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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — Avança SP 2024

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
qa605036
Banca
Avança SP
Órgão
CM Americana
Ano
2024
Cargo
Moto ( )

Pipocas, não

 

Marina nunca gostou de futebol, mas se empolgou pela Copa. Se empolgou, principalmente, pelo Forlán. Passou a acompanhar todos os jogos da Copa, e não apenas os do Uruguai. Mas ela e o grupo de amigas que reunia em casa gostavam mesmo era de ver o Forlán.

 

O marido da Marina, Zé Henrique, não se importava com seu novo interesse pelo futebol. Mas aquela invasão da sua casa por mulheres, justamente na hora dos jogos, quando ele gostava de se espichar no sofá com uma cerveja, e fazer pipoca no intervalo, e ver os jogos sozinho, ou com a mulher ao seu lado apenas dando palpites para fingir que se interessava (“Que brutalidade!”) — aquilo era demais.

 

Ficava ele no meio das mulheres, sentado num canto, banido do seu próprio sofá. E tendo que responder a perguntas. O que era impedimento, mesmo? Se o goleiro era o único que podia tocar a bola com as mãos, como é que outros usavam as mãos para bater lateral? Por que se dizia “bater lateral” quando o que faziam era atirar a bola? E o Forlán, era casado?

 

Um dia, com sete mulheres na sala, ele mal conseguindo enxergar a televisão, houve um lance que indignou a todas. Marina virou-se para o marido e exigiu uma explicação.

 

— Bola no travessão não vale nem um ponto?

 

— Não, Marina. Bola no travessão não vale nada.

 

— Mas devia. Devia!

 

— Marina, não fui eu que fiz as regras.

 

— Você também, Zé Henrique!

 

Todas as mulheres da sala olharam para ele com reprovação. Como se uma bola no travessão do Forlán não valer nada fosse uma demonstração revoltante de insensibilidade masculina. Ele precisou se defender.

 

— A culpa não é minha!

 

Antes, no intervalo do jogo, Marina tinha dito:

 

— Zé Henrique, faz umas pipocas pra gente.

 

E, para as amigas:

 

— O Zé Henrique faz pipoca muito bem.

 

— Não — disse o Zé Henrique.

 

— O quê?

 

— Pipoca, não.

 

— Zé Henrique!

 

Seu mundo tinha sido invadido. Ele não podia deter a invasão. Mas não ia alimentar as invasoras. Que pensassem o que quisessem dele, que o chamassem de grosseiro, de ciumento, de ressentido. Mas pipocas, decididamente, não.

 

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

No último parágrafo do texto, na sentença “Que pensassem o que quisessem dele, que o chamassem de grosseiro, de ciumento, de ressentido.”, os verbos “pensassem”, “quisessem” e “chamassem” estão conjugados no modo:
  1. Ainfinitivo.
  2. Bindicativo.
  3. Csubjuntivo.
  4. Dimperativo.
  5. Egerúndio.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — subjuntivo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Modo Verbal: Subjuntivo

Gabarito: letra C. Os verbos "pensassem", "quisessem" e "chamassem" estão no modo subjuntivo, pois expressam hipótese, desejo ou possibilidade — não um fato certo. A pista decisiva está na desinência -sse (pretérito imperfeito do subjuntivo) e no valor de concessão da frase: "Que pensassem o que quisessem dele, que o chamassem de grosseiro..." — o sujeito admite que as mulheres possam pensar e chamar, sem afirmar que isso ocorre.

O Comando

A questão pede que você reconheça o modo verbal de três formas dentro de um trecho específico. Isso é uma tarefa de gramática metalinguística: não se trata de interpretar o sentido do texto, mas de identificar a classe morfológica (modo) dos verbos. O comando "estão conjugados no modo" exige que você saiba as características de cada modo verbal (indicativo, subjuntivo, imperativo) e as desinências que os marcam.

