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Questão de Português — Vocábulo "Que" — Avança SP 2024

PortuguêsVocábulo "Que"
Código
qa605034
Banca
Avança SP
Órgão
CM Americana
Ano
2024
Cargo
Moto ( )

Pipocas, não

 

Marina nunca gostou de futebol, mas se empolgou pela Copa. Se empolgou, principalmente, pelo Forlán. Passou a acompanhar todos os jogos da Copa, e não apenas os do Uruguai. Mas ela e o grupo de amigas que reunia em casa gostavam mesmo era de ver o Forlán.

 

O marido da Marina, Zé Henrique, não se importava com seu novo interesse pelo futebol. Mas aquela invasão da sua casa por mulheres, justamente na hora dos jogos, quando ele gostava de se espichar no sofá com uma cerveja, e fazer pipoca no intervalo, e ver os jogos sozinho, ou com a mulher ao seu lado apenas dando palpites para fingir que se interessava (“Que brutalidade!”) — aquilo era demais.

 

Ficava ele no meio das mulheres, sentado num canto, banido do seu próprio sofá. E tendo que responder a perguntas. O que era impedimento, mesmo? Se o goleiro era o único que podia tocar a bola com as mãos, como é que outros usavam as mãos para bater lateral? Por que se dizia “bater lateral” quando o que faziam era atirar a bola? E o Forlán, era casado?

 

Um dia, com sete mulheres na sala, ele mal conseguindo enxergar a televisão, houve um lance que indignou a todas. Marina virou-se para o marido e exigiu uma explicação.

 

— Bola no travessão não vale nem um ponto?

 

— Não, Marina. Bola no travessão não vale nada.

 

— Mas devia. Devia!

 

— Marina, não fui eu que fiz as regras.

 

— Você também, Zé Henrique!

 

Todas as mulheres da sala olharam para ele com reprovação. Como se uma bola no travessão do Forlán não valer nada fosse uma demonstração revoltante de insensibilidade masculina. Ele precisou se defender.

 

— A culpa não é minha!

 

Antes, no intervalo do jogo, Marina tinha dito:

 

— Zé Henrique, faz umas pipocas pra gente.

 

E, para as amigas:

 

— O Zé Henrique faz pipoca muito bem.

 

— Não — disse o Zé Henrique.

 

— O quê?

 

— Pipoca, não.

 

— Zé Henrique!

 

Seu mundo tinha sido invadido. Ele não podia deter a invasão. Mas não ia alimentar as invasoras. Que pensassem o que quisessem dele, que o chamassem de grosseiro, de ciumento, de ressentido. Mas pipocas, decididamente, não.

 

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Considere o excerto: “O que era impedimento, mesmo?” Nesse contexto, a palavra “que” é empregada gramaticalmente como:
  1. Apronome demonstrativo.
  2. Bconjunção.
  3. Cpronome interrogativo.
  4. Dpreposição.
  5. Eadvérbio.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — pronome interrogativo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classificação Morfológica do Vocábulo "Que" em "O que era impedimento, mesmo?"

Gabarito: letra C. No excerto, o "que" é pronome interrogativo, pois introduz uma pergunta direta — a personagem Zé Henrique questiona o significado de "impedimento". A pista decisiva é o ponto de interrogação e o contexto de indagação, como se lê no trecho: "O que era impedimento, mesmo?".

Desenvolvimento: como reconhecer o "que" interrogativo

O comando pede a classificação gramatical do vocábulo "que" no contexto específico. Isso é uma questão de morfologia (classe de palavra), mas exige atenção ao uso no texto: o mesmo "que" pode ser pronome relativo, conjunção, partícula expletiva etc., dependendo da função que exerce. Aqui, a função é clara: perguntar.

No trecho, Zé Henrique está sendo bombardeado de perguntas pelas mulheres durante o jogo. Uma delas é: "O que era impedimento, mesmo?". A presença do ponto de interrogação e a entonação de pergunta (reforçada pelo "mesmo") indicam que o "que" está sendo usado para interrogar, ou seja, para formular uma pergunta. Por isso, classifica-se como pronome interrogativo.

"O que era impedimento, mesmo?"

O pronome interrogativo "que" pode aparecer em interrogativas diretas (com ponto de interrogação, como aqui) ou indiretas (sem ponto, ex.: "Não sei o que fazer"). Em ambos os casos, mantém a ideia de pergunta. É diferente do "que" pronome relativo (que retoma um termo anterior, ex.: "o homem que vi") e do "que" conjunção (que liga orações, ex.: "disse que viria").

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o pronome interrogativo, pergunte: "o 'que' está introduzindo uma pergunta?" Se sim, é pronome interrogativo. Se estiver retomando um termo, é relativo; se estiver ligando orações, é conjunção.

"Que" no excerto
  • 1Função: introduz pergunta
    • Interrogativa direta (ponto de interrogação)
    • Interrogativa indireta (sem ponto)
  • 2Classificação: pronome interrogativo
  • 3Distinção de outros usos
    • Relativo (retoma termo)
    • Conjunção (liga orações)
    • Demonstrativo (equivale a "isso")
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Pronome demonstrativo não se aplica. O "que" demonstrativo equivale a "isso" ou "aquilo" (ex.: "Não sei o que fazer" — aqui "o que" = "aquilo que"). No trecho, o "que" não está substituindo um substantivo já mencionado; está perguntando o que é impedimento. Não há valor demonstrativo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Conjunção não se aplica. Conjunção liga orações ou termos de mesma função (ex.: "disse que viria"). No trecho, o "que" não está conectando orações; está iniciando uma pergunta. Não há relação de coordenação ou subordinação entre orações.

Alternativa C — ✅ Correta

Pronome interrogativo é a classificação correta. O "que" introduz uma interrogativa direta — a pergunta "O que era impedimento, mesmo?" — e tem função de perguntar sobre a natureza de algo. A presença do ponto de interrogação e o contexto de indagação confirmam.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Preposição não se aplica. Preposição liga dois termos, estabelecendo relação de subordinação (ex.: "casa de pedra"). No trecho, o "que" não está ligando termos; está perguntando. Não há valor prepositivo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Advérbio não se aplica. Advérbio modifica verbo, adjetivo ou outro advérbio (ex.: "muito rápido"). No trecho, o "que" não está modificando nada; está perguntando. Não há valor adverbial.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece classes gramaticais que não se aplicam ao "que" no contexto (demonstrativo, conjunção, preposição, advérbio) para testar se o candidato reconhece a função interrogativa. A chave é perceber que o "que" está perguntando, não retomando, ligando ou modificando.

Conclusão: A única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a letra C — o "que" é pronome interrogativo, pois introduz a pergunta "O que era impedimento, mesmo?". As demais confundem a função do vocábulo com outras classes que não se aplicam ao contexto.

Gabarito: letra C

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