
Cargo
Ag ( )

Governo Federal e Banco Central irão monitorar endividamento dos brasileiros com apostas

 

Por Matheus Schuch

 

Preocupado com o que considera uma “pandemia” de apostas online, o Ministério da Fazenda está elaborando junto ao Banco Central (BC) um mecanismo para monitorar o endividamento das famílias brasileiras com as “bets” e outros tipos de jogos. A partir da regulamentação do setor, que entra em vigor integralmente no ano que vem, o governo quer ter dados precisos sobre o comprometimento da renda dos brasileiros com apostas. Além disso, também discute iniciativas na área da saúde.

 

A regulamentação impõe uma série de regras às empresas, e um dos objetivos é evitar estímulos que gerem dependência psicológica. Além de proibir o uso de cartão de crédito e outros mecanismos para jogar “fiado”, o governo obrigará as empresas a monitorarem excesso de gastos e de tempo de tela.

 

A falta de regras para o setor é apontada pela Fazenda como um dos principais motivos para o mau uso dos jogos. Uma lei aprovada em 2018 permitiu a operação das bets, mas até o ano passado não havia qualquer regulamentação.

 

— O Banco Central está criando trilhas onde você consegue, por meio de acompanhamento e pesquisa com as pessoas, identificar se a porta de saída deste dinheiro tem sido, por exemplo, as apostas. Com isso, teremos clareza muito maior e mais confiável se o endividamento tem relação com as apostas e se isso está vazando para outros setores econômicos — explica o titular da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, Regis Dudena.

 

O secretário diz que levantamentos feitos recentemente por bancos e outras instituições sobre o comprometimento da renda dos brasileiros com os jogos foram analisados na Fazenda e mostram, de fato, casos graves de dependência. Os estudos geraram um alerta no governo. Dudena pondera, contudo, que justamente por ainda não ser um mercado 100% regulado, os números precisam ser vistos com ressalvas.

 

A partir de 1º de janeiro de 2025, somente empresas autorizadas poderão funcionar no país. Até agora, o governo recebeu 120 pedidos de cadastro. Além de uma outorga de R$ 30 milhões, cada empresa precisa apresentar em torno de cem documentos para avaliação e assina compromisso com as regras definidas em lei.

 

A Fazenda estima arrecadar R$ 3,4 bilhões em 2024 com a regularização das bets. A intenção é utilizar parte do acréscimo da receita no financiamento de políticas públicas que desestimulem o vício em jogos. O Ministério da Saúde está envolvido em discussões para promoção de campanhas informativas sobre os riscos da dependência, além da preparação de profissionais da saúde para lidarem com a situação.

 

Para Dudena, o descontrole está ligado à demora para regulamentação. Isso deu margem para a proliferação de empresas mal-intencionadas, que misturam apostas com fraudes. O modelo aplicado no Brasil se baseia em experiências de países que já criaram regras há muitos anos.

 

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/matheus-schuch/noticia/2024/09/governo-federal-e-banco-central-irao-monitorar-endividamento-dos-brasileiros-com-apostas-cm1av7g8a00yo0133fly0xdud.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o significado do termo “pandemia”, localizado no 1º parágrafo, infere-se predominantemente que a realização de apostas online é vista pelo Ministério da Fazenda como:
  1. AUma atividade moderada e sob controle.
  2. BUm problema disseminado e de grandes proporções.
  3. CUm comportamento esporádico.
  4. DUma tendência passageira, sem relevância na sociedade.
  5. EUma prática restrita a grupos específicos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Um problema disseminado e de grandes proporções.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sentido conotativo de “pandemia” — Gabarito: letra B.

Gabarito: letra B. A realização de apostas online é vista pelo Ministério da Fazenda como um problema disseminado e de grandes proporções, pois o termo “pandemia” é empregado em sentido conotativo (figurado), comparando a disseminação das apostas a uma epidemia de alcance generalizado. Essa leitura é autorizada pelo próprio 1º parágrafo, que abre o texto com a expressão entre aspas e a associa à preocupação do governo com o endividamento das famílias.

