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Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — Instituto Consulplan 2024

PortuguêsSignificação de Vocábulo e Expressões
Código
qa604508
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
SEED PR
Ano
2024
Cargo
Prof ( )

Motivo

 

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta.

 

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias no vento.

 

Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

– não sei, não sei. Não sei se fico ou passo.

 

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

– mais nada.

 

(MEIRELES, Cecília. Motivo. In: Poemas escolhidos. São Paulo: Global Editora, 2002.)

Texto para responder a questão.

   

Em “Atravesso noites e dias no vento”, o termo “no vento” indica:

  1. AO lugar onde o eu lírico se encontra.
  2. BO modo como o eu lírico atravessa o tempo.
  3. CA causa pela qual o eu lírico atravessa os dias.
  4. DO objetivo do eu lírico ao atravessar as noites.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — O modo como o eu lírico atravessa o tempo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O valor semântico de “no vento” no poema “Motivo”

Gabarito: letra B. Em “Atravesso noites e dias no vento”, a expressão “no vento” indica o modo como o eu lírico atravessa o tempo — e não o lugar físico. A prova está no contexto: o eu lírico não está descrevendo um espaço geográfico, mas uma atitude de passagem pela vida, como se vê nos versos que antecedem e sucedem o trecho.

O comando pede interpretação de sentido contextual: não se trata de classificar gramaticalmente o adjunto adverbial, mas de captar o efeito de sentido que “no vento” produz no poema. Em questões assim, a resposta nunca está no dicionário — está na relação entre os versos. O eu lírico afirma: “Atravesso noites e dias no vento”, logo após dizer que é “Irmão das coisas fugidias” e que “não sinto gozo nem tormento”. Essa sequência mostra que “vento” remete à fugacidade, à leveza, à ausência de resistência — ou seja, à maneira como ele percorre o tempo: à deriva, sem se prender, como algo levado pelo vento.

A técnica que decide é testar cada alternativa perguntando: o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora? A leitura literal de “no vento” como lugar (alternativa A) é a armadilha clássica: a palavra “vento” sugere um elemento da natureza, mas o poema não descreve o eu lírico dentro de um espaço ventoso — ele usa o vento como imagem do modo de viver. As alternativas C e D também falham porque inventam relações de causa e finalidade que o texto não estabelece: o eu lírico não diz por que atravessa nem para quê; ele apenas constata como atravessa.

“Irmão das coisas fugidias, / não sinto gozo nem tormento. / Atravesso noites e dias no vento.”

O trecho é decisivo: “coisas fugidias” (efêmeras, que passam rápido) e a negação de “gozo” e “tormento” (indiferença emocional) preparam o sentido de “no vento” como modo de passagem — algo que flui, que não se fixa. Se fosse lugar, o verso diria algo como “atravesso o vento”, e não “no vento”. A preposição “em” + substantivo, aqui, tem valor modal, não locativo.

1Contexto poético
"Irmão das coisas fugidias"
"não sinto gozo nem tormento"
2Sentido construído
Fugacidade
Leveza
Ausência de resistência
3Valor da expressão
Modal (modo de atravessar)
Locativo (lugar físico)
Valor semântico de "no vento"
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Valor semântico de "no vento": Contexto poético ("Irmão das coisas fugidias", "não sinto gozo nem tormento"); Sentido construído (Fugacidade, Leveza, Ausência de resistência); Valor da expressão (Modal (modo de atravessar), Locativo (lugar físico))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação (leitura literal). A alternativa lê “no vento” como lugar onde o eu lírico se encontra, mas o poema não descreve nenhum espaço físico. O eu lírico fala de tempo (“noites e dias”) e de uma atitude (“atravesso”), não de uma localização. O vento é imagem de modo, não cenário. A banca explora exatamente essa leitura superficial para induzir ao erro.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Sustentada pelo texto. O verso “Atravesso noites e dias no vento” indica como o eu lírico percorre o tempo: levado, à deriva, sem resistência, em sintonia com “Irmão das coisas fugidias” e com a indiferença a “gozo” e “tormento”. A preposição “em” + “vento” tem valor modal — expressa a maneira da travessia. É a única leitura que não acrescenta nada ao texto e que aproveita as pistas contextuais.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação (inventa causa). O texto não diz por que o eu lírico atravessa os dias. Não há conectivo causal (“porque”, “pois”) nem qualquer indicação de que o vento seja a causa da travessia. A alternativa acrescenta uma relação de causa que não está no poema — é pura suposição.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação (inventa finalidade). O texto não diz para quê o eu lírico atravessa as noites. Não há expressão de finalidade (“para”, “a fim de”). A alternativa inventa um objetivo que o eu lírico não declara — ele apenas constata o ato de atravessar, sem explicar a razão ou o propósito.

NÃO CAIA NESSA!

A banca arma com a leitura literal de “no vento” como lugar (alternativa A), quando o contexto poético exige interpretação de modo. Desconfie sempre de respostas que tratam a palavra pelo sentido de dicionário, ignorando o efeito no texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de “o termo indica”, pergunte-se: o texto descreve um espaço físico ou uma imagem de atitude? Se o contexto é poético e abstrato, a tendência é o valor modal ou figurado, não o locativo.

Gabarito: letra B — a única alternativa que não extrapola e que se ancora diretamente no sentido construído pelos versos.

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