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Questão de Português — Uso do Hífen — FUNDATEC 2024

PortuguêsUso do Hífen
Código
qa604382
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Bagé
Ano
2024
Cargo
Eng ( )

Não dá para saber

Por Tríssia Ordovás Sartori

 

A menina passa por mim na Rua Borges de Medeiros toda vestida de preto, com cabelos esvoaçantes na cor lilás e coturnos adornados por asas de morcego, que se abrem e se fecham a cada passo — cada pé carrega um pedaço delas. Fiquei fascinada pelo movimento da parte do bicho feita em couro e pelo jeito blasé dela. E nem gosto de gente blasé.

 

Comecei a imaginar se ela estava nem aí para a opinião alheia, ao escolher um acessório tão inusitado, ou se fazia questão de provocar alguma comoção, já que era pouco provável não notá-la. Saber o que se passa exigiria uma aproximação e um interesse mútuo de troca. E a questão instigante, de verdade, é que não dá para saber. Ao menos não só de olhar para ela.

 

Não dá para saber se aquela mensagem de WhatsApp lida ás pressas entre uma reunião e outra tinha o tom grave do interlocutor ao escrevê-la como pareceu. Se a mensagem era piada interna ou só uma distração. Ou se a abreviação de beijo como bjs era motivo suficiente para provocar .... ou se tratava apenas de um coloquialismo.

 

Não dá para saber como teriam sido os próximos dias com gente querida que nos deixou precocemente e só aparece nos sonhos. Como vai ser daqui para frente comemorar aniversário, Dia das Mães, natais em outra configuração, com o lugar a mesa sem ser preenchido.

 

Não dá para saber no que as pessoas se transformam depois que nosso vínculo com elas muda, antes da partilha de bens, depois da mudança. Assim como não dá para saber como vai ser a nova vida, o período de luto de uma história que se encerra, as possibilidades que surgem com a tomada de decisão. Com o despertar para si, com o conhecimento dos próprios desejos e limitações.

 

Não dá para saber se Schopenhauer tem alguma razão ao falar que querer é essencialmente sofrer, que o prazer da realização dura pouco e que estamos divididos entre o desejo de ter e o tédio de possuir. Não dá para saber se minha opinião é distorcida, já que considero o filósofo pessimista demais para o meu gosto.

 

Não dá para saber se o curso com a escritora favorita tem potencial de desencadear textos poéticos ou apenas satisfazer a expectativa. Não dá para saber se a pedra empurrada morro acima, repetidamente, vai um dia virar poesia como virou com Drummond. Ou vai ser prosa.

 

Também não dá para saber se todas essas suposições fazem sentido para os outros. Se o pingente do Pequeno Príncipe ressoa nos outros como em mim. Se o clichê literário do “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” encontra eco em outros corações, se as relações verdadeiras nunca são perda de tempo.

 

Não dá para saber por que a lei do retorno insiste em não retornar de forma rápida, nem dá para saber se ela existe, de fato. Se a maldade está na língua e falar dos outros é um sinal de descontentamento com a própria vida.

 

Não dá para saber o que as pessoas mais ousadas pensam sobre a opinião alheia: não se importam ou se importam muito? Não dá para saber – e essa dúvida é muito instigante.

 

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/trissia-ordovas-sartori/noticia/2024/04/nao-dapara-

saber-clvh6t0tu00dn01g38dqc2p98.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Analise as assertivas a seguir a respeito da lacuna pontilhada no parágrafo 3:

 

I. O espaço deve ser preenchido pela palavra “mal-estar”, assim grafada, com hífen.

 

II. O seu antônimo, a expressão “bem estar”, deve ser grafada sem hífen e com as duas palavras separadas por espaço.

 

III. Outro exemplo de palavra formada pelo emprego do prefixo “mal” e que deve ser grafada com hífen é mal-visto.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas I e II.
  4. DApenas I e III.
  5. EI, II e III.
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GabaritoA — Apenas I.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso do hífen com o prefixo "mal" — Gabarito: letra A.

Gabarito: letra A (Apenas I). A assertiva I está correta porque a palavra "mal-estar" é grafada com hífen, conforme a regra que determina o uso do hífen quando o prefixo "mal" é seguido de palavra iniciada por vogal, h ou l. A assertiva II está incorreta, pois o antônimo "bem-estar" também é grafado com hífen, e não sem ele. A assertiva III está incorreta, pois a palavra "malvisto" é grafada sem hífen, uma vez que o segundo elemento começa com consoante diferente de "h" e "l". A resposta é Apenas I, como se vê na letra A.

A questão cobra um ponto específico da ortografia: o emprego do hífen com o prefixo "mal". O comando pede que se analisem três assertivas sobre a grafia de palavras formadas com esse prefixo, todas relacionadas à lacuna pontilhada no parágrafo 3 do texto, que é preenchida pela palavra "mal-estar". Para resolver, é preciso dominar a regra do hífen com o prefixo "mal" e aplicá-la a cada caso apresentado.

