Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Instituto Consulplan 2024
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa604506
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
SEED PR
Ano
2024
Cargo
Prof ( )
Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
– não sei, não sei. Não sei se fico ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
– mais nada.
(MEIRELES, Cecília. Motivo. In: Poemas escolhidos. São Paulo: Global Editora, 2002.)
Texto para responder a questão.
O verso “Sei que canto. E a canção é tudo.” revela que o eu lírico:
ACanta para esquecer as dificuldades da vida.
BVê a poesia como algo essencial e absoluto em sua vida.
CEnxerga o canto como um passatempo sem importância.
DConsidera a poesia um reflexo de seus sentimentos pessoais.
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GabaritoB — Vê a poesia como algo essencial e absoluto em sua vida.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
O verso “Sei que canto. E a canção é tudo.” e a essência da poesia
Gabarito: letra B. O verso revela que o eu lírico vê a poesia como algo essencial e absoluto em sua vida — a prova está na palavra “tudo”, que atribui à canção um valor totalizante, e na sequência do poema, em que o canto é a única certeza do eu lírico. Como se lê no poema:
“Sei que canto. E a canção é tudo.”
O termo “tudo” não deixa margem: a canção não é um passatempo, nem um meio para outra coisa — ela é o absoluto para o eu lírico. As demais alternativas ou extrapolam o texto ou o contradizem.
O comando: o que a questão pede
O enunciado pergunta o que o verso revela — ou seja, pede uma interpretação (inferência ancorada no texto), não uma mera localização de informação explícita. A resposta não está dita literalmente (“a poesia é essencial”), mas é a única conclusão que o texto autoriza a partir das pistas: o uso de “tudo”, a contraposição com as incertezas anteriores (“não sei, não sei”) e a afirmação final “Sei que canto”.
O texto: tema e movimento argumentativo
O poema “Motivo”, de Cecília Meireles, é uma declaração poética sobre a própria poesia. O eu lírico afirma que canta porque o instante existe e sua vida está completa; diz que não é alegre nem triste, mas poeta; atravessa noites e dias no vento; e, diante das incertezas sobre desmoronar ou edificar, permanecer ou desfazer-se, conclui: “Sei que canto. E a canção é tudo.” Essa conclusão é o clímax do poema: depois de listar o que não sabe, o eu lírico afirma o que sabe — e o que sabe é o canto, a poesia, como valor absoluto.
A técnica que decide: inferência com pista, não extrapolação
A questão é de inferência: a resposta não está escrita palavra por palavra, mas é deduzida de pistas do próprio texto. A pista central é o advérbio “tudo”, que tem sentido de totalidade, de absoluto. Some-se a isso a estrutura do poema: o eu lírico diz “não sei, não sei” sobre tudo (se desmorona, se permanece, se fica ou passa), mas “Sei que canto” — o canto é a única certeza, o que dá sentido à existência. Essa contraposição entre a dúvida universal e a certeza do canto é o que autoriza a leitura de que a poesia é essencial e absoluta.
A armadilha clássica aqui é a extrapolação: alternativas que acrescentam motivações que o texto não menciona (como “esquecer as dificuldades”) ou que restringem o alcance do que está dito (como “passatempo sem importância”). O texto não diz que o eu lírico canta para algo; ele canta porque o instante existe e a vida está completa — e a canção é tudo. Qualquer alternativa que introduza uma finalidade externa ou diminua o valor do canto está fora do texto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a extrapolação com um fato plausível (cantar para esquecer dificuldades) que o texto não autoriza — o eu lírico não menciona dificuldade alguma; ao contrário, diz que a vida está completa.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de inferência, pergunte: “que pista no texto me obriga a concluir isso?”. Se a alternativa depende de informação de fora, é extrapolação — e extrapolação é erro.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Canta para esquecer as dificuldades da vida. O texto não menciona dificuldade alguma. O eu lírico diz: “Eu canto porque o instante existe / e a minha vida está completa.” A motivação do canto é a plenitude do instante, não a fuga de problemas. A alternativa extrapola: acrescenta uma finalidade (esquecer dificuldades) que não está no poema, nem é pressuposta por ele.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Vê a poesia como algo essencial e absoluto em sua vida. A prova está no verso citado: “Sei que canto. E a canção é tudo.” O pronome indefinido “tudo” expressa totalidade, absoluto. Além disso, o poema inteiro converge para essa ideia: o eu lírico afirma não saber se desmorona ou edifica, se permanece ou se desfaz, mas “Sei que canto” — o canto é a única certeza, o que dá sentido à existência. A alternativa é uma paráfrase fiel do sentido do verso: essencial (única certeza) e absoluto (tudo).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Enxerga o canto como um passatempo sem importância. Isso contradiz o texto. Se a canção é “tudo”, ela não pode ser um passatempo sem importância. A alternativa inverte o sentido do verso: troca o valor absoluto por um valor mínimo. O texto diz exatamente o oposto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Considera a poesia um reflexo de seus sentimentos pessoais. O texto não sustenta essa leitura. O eu lírico afirma: “Não sou alegre nem sou triste: / sou poeta.” Ele nega que o canto seja expressão de sentimentos (alegria ou tristeza); o canto é a própria essência do ser poeta, não um espelho de emoções. A alternativa extrapola ao introduzir a ideia de “reflexo de sentimentos”, que o poema explicitamente afasta.
Conclusão: a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a letra B. As demais ou extrapolam (A, D) ou contradizem (C) o que o poema afirma. A regra de ouro: a resposta mora no texto — se a alternativa exige acrescentar algo de fora, ela está errada.