Gravar: quando o ator é de televisão. Filmar: quando ele quer deixar claro que não é de televisão.
Grávida: em qualquer ocasião. Gestante: em filas e assentos preferenciais.
Guardar: na gaveta. Salvar: no computador. Salvaguardar: no Exército.
Menta: no sorvete, na bala ou no xarope. Hortelã: na horta ou no suco de abacaxi.
Peça: quando você vai assistir. Espetáculo: quando você está em cartaz com ele.
DUVIVIER, G. Nuances (adaptado). Folha de São Paulo, 2014.
Leia o texto a seguir para responder à questão. A partir das reflexões apresentadas no texto Nuances, pode-se concluir que:
Anão existem palavras sinônimas.
Bo par de palavras “peça” e “espetáculo” são, na verdade, antônimos.
Ca escolha das palavras não tem relação com o contexto de comunicação.
Dmesmo palavras sinônimas podem ser mais ou menos adequadas ao contexto de comunicação.
Eas palavras não são capazes de expressar o ponto de vista do falante.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — mesmo palavras sinônimas podem ser mais ou menos adequadas ao contexto de comunicação.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Sinonímia e Adequação ao Contexto
Gabarito: letra D. O texto Nuances, de Gregório Duvivier, mostra que mesmo palavras sinônimas podem ser mais ou menos adequadas ao contexto de comunicação. A tese central é que a escolha vocabular depende da situação: "Euforia: alegria barulhenta. Felicidade: alegria silenciosa" — ambas são formas de alegria, mas cada uma cabe num contexto específico. A alternativa D é a única que sintetiza essa ideia, como se lê nos pares do texto.
O comando pede uma conclusão a partir das reflexões do texto — ou seja, uma inferência ancorada nas pistas deixadas pelo autor. Não se trata de localizar uma informação explícita, mas de captar a tese que atravessa todos os exemplos. O texto é uma lista de pares de palavras que, embora próximas no sentido, são usadas em situações diferentes: "Gravar: quando o ator é de televisão. Filmar: quando ele quer deixar claro que não é de televisão". A ironia do autor reforça que a escolha da palavra revela intenção e contexto.
A técnica que decide esta questão é simples: teste cada alternativa perguntando se o texto a autoriza. O texto não diz que não existem sinônimos (A), nem que "peça" e "espetáculo" são antônimos (B), nem que a escolha das palavras é irrelevante (C), nem que as palavras não expressam ponto de vista (E). A única conclusão que o texto sustenta é que a adequação ao contexto é o critério decisivo — exatamente o que afirma a letra D.
Esse par é a chave: euforia e felicidade são sinônimos aproximados de "alegria", mas o autor os distingue pelo contexto (barulhenta × silenciosa). O mesmo ocorre com "Menta: no sorvete, na bala ou no xarope. Hortelã: na horta ou no suco de abacaxi" — a mesma planta, mas a palavra muda conforme o uso. A conclusão D é a paráfrase fiel dessa ideia.
Sinonímia e contexto: Tese do texto (Sinônimos têm nuances, Palavra adequada ao contexto); Pares do texto (Euforia × Felicidade, Gravar × Filmar, Menta × Hortelã, Grávida × Gestante); Erros das alternativas (Generalização indevida (A), Confunde uso com antonímia (B), Inverte a tese (C e E))
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: generalização indevida. O texto não afirma que não existem sinônimos; pelo contrário, ele parte do pressuposto de que os pares apresentados são sinônimos ou quase sinônimos (euforia/felicidade, gravar/filmar, menta/hortelã). A alternativa extrapola ao negar a existência de sinonímia, algo que o texto jamais diz. O autor apenas mostra que sinônimos têm nuances de uso, não que eles não existam.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. "Peça" e "espetáculo" são apresentados como palavras que se usam em contextos diferentes (assistir × estar em cartaz), mas isso não os torna antônimos — palavras de sentido oposto. A alternativa troca o conceito: confunde "palavras com usos distintos" com "palavras de significados opostos". O texto não oferece nenhuma pista de oposição semântica entre os dois termos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. Toda a estrutura do texto é construída sobre a ideia de que a escolha das palavras tem tudo a ver com o contexto de comunicação. Cada par mostra uma palavra adequada a uma situação e outra adequada a outra. A alternativa C inverte a tese central do autor, afirmando o oposto do que o texto demonstra.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta: paráfrase fiel da tese. O texto inteiro é uma demonstração de que palavras sinônimas (ou quase sinônimas) são escolhidas conforme o contexto: "Grávida: em qualquer ocasião. Gestante: em filas e assentos preferenciais". A palavra "gestante" é mais adequada em contextos formais/legais, enquanto "grávida" serve para o uso geral. A alternativa D captura exatamente essa ideia: mesmo sinônimos podem ser mais ou menos adequados ao contexto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. O texto mostra justamente o contrário: a escolha da palavra revela o ponto de vista do falante. Quando o autor diz "Filmar: quando ele quer deixar claro que não é de televisão", ele mostra que a palavra escolhida expressa uma atitude do falante (querer se distinguir). A alternativa E inverte essa lógica ao afirmar que as palavras não expressam ponto de vista.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a generalização indevida (A) e a inversão de sentido (C e E). A letra B confunde "contexto de uso" com "antonímia". A correta (D) é a única que não acrescenta nem contradiz nada — apenas parafraseia a tese.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de "conclui-se", procure a tese do texto, não um detalhe. A tese costuma estar na introdução ou na conclusão — aqui, está na estrutura repetitiva dos pares: cada um mostra uma palavra para cada contexto.