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Questão de Português — Advérbio — Avança SP 2024

PortuguêsAdvérbio
Código
qa605033
Banca
Avança SP
Órgão
CM Americana
Ano
2024
Cargo
Moto ( )

Pipocas, não

 

Marina nunca gostou de futebol, mas se empolgou pela Copa. Se empolgou, principalmente, pelo Forlán. Passou a acompanhar todos os jogos da Copa, e não apenas os do Uruguai. Mas ela e o grupo de amigas que reunia em casa gostavam mesmo era de ver o Forlán.

 

O marido da Marina, Zé Henrique, não se importava com seu novo interesse pelo futebol. Mas aquela invasão da sua casa por mulheres, justamente na hora dos jogos, quando ele gostava de se espichar no sofá com uma cerveja, e fazer pipoca no intervalo, e ver os jogos sozinho, ou com a mulher ao seu lado apenas dando palpites para fingir que se interessava (“Que brutalidade!”) — aquilo era demais.

 

Ficava ele no meio das mulheres, sentado num canto, banido do seu próprio sofá. E tendo que responder a perguntas. O que era impedimento, mesmo? Se o goleiro era o único que podia tocar a bola com as mãos, como é que outros usavam as mãos para bater lateral? Por que se dizia “bater lateral” quando o que faziam era atirar a bola? E o Forlán, era casado?

 

Um dia, com sete mulheres na sala, ele mal conseguindo enxergar a televisão, houve um lance que indignou a todas. Marina virou-se para o marido e exigiu uma explicação.

 

— Bola no travessão não vale nem um ponto?

 

— Não, Marina. Bola no travessão não vale nada.

 

— Mas devia. Devia!

 

— Marina, não fui eu que fiz as regras.

 

— Você também, Zé Henrique!

 

Todas as mulheres da sala olharam para ele com reprovação. Como se uma bola no travessão do Forlán não valer nada fosse uma demonstração revoltante de insensibilidade masculina. Ele precisou se defender.

 

— A culpa não é minha!

 

Antes, no intervalo do jogo, Marina tinha dito:

 

— Zé Henrique, faz umas pipocas pra gente.

 

E, para as amigas:

 

— O Zé Henrique faz pipoca muito bem.

 

— Não — disse o Zé Henrique.

 

— O quê?

 

— Pipoca, não.

 

— Zé Henrique!

 

Seu mundo tinha sido invadido. Ele não podia deter a invasão. Mas não ia alimentar as invasoras. Que pensassem o que quisessem dele, que o chamassem de grosseiro, de ciumento, de ressentido. Mas pipocas, decididamente, não.

 

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Considere o excerto: “Marina nunca gostou de futebol, mas se empolgou pela Copa.” Nesse contexto, o advérbio “nunca” exprime sentido relacionado a:
  1. Atempo.
  2. Bintensidade.
  3. Cmodo.
  4. Dlugar.
  5. Edúvida.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — tempo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Advérbio "nunca": sentido de tempo

Gabarito: letra A. No excerto "Marina nunca gostou de futebol, mas se empolgou pela Copa", o advérbio "nunca" exprime sentido de tempo, pois indica que, em nenhum momento do passado, Marina gostou de futebol. A classificação se confirma pela própria definição de advérbio de tempo: a palavra "nunca" é listada entre os advérbios de tempo, ao lado de "jamais", "sempre", "ontem", "hoje", entre outros.

O comando da questão é direto: pede-se a circunstância que o advérbio "nunca" expressa no contexto. Não se trata de interpretação de texto, mas de classificação morfológica aplicada ao uso concreto. A banca quer que o candidato reconheça a função semântica do advérbio dentro da frase, e não que decore uma lista isolada.

No trecho, "nunca" modifica o verbo "gostou", acrescentando a circunstância de tempo: a ação de gostar de futebol não ocorreu em momento algum do passado. Essa é a função típica dos advérbios de tempo — indicar quando a ação acontece (ou deixa de acontecer). A ideia de negação, embora presente, é secundária; a classificação pedida é a de tempo, pois "nunca" responde à pergunta "quando?" (em nenhum momento).

A pegadinha da banca está em oferecer "intensidade" como distrator. Muitos candidatos confundem a força negativa de "nunca" com intensidade, mas intensidade se refere ao grau de uma ação ou qualidade (muito, pouco, bastante), não à negação temporal. As demais alternativas (modo, lugar, dúvida) são claramente inadequadas, pois "nunca" não indica como, onde ou incerteza.

PEGA ESSA DICA!

Para classificar um advérbio, pergunte qual circunstância ele acrescenta ao verbo: "quando?" (tempo), "como?" (modo), "onde?" (lugar), "quanto?" (intensidade). "Nunca" responde a "quando?" — logo, é advérbio de tempo.

1Classificação
Tempo (gabarito)
Negação (secundária)
2Pergunta-chave
"Quando?" → tempo
"Como?" → modo
"Onde?" → lugar
"Quanto?" → intensidade
3Distratores
Intensidade (força negativa ≠ grau)
Modo, lugar, dúvida (inadequados)
Advérbio "nunca"
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Advérbio "nunca": Classificação (Tempo (gabarito), Negação (secundária)); Pergunta-chave ("Quando?" → tempo, "Como?" → modo, "Onde?" → lugar, "Quanto?" → intensidade); Distratores (Intensidade (força negativa ≠ grau), Modo, lugar, dúvida (inadequados))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Nunca" é um advérbio de tempo. No contexto, indica que a ação de gostar de futebol não ocorreu em nenhum momento do passado. A classificação é confirmada pela gramática: "nunca" integra a lista de advérbios de tempo, junto com "jamais", "sempre", "ontem", "hoje", "agora", entre outros.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Intensidade" refere-se ao grau de uma ação ou qualidade (muito, pouco, bastante, demais). "Nunca" não intensifica nada; ele nega a ocorrência da ação no tempo. A força negativa da palavra pode sugerir intensidade a um leitor desatento, mas a circunstância expressa é de tempo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Modo" indica como a ação é realizada (bem, mal, rapidamente, calmamente). "Nunca" não responde a "como?", mas a "quando?". Não há qualquer relação com a maneira de gostar de futebol.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Lugar" indica onde a ação ocorre (aqui, lá, dentro, perto). "Nunca" não expressa localização espacial. A alternativa é facilmente descartável, pois não há relação entre negação temporal e espaço.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Dúvida" expressa incerteza (talvez, provavelmente, quiçá). "Nunca" é um advérbio de negação que, no contexto, assume valor temporal. Não há qualquer ideia de possibilidade ou incerteza na frase.

Gabarito: letra A. A questão exige reconhecer que "nunca" é um advérbio de tempo, pois indica o momento (ou a ausência de momento) em que a ação ocorreu. As demais alternativas confundem a circunstância temporal com outras categorias adverbiais.

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