Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FUNDATEC 2024
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa603473
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Cruz Alta
Ano
2024
Cargo
Prof ( )
Leia os trechos de dois poemas a seguir, cujos títulos são igualmente “Canção do Exílio”, e assinale a alternativa que indica o nome do processo que explica a correlação entre eles:
“Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores”.
(Gonçalves Dias)
Minha terra tem macieiras da Califórnia
onde cantam gaturamos de Veneza.
Os poetas da minha terra
são pretos que vivem em torres de ametista,
os sargentos do exército são monistas, cubistas, os filósofos são polacos vendendo a prestações”.
(Murilo Mendes)
AIntertextualidade.
BCópia.
CMetáfora.
DAnálise comparativa.
ECatacrese.
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GabaritoA — Intertextualidade.
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Intertextualidade entre os dois poemas — Gabarito: letra A.
A relação entre os dois poemas é de intertextualidade, pois o poema de Murilo Mendes retoma e transforma o poema de Gonçalves Dias, criando um diálogo explícito entre os textos. O gabarito é a letra A, e a resposta se confirma pela presença de elementos estruturais e temáticos comuns, como o verso inicial "Minha terra tem...", que é claramente uma referência ao poema romântico.
Desenvolvimento
O comando
A questão pede que você identifique o processo que explica a correlação entre os dois poemas. Não se trata de interpretar o sentido de cada poema isoladamente, mas de reconhecer como um texto se relaciona com o outro. O verbo "indica" aponta para uma tarefa de classificação conceitual: você deve nomear o fenômeno linguístico-literário que descreve essa relação.
O texto
O poema de Gonçalves Dias é um clássico do Romantismo brasileiro, exaltando a pátria com elementos como palmeiras, sabiá e céu estrelado. O poema de Murilo Mendes, do Modernismo, reescreve esse mesmo poema, mas com elementos inusitados e críticos: macieiras da Califórnia, gaturamos de Veneza, poetas pretos em torres de ametista. A correlação entre eles não é de coincidência: Murilo Mendes dialoga deliberadamente com o texto de Gonçalves Dias, subvertendo-o.
A técnica que decide
O conceito que nomeia esse diálogo entre textos é a intertextualidade. Ela ocorre quando um texto faz referência a outro, seja para homenagear, criticar, parodiar ou atualizar. No caso, Murilo Mendes parodia o poema romântico, mantendo a estrutura sintática ("Minha terra tem...") mas alterando o conteúdo, criando um efeito irônico e crítico. A intertextualidade é um recurso consciente e intencional, diferente de cópia (que é a reprodução literal sem transformação) e de figuras de linguagem como metáfora e catacrese, que operam no nível da palavra ou da frase, não no nível do texto inteiro.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre intertextualidade e figuras de linguagem. Metáfora e catacrese são figuras que atuam em uma expressão isolada; a intertextualidade atua na relação entre textos completos. Além disso, "cópia" sugere plágio, mas aqui há transformação deliberada.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar intertextualidade, procure por marcas explícitas de retomada: repetição de versos, estrutura sintática semelhante, temas comuns. Se o texto reescreve outro, é intertextualidade.
Análise das alternativas
Intertextualidade: Diálogo entre textos (Retomada, Transformação); Marcas explícitas (Repetição de versos, Estrutura sintática, Temas comuns); Efeitos (Homenagem, Crítica, Paródia, Atualização); Distinções (Cópia (reprodução literal), Metáfora (nível da palavra), Catacrese (nível da palavra))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A intertextualidade é o processo que explica a correlação entre os dois poemas. O poema de Murilo Mendes retoma o de Gonçalves Dias, como se vê no verso inicial:
"Minha terra tem macieiras da Califórnia"
que ecoa diretamente o "Minha terra tem palmeiras" do poema original. Essa retomada, com alterações, caracteriza a intertextualidade, que é um diálogo entre textos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Cópia implica reprodução literal, sem transformação. O poema de Murilo Mendes não copia o de Gonçalves Dias; ele o reescreve com novos elementos. A cópia seria plágio, o que não ocorre aqui. A alternativa extrapola o conceito de intertextualidade, confundindo-a com reprodução idêntica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Metáfora é uma figura de linguagem que estabelece uma comparação implícita entre dois termos. No poema, há metáforas (como "torres de ametista"), mas a correlação entre os dois poemas não é uma metáfora. A alternativa tangencia o tema, focando em um recurso interno do texto, não na relação entre eles.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Análise comparativa é um método de estudo, não um processo textual. A questão pede o nome do processo que explica a correlação, e não uma técnica de análise. A alternativa foge ao escopo, pois se refere a uma abordagem crítica, não a um fenômeno do texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Catacrese é uma figura de linguagem que ocorre quando um termo é usado em sentido figurado por falta de termo próprio (ex.: "pé da mesa"). Não há catacrese na relação entre os poemas. A alternativa troca o conceito, confundindo uma figura de palavra com um fenômeno intertextual.
Conclusão
A questão exige reconhecer que o poema de Murilo Mendes dialoga com o de Gonçalves Dias, caracterizando intertextualidade. As demais alternativas ou se referem a figuras de linguagem internas, ou a conceitos que não descrevem a relação entre os textos. Gabarito: letra A.