A regra que decide a questão é clara e objetiva: emprega-se o hífen com o prefixo "mal" quando a palavra seguinte começa por vogal, h ou l. Exemplos: mal-estar, mal-humorado, mal-limpo. Quando a palavra seguinte começa por qualquer outra consoante, não se usa hífen: malcriado, malvisto, malsucedido. Essa é a regra que a banca explora, e é nela que devemos ancorar a análise de cada assertiva.

A pegadinha central está na assertiva II, que inverte a regra do antônimo: se "mal-estar" tem hífen, seu antônimo "bem-estar" também tem, pois a regra do prefixo "bem" é ainda mais ampla — usa-se hífen diante de vogal e de várias consoantes (b, c, d, f, h, m, n, p, q, s, t, v). Portanto, "bem-estar" é com hífen, e a assertiva II erra ao afirmar o contrário.

A assertiva III também erra, pois "malvisto" é grafado sem hífen: o segundo elemento começa com "v", que não é vogal, h ou l. A forma correta é "malvisto", e não "mal-visto". A banca tenta confundir o candidato com a grafia de "mal-estar", que tem hífen, mas a regra é específica para as iniciais vogal, h e l.

PEGA ESSA DICA!

Decore a regra do prefixo "mal": hífen apenas antes de vogal, h ou l. Para o prefixo "bem", a regra é mais ampla: hífen antes de vogal e de várias consoantes (b, c, d, f, h, m, n, p, q, s, t, v). Assim, você resolve qualquer questão sobre esses prefixos.

Prefixo "mal"
  • 1Com hífen
    • Antes de vogal (mal-estar)
    • Antes de h (mal-humorado)
    • Antes de l (mal-limpo)
  • 2Sem hífen
    • Antes de outras consoantes (malvisto, malcriado)
  • 3Prefixo "bem"
    • Com hífen
      • Antes de vogal (bem-estar)
      • Antes de várias consoantes (bem-vindo)
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Assertiva I — ✅ Correta

A assertiva I afirma que o espaço deve ser preenchido pela palavra "mal-estar", assim grafada, com hífen. Isso está correto. No parágrafo 3, a lacuna aparece no trecho:

"Não dá para saber se aquela mensagem de WhatsApp lida ás pressas entre uma reunião e outra tinha o tom grave do interlocutor ao escrevê-la como pareceu. Se a mensagem era piada interna ou só uma distração. Ou se a abreviação de beijo como bjs era motivo suficiente para provocar .... ou se tratava apenas de um coloquialismo."

A lacuna é preenchida por "mal-estar", pois o contexto fala de um desconforto ou sensação ruim. A grafia correta é com hífen, pois "mal" é seguido de "estar", que começa com vogal "e". A regra: mal + vogal = hífen. Exemplos: mal-estar, mal-acostumado, mal-entendido.

Assertiva II — ❌ Incorreta

A assertiva II afirma que o antônimo de "mal-estar" é "bem estar", grafado sem hífen e com as duas palavras separadas por espaço. Isso está incorreto. O antônimo de "mal-estar" é "bem-estar", com hífen. A regra do prefixo "bem" é ainda mais ampla que a do "mal": usa-se hífen diante de vogal e de várias consoantes (b, c, d, f, h, m, n, p, q, s, t, v). Portanto, "bem-estar" é com hífen, e a assertiva erra ao afirmar que é sem hífen.

PEGA ESSA DICA!

Lembre-se: "bem-estar" é o oposto de "mal-estar", e ambos têm hífen. A banca adora cobrar essa simetria.

Assertiva III — ❌ Incorreta

A assertiva III afirma que "mal-visto" deve ser grafado com hífen. Isso está incorreto. A forma correta é "malvisto", sem hífen, pois o segundo elemento começa com "v", que não é vogal, h ou l. A regra: mal + consoante (exceto h e l) = sem hífen. Exemplos: malcriado, malvisto, malsucedido. A banca tenta confundir com a grafia de "mal-estar", mas a regra é específica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as regras do prefixo "mal" e "bem": muitos candidatos acham que "bem-estar" é sem hífen, mas a regra é simétrica. Além disso, a grafia "malvisto" (sem hífen) é contraintuitiva para quem generaliza a regra do "mal".

Conclusão: Apenas a assertiva I está correta. Portanto, a resposta é a letra A. Para acertar questões como essa, decore a regra do prefixo "mal": hífen apenas antes de vogal, h ou l. E lembre-se de que o antônimo "bem-estar" também tem hífen. Com isso, você elimina as alternativas B, C, D e E.

Gabarito: letra A

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