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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FUNDATEC 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa605464
Banca
FUNDATEC
Órgão
CM Piracicaba
Ano
2024
Cargo
CI ( )

O poder dos nomes compostos

 

Por Fabrício Carpinejar

 

Meus pais têm nomes compostos, seus irmãos têm nomes compostos. Na família paterna, além de meu pai Luiz Carlos Verzoni Nejar, há os tios Luiz Paulo Verzoni Nejar e Sady José Verzoni Nejar (in memoriam), e as tias Maria do Carmo Abott, Maria Cristina Nejar, Maria da Graça Nejar e Rosa Maria Nejar.

 

Do tronco materno, minha mãe é Maria Elisa Carpi, minha tia é Cléa Ana Carpi. Do mesmo modo, as primas da minha esposa são Maria: Maria Clara, Maria Geralda, Maria Lúcia, Maria Elisabeth, Maria Teresinha e Maria de Lourdes. Das dez gestações, seis são mulheres, com o batismo semelhante.

 

Os nomes das pessoas mais antigas são compridos como fazendas. São extensos como estradas. Carregava-se uma lógica genealógica de prefixos na família grande. Como um princípio de ordenação, de hierarquia do caçula ao primogênito.

 

Eu acho bonita a existência desses seres gêmeos de nome. Gêmeos do cartório.

Você contava com um nome suplente. Um nome secreto. Um nome para ser guardado.

 

Um nome para ser economizado.

 

A família chamava de um jeito, os amigos de outro. O trabalho destacava uma forma de nominação, a intimidade escolhia outra. Você desfrutava de uma versatilidade em diferentes ambientes. Não se enjoava de si, dispunha de mais de uma maneira de se declarar.

 

Meu pai prefere o Carlos — o Luiz passa a ser o seu duplo escondido. Minha mãe privilegia a Maria — a Elisa é sua alma reservada.

 

Quem tem hoje três irmãos, e pensa que os pais exageraram na dose, não faz ideia da multidão de crias pela casa. Um quarto sozinho era uma sandice, um desejo nababesco, uma realidade impossível. Você se via dividindo as camas, os armários, os cadernos, os livros, as roupas, os brinquedos.

 

Prevalecia uma reação de manada. O nome coletivo nem sempre facilitava. Quando um dos filhos era repreendido, todos olhavam.

 

A duplicidade não acontecia devido a um problema de memória dos pais, numa dificuldade de listar um por um da prole fértil, ou por indecisão sobre o significado dos nomes, ou por ausência de criatividade, ou num ato diplomático para compor dissidências e agradar a gregos e troianos. Tratava-se de um fundamento de sobrevivência do legado, assinalando uma homenagem a um parente — vô ou vó, bisavô ou bisavó.

 

Representava um artifício de perpetuação familiar. Havia a necessidade de preservar a memória sofrida dos antecessores, numa resistência genética a partir da escrita.

 

Evitava-se a repetição dos nomes paterno e materno, com o acréscimo de Júnior, por exemplo. Procurava-se beneficiar gerações mais remotas.

 

O nome em comum correspondia também a um recurso para mitigar perdas. Diante da alta taxa de mortalidade infantil, nunca se sabia quem iria chegar à fase adulta.

 

Assim se criava uma dinastia de Luiz, ou João, ou Pedro, bem como uma escadinha de Maria ou Ana.

 

Observando com atenção os meus pais aos seus 85 anos, entendo cada vez mais o motivo de seus nomes numerosos. Foi providencial para o tamanho de suas tarefas. Nada veio fácil para eles. Tiveram que ser vários ao longo da vida, um exército de versões para se revezar na resiliência. Atravessaram uma guerra mundial, a Guerra Fria e as duas enchentes que devastaram Porto Alegre.

 

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2024/06/o-poder-dos-nomes-compostoshtml – texto adaptado especialmente para esta prova).

Leia o Texto abaixo.

 

Tendo em vista o exposto pelo texto, analise as assertivas abaixo:

 

I. O autor apresenta uma postura positiva a respeito da existência de gêmeos.

II. Apenas o lado paterno da família do autor apresenta nomes compostos, como seu pai, tios e tias.

III. O autor compara os nomes das pessoas mais antigas com longas fazendas e estradas.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas III.
  4. DApenas I e II.
  5. EApenas II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Apenas III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O poder dos nomes compostos: análise das assertivas

Gabarito: letra C. Apenas a assertiva III está correta, pois o texto afirma explicitamente que "Os nomes das pessoas mais antigas são compridos como fazendas" e "São extensos como estradas", o que configura a comparação mencionada. As assertivas I e II estão incorretas: a I troca "gêmeos de nome" por "gêmeos" (conceito diferente), e a II afirma que apenas o lado paterno tem nomes compostos, quando o texto menciona também o lado materno.

O comando da questão

A questão pede que você analise três assertivas e marque quais estão corretas. Isso é uma questