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Questão de Português — Partícula "Se" — Avança SP 2024

PortuguêsPartícula "Se"
Código
qa604644
Banca
Avança SP
Órgão
CM Itapecerica Serra
Ano
2024
Cargo
Ass ( )

Sonda chinesa identifica mineral inédito na Lua

 

As crateras lunares são resultado da colisão entre a Lua e objetos celestiais, como asteroides e cometas. O impacto é rápido, envolvendo alta velocidade, pressão e temperatura. O fenômeno, além de alterar o relevo da superfície do satélite natural da Terra, também é responsável por mudanças na composição mineral do solo lunar, chamado de regolito. Por isso, uma das formas de estudar o passado da Lua consiste em analisar os minerais que compõem a sua superfície. Recentemente, a missão chinesa Chang’e-5 retornou para a Terra com 1,73 kg de regolito, fornecendo novos materiais para a investigação da história do nosso satélite natural.

 

Os pesquisadores identificaram um novo mineral lunar, o Changesite-(Y), bem como minerais do grupo dos silicatos em uma combinação considerada “desconcertante”. As amostras foram coletadas em uma região denominada Oceanus Procellarum. Tais descobertas foram descritas em artigo publicado na revista Matter  and Radiation  at Extremes na última terça-feira (6).

 

De acordo com as estimativas dos cientistas, a colisão de objetos celestiais que resultou nas amostras teve uma pressão máxima entre 11 e 40 GPa e uma duração de 0,1 a 1 segundo. A cratera gerada na Lua pode ter entre 3 e 32 km de largura.

 

O novo mineral Changesite-(Y) pertence ao grupo dos fosfatos e é caracterizado por colunas de cristais transparentes, sem cor. A combinação dos silicatos, por sua vez, inclui a seifertita e a estishovita – ambas quimicamente similares ao quartzo, mas com estruturas cristalinas distintas.

 

O fragmento que contém seifertita e estishovita surpreendeu os pesquisadores, uma vez que esses minerais, teoricamente, só coexistiriam em pressões muito mais elevadas do que as da amostra. “Embora a superfície da Lua esteja coberta por dezenas de milhares de crateras de impacto, minerais de alta pressão são incomuns em amostras lunares”, afirma a pesquisadora e autora do estudo Wei Du em nota. “Uma das possíveis explicações para isso é que a maioria dos minerais de alta pressão são instáveis em altas temperaturas.”

 

No caso da amostra coletada pela missão Chang’e-5, levantou-se a hipótese de que a presença de um terceiro polimorfo dos silicatos, a α-cristobalita, pode ter sido importante para viabilizar a combinação de seifertita e estishovita.

 

“A seifertita pode ter se formado a partir da α- cristobalita durante o processo de compressão, e uma parte da amostra se transformou em estishovita durante o subsequente processo de elevação de temperatura”, propõe Du.

 

Revista Galileu. Disponível em <https://revistagalileu.globo.com/ciencia/espaco/n oticia/2024/02/sonda-chinesa-identifica-mineralinedito- na-lua.ghtml>

No caso da amostra coletada pela missão Chang’e-5, levantou-se a hipótese de que a presença de um terceiro polimorfo dos silicatos, a α-cristobalita, pode ter sido importante para viabilizar a combinação de seifertita e estishovita.   Nesse contexto, o vocábulo “se” é empregado com a função de:
  1. Apartícula apassivadora.
  2. Bobjeto direto.
  3. Cpartícula expletiva.
  4. Dconjunção integrante.
  5. Eíndice de indeterminação do sujeito
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — partícula apassivadora.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função do "Se" em "levantou-se a hipótese"

Gabarito: letra A. No trecho "levantou-se a hipótese", o "se" é partícula apassivadora, pois transforma o verbo transitivo direto "levantar" em voz passiva sintética, equivalendo a "a hipótese foi levantada". A prova está na possibilidade de conversão para a voz passiva analítica, mantendo o sentido: o sujeito paciente "a hipótese" concorda com o verbo no singular.

"No caso da amostra coletada pela missão Chang’e-5, levantou-se a hipótese de que a presença de um terceiro polimorfo dos silicatos, a α-cristobalita, pode ter sido importante para viabilizar a combinação de seifertita e estishovita."