O comando: inferência a partir do sentido conotativo

A questão pede que se infira o que o Ministério da Fazenda pensa sobre as apostas online, considerando o significado do termo “pandemia”. O verbo “infere-se” indica que a resposta não está literalmente escrita, mas é uma dedução ancorada em pistas do texto. A pista central é o uso da palavra “pandemia” entre aspas, que sinaliza sentido figurado: não se trata de uma doença real, mas de uma comparação entre a propagação das apostas e a de uma epidemia — algo que se espalha amplamente e causa danos em larga escala.

O texto: a tese da preocupação governamental

O texto inteiro sustenta essa leitura. No 1º parágrafo, lê-se:

“Preocupado com o que considera uma ‘pandemia’ de apostas online, o Ministério da Fazenda está elaborando junto ao Banco Central (BC) um mecanismo para monitorar o endividamento das famílias brasileiras com as ‘bets’ e outros tipos de jogos.”

A palavra “pandemia” está entre aspas, o que já indica que o autor a emprega em sentido conotativo — não é uma pandemia médica, mas uma metáfora para a disseminação descontrolada das apostas. O restante do texto confirma a gravidade: o governo quer “dados precisos sobre o comprometimento da renda”, a regulamentação busca “evitar estímulos que gerem dependência psicológica”, e o secretário menciona “casos graves de dependência”. Tudo isso aponta para um problema de grandes proporções, não para algo moderado, esporádico ou passageiro.

A técnica: denotação × conotação

A questão cobra exatamente a distinção entre denotação (sentido literal, dicionarizado) e conotação (sentido figurado, dependente do contexto). No caso, “pandemia” é usada conotativamente: o contexto frásico — a preocupação do governo com o endividamento das famílias — é que dá à palavra o sentido de alastramento nocivo e generalizado. A banca explora essa leitura figurada para testar se o candidato compreende que o termo não designa uma doença, mas uma situação grave e disseminada.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

“Uma atividade moderada e sob controle.” Contradiz o texto. A palavra “pandemia” e a preocupação do governo indicam exatamente o oposto: uma situação fora de controle, que motiva a criação de mecanismos de monitoramento. O texto fala em “casos graves de dependência” e na necessidade de regulamentação urgente — nada de moderação ou controle.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Um problema disseminado e de grandes proporções.” Paráfrase fiel do sentido conotativo de “pandemia”. A palavra, empregada entre aspas, compara as apostas a uma epidemia que se espalha amplamente. O texto reforça: o governo quer “dados precisos sobre o comprometimento da renda dos brasileiros com apostas” e a regulamentação busca “evitar estímulos que gerem dependência psicológica”. A disseminação e a gravidade são exatamente o que a metáfora da pandemia comunica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Um comportamento esporádico.” Contradiz o texto. “Esporádico” significa raro, ocasional — o oposto de uma pandemia, que é justamente algo generalizado e contínuo. O texto descreve um problema que afeta as famílias brasileiras de forma ampla, não um comportamento isolado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“Uma tendência passageira, sem relevância na sociedade.” Contradiz o texto. A preocupação do Ministério da Fazenda, a criação de mecanismos de monitoramento e a estimativa de arrecadar R$ 3,4 bilhões demonstram que o fenômeno é relevante e duradouro, não passageiro. A palavra “pandemia” sugere exatamente o contrário: algo que se instala e se espalha.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“Uma prática restrita a grupos específicos.” Contradiz o texto. “Pandemia” implica alcance amplo e generalizado, não restrição a grupos. O texto fala em “endividamento das famílias brasileiras” e em “comprometimento da renda dos brasileiros”, indicando que o problema atinge a população em geral.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o sentido denotativo de “pandemia” (doença que se espalha) e o conotativo (metáfora para algo que se alastra). As alternativas C, D e E tentam fazer o candidato acreditar que o termo indica algo pequeno ou passageiro, quando o contexto aponta para o oposto.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver uma palavra entre aspas, desconfie: quase sempre há sentido figurado. Pergunte-se: “o que o autor quer comparar com isso?”. No caso, “pandemia” compara as apostas a uma epidemia — algo disseminado e grave.

Gabarito: letra B. A única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a que traduz o sentido conotativo de “pandemia” como problema disseminado e de grandes proporções — nem mais, nem menos do que o texto autoriza.

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