O Texto e o Contexto

No trecho final da crônica, Zé Henrique, invadido pelas mulheres na sala, decide não fazer pipoca. A frase "Que pensassem o que quisessem dele, que o chamassem de grosseiro, de ciumento, de ressentido" expressa uma concessão hipotética: ele admite que as mulheres possam pensar e chamar, mas não está afirmando que isso acontece. É um pensamento de possibilidade, não um fato. Essa nuance semântica é a chave para identificar o modo subjuntivo.

A Técnica: Como Identificar o Modo Subjuntivo

O modo subjuntivo é o modo da subjetividade, da dúvida, da hipótese, do desejo e da concessão. Enquanto o indicativo expressa certeza (fatos, realidades), o subjuntivo expressa incerteza (possibilidades, desejos, condições). O imperativo expressa ordem, pedido ou sugestão.

As desinências características do pretérito imperfeito do subjuntivo são -sse, -sses, -ssemos, -sseis, -ssem (ex.: pensasse, pensasses, pensássemos...). No trecho, "pensassem", "quisessem" e "chamassem" apresentam exatamente essa desinência, o que confirma o modo subjuntivo.

"Que pensassem o que quisessem dele, que o chamassem de grosseiro, de ciumento, de ressentido."

Aqui, o "que" inicial (conjunção integrante ou expletiva) introduz uma oração que expressa uma concessão: o sujeito aceita que os outros possam pensar e chamar, mas isso é uma possibilidade, não um fato. O subjuntivo é o modo adequado para essa ideia.

Distinção entre os Modos

Modo

Valor

Exemplo

Indicativo

Certeza, fato

"Ele pensa."

Subjuntivo

Dúvida, hipótese, desejo

"Que ele pense."

Imperativo

Ordem, pedido

"Pense!"

No trecho, não há certeza (indicativo) nem ordem (imperativo); há hipótese/concessão (subjuntivo).

Análise das Alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

O infinitivo é uma forma nominal (terminada em -r: pensar, querer, chamar) e não expressa modo. As formas "pensassem", "quisessem" e "chamassem" são flexionadas (conjugadas em pessoa e número), o que descarta o infinitivo. O infinitivo seria "pensar", "querer", "chamar".

Alternativa B — ❌ Incorreta

O indicativo expressa certeza e fatos. As formas do pretérito imperfeito do indicativo seriam "pensavam", "queriam", "chamavam" (desinência -va/-ia). As formas do trecho têm desinência -sse, típica do subjuntivo, e o sentido é de hipótese, não de fato.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

As três formas estão no pretérito imperfeito do subjuntivo: "pensassem", "quisessem", "chamassem". A desinência -sse e o valor de concessão/hipótese confirmam o modo subjuntivo. O trecho expressa uma possibilidade admitida, não um fato.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O imperativo expressa ordem, pedido ou sugestão (ex.: "Pensem!", "Chamem!"). No trecho, não há ordem; há uma concessão ("que pensassem..."), que é típica do subjuntivo. Além disso, as formas do imperativo seriam "pensem", "queiram", "chamem" (presente do subjuntivo com valor imperativo), não "pensassem".

Alternativa E — ❌ Incorreta

O gerúndio é uma forma nominal terminada em -ndo (pensando, querendo, chamando) e indica ação em curso. As formas do trecho são flexionadas e terminadas em -sse, não em -ndo. Portanto, não são gerúndio.

Conclusão

A alternativa C é a única correta, pois "pensassem", "quisessem" e "chamassem" estão no modo subjuntivo (pretérito imperfeito), expressando hipótese e concessão. As demais alternativas confundem o subjuntivo com outros modos ou formas nominais.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o modo subjuntivo, procure as desinências -sse (pretérito imperfeito) e o valor de dúvida/hipótese. Se a frase expressa certeza, é indicativo; se expressa ordem, é imperativo; se termina em -r, -ndo ou -do, é forma nominal.

Gabarito: letra C

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