A passagem mostra que "levantar" é usado como verbo transitivo direto (quem levanta, levanta algo — aqui, "a hipótese"). Quando o "se" acompanha um VTD sem sujeito explícito, ele funciona como partícula apassivadora, e o termo que seria objeto direto na voz ativa passa a ser o sujeito paciente na voz passiva sintética. A reescrita "a hipótese foi levantada" confirma a classificação.

O Comando

A questão pede a função sintática do vocábulo "se" no contexto específico do texto. Isso exige analisar a transitividade do verbo "levantar" na frase: se for transitivo direto, o "se" será partícula apassivadora; se for transitivo indireto, intransitivo ou de ligação, será índice de indeterminação do sujeito. A distinção é crucial e aparece nas alternativas.

O Texto

O texto trata da descoberta de um mineral inédito na Lua pela missão Chang’e-5. No trecho destacado, os pesquisadores "levantaram a hipótese" de que a α-cristobalita teria viabilizado a combinação de seifertita e estishovita. A construção "levantou-se a hipótese" é uma voz passiva sintética: o verbo "levantar" é transitivo direto, e "a hipótese" é o sujeito paciente. A conversão para a voz passiva analítica — "a hipótese foi levantada" — mantém o sentido e comprova a função apassivadora do "se".

A Técnica

Para identificar a função do "se", siga estes passos:

  1. Identifique a transitividade do verbo na frase: "levantar" é VTD (quem levanta, levanta algo).

  2. Verifique se há objeto direto na voz ativa: "levantar a hipótese" — "a hipótese" é o objeto direto.

  3. Se o verbo for VTD e o "se" puder ser retirado com a conversão para a passiva analítica, então é partícula apassivadora.

  4. Se o verbo for VTI, VI ou VL, o "se" será índice de indeterminação do sujeito (ex.: "precisa-se de funcionários").

A pegadinha da banca está em oferecer o índice de indeterminação do sujeito (letra E) como distrator, pois ambos os "se" indeterminam o agente. A diferença está na transitividade: com VTD, é apassivadora; com VTI/VI/VL, é IIS.

Funções do "se"
  • 1Partícula apassivadora (PA)
    • Verbo transitivo direto
    • Sujeito paciente concorda com o verbo
    • Conversão: voz passiva analítica
  • 2Índice de indeterminação do sujeito (IIS)
    • Verbo transitivo indireto
    • Verbo intransitivo
    • Verbo de ligação
  • 3Outras funções
    • Objeto direto (reflexivo)
    • Partícula expletiva (realce)
    • Conjunção integrante (oração subordinada)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Partícula apassivadora. O verbo "levantar" é transitivo direto, e o "se" transforma a oração em voz passiva sintética. A reescrita "a hipótese foi levantada" comprova: o sujeito paciente "a hipótese" concorda com o verbo no singular. É exatamente o que ocorre em "construíram-se casas" (casas foram construídas).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Objeto direto. O "se" seria objeto direto se fosse pronome reflexivo (ex.: "ele se feriu"), mas aqui não há ação reflexiva. O verbo "levantar" não é pronominal, e o "se" não exerce função de complemento verbal. A função é de partícula apassivadora, não de objeto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Partícula expletiva. A partícula expletiva é um realce que pode ser retirada sem alterar o sentido (ex.: "vão-se os anéis"). No trecho, retirar o "se" mudaria a voz verbal: "levantou a hipótese" teria sujeito indeterminado, mas não seria passiva. O "se" é essencial para a voz passiva sintética, não é dispensável.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Conjunção integrante. A conjunção integrante introduz uma oração subordinada substantiva (ex.: "não sei se ele virá"). No trecho, o "se" está junto ao verbo "levantou", não introduzindo oração. Não há oração subordinada iniciada por ele.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Índice de indeterminação do sujeito. O IIS ocorre com verbos transitivos indiretos, intransitivos ou de ligação (ex.: "precisa-se de funcionários"). Aqui, "levantar" é transitivo direto, o que caracteriza a partícula apassivadora. A confusão é comum, mas a transitividade decide.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre partícula apassivadora e índice de indeterminação do sujeito. A diferença está na transitividade: VTD → PA; VTI/VI/VL → IIS.

PEGA ESSA DICA!

Sempre teste a conversão para a voz passiva analítica: se der certo, é partícula apassivadora. Ex.: "levantou-se a hipótese" → "a hipótese foi levantada".

Gabarito: letra A.

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