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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Avança SP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa604979
Banca
Avança SP
Órgão
CM Americana
Ano
2024
Cargo
Aux Man ( )

O menino e o passarinho

 

Se essa história é difícil de acreditar é porque ela se passa na terra do Faz de Conta, onde passarinho fala. Foi o que o menino descobriu, quando ouviu o passarinho dizer — por nenhuma razão, só para implicar com ele:

 

— Passarinho é melhor do que gente.

 

Depois de se recuperar do susto, o menino perguntou:

 

— Como assim?

 

— Para começar — disse o passarinho — nós somos mais bonitos. Olhe essa plumagem. Olhe essa combinação de cores em dégradé.

 

— Nós também somos bonitos — disse o menino.

 

— São nada.

 

— Olhe essa camisa cor de abóbora. Essas calças roxas...

 

— Que sua mãe comprou para você. A minha beleza nasceu comigo. Eu sou bonito de graça!

 

Enquanto o menino pensava numa resposta, o passarinho continuou:

 

— Vocês sabem voar? Nós sabemos.

 

— Nós também sabemos.

 

— Sabem nada.

 

— Temos aviões que nos levam para qualquer lugar. Atravessamos oceanos. Chegamos mais alto do que qualquer passarinho chegou. Já chegamos à Lua!

 

— Para voar em avião precisa comprar passagem. Entrar na fila do check-in. Despachar a bagagem, que pode se extraviar. E para ir mais longe do que qualquer passarinho já foi, precisam de foguetes e programas espaciais caros. Nós, para voar, só precisamos abrir as asas.

 

— Sim, certo, mas...

 

— Você já viu alguma coisa mais linda do que uma revoada de pássaros ao anoitecer? Não existe espetáculo sequer parecido, na Terra.

 

O menino pensou num desfile de escola de samba, mas decidiu não dizer nada. O passarinho tinha claramente vencido a discussão.

 

Faltava só um golpe de misericórdia, para liquidar com o menino.

 

— E além de tudo, eu canto — disse o passarinho.

 

— Eu também — disse o menino.

 

— Canta nada. Ouça.

 

E o passarinho começou a assoviar. Uma única frase, várias vezes. E o menino pediu:

 

— Canta outra.

 

— Como, outra? Esse é o meu canto.

 

E o menino começou a assoviar todas as músicas que conhecia, de Jorge Ben Jor à Marselhesa. E o passarinho se afastou, lentamente, cabisbaixo, derrotado e pensando:

 

— É, preciso variar meu repertório…

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Ao longo da narrativa, as falas apresentadas por ambos os personagens:
  1. Acomparam pássaros e humanos em relação às suas habilidades.
  2. Bdiminuem o valor de outras espécies quando comparadas aos pássaros e aos humanos.
  3. Cengrandecem apenas os pássaros e diminuem outras espécies.
  4. Dengrandecem apenas os humanos e diminuem outras espécies.
  5. Eilustram a competição entre as espécies animais por sobrevivência.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — comparam pássaros e humanos em relação às suas habilidades.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Comparação entre pássaros e humanos: a essência do diálogo

Gabarito: letra A. As falas dos personagens comparam pássaros e humanos em relação às suas habilidades — beleza, voo e canto —, como se vê no embate: o passarinho afirma "nós somos mais bonitos", "Vocês sabem voar? Nós sabemos" e "eu canto"; o menino rebate com "Nós também somos bonitos", "Temos aviões" e "Eu também" (canto). A alternativa A é a única que parafraseia fielmente essa estrutura de comparação mútua, sem acrescentar ou suprimir informação.

O comando pede compreensão ("as falas apresentadas..."), ou seja, a resposta está explícita no texto, bastando reconhecer a paráfrase. Não se trata de inferir nada além do que está dito: o diálogo inteiro é uma disputa em que cada personagem compara suas próprias capacidades com as do outro para provar superioridade. A tese do texto é justamente essa — a comparação de habilidades —, e não uma avaliação sobre outras espécies ou uma luta por sobrevivência.

A técnica decisiva: teste cada alternativa perguntando "o texto autoriza isto?". A correta (A) é uma reescritura do que ocorre do início ao fim. As demais ou extrapolam (falam de "outras espécies" que não aparecem), ou restringem (dizem "apenas" um lado), ou tangenciam (competição por sobrevivência, tema alheio ao texto).

"— Para começar — disse o passarinho — nós somos mais bonitos." "— Nós também somos bonitos — disse o menino." "— Vocês sabem voar? Nós sabemos." "— Nós também sabemos." "— E além de tudo, eu canto — disse o passarinho." "— Eu também — disse o menino."

Esses trechos provam que ambos os personagens comparam suas habilidades (beleza, voo, canto) — o passarinho elogiando as suas, o menino defendendo as dos humanos. Não há menção a "outras espécies" além de pássaros e humanos, nem a "competição por sobrevivência".

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa parafraseia com precisão o eixo do diálogo: comparar pássaros e humanos em relação às suas habilidades. O texto é uma sucessão de comparações: beleza ("nós somos mais bonitos" × "Nós também somos bonitos"), voo ("Vocês sabem voar? Nós sabemos" × "Nós também sabemos") e canto ("eu canto" × "Eu também"). Cada fala contrapõe uma habilidade de um lado à do outro. Não há acréscimo nem restrição — é exatamente o que o texto faz.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa afirma que as falas "diminuem o valor de outras espécies quando comparadas aos pássaros e aos humanos". O texto não menciona nenhuma outra espécie — o diálogo é exclusivamente entre o menino (humano) e o passarinho. Não há comparação com cães, gatos, peixes ou qualquer outro ser. A ideia de "outras espécies" é inventada pelo candidato, um clássico caso de extrapolação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: restrição indevida. Dizer que as falas "engrandecem apenas os pássaros" contradiz o texto, pois o menino também engrandece os humanos: "Nós também somos bonitos", "Temos aviões que nos levam para qualquer lugar", "Eu também" (canto). O advérbio "apenas" restringe o alcance do que o texto mostra — ambos os lados se engrandecem. Além disso, repete o erro de "outras espécies", que não aparecem.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: restrição indevida + contradição. A alternativa inverte o polo: diz que as falas "engrandecem apenas os humanos". O texto mostra o contrário — o passarinho também se engrandece: "nós somos mais bonitos", "Eu sou bonito de graça!", "Nós, para voar, só precisamos abrir as asas", "eu canto". O "apenas" torna a afirmação falsa, pois ambos se engrandecem. E, de novo, "outras espécies" é extrapolação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: fuga ao tema (tangência). A alternativa fala em "competição entre as espécies animais por sobrevivência". O texto não aborda sobrevivência, luta pela vida ou disputa ecológica — é uma discussão lúdica sobre qual é melhor, com tom de brincadeira ("terra do Faz de Conta"). O desfecho é cômico: o passarinho sai "cabisbaixo, derrotado" por não ter repertório. Não há nenhuma pista de "sobrevivência"; a alternativa tangencia o tema ao introduzir um conceito biológico que não está no texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tendência de generalizar a partir de um detalhe ("diminuem outras espécies") sem verificar se o texto sustenta essa ideia. O texto só compara pássaros e humanos — nada além disso.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, desconfie de palavras absolutas como "apenas", "somente", "todas" — elas quase sempre restringem o que o texto diz. E desconfie de termos que não aparecem no texto ("outras espécies", "sobrevivência") — são sinais de extrapolação.

Conclusão: a resposta correta é a letra A, pois é a única que se limita a descrever o que o texto realmente faz: comparar as habilidades de pássaros e humanos. As demais ou acrescentam informação de fora (extrapolação), ou restringem com "apenas", ou fogem para um tema inexistente. Gabarito: letra A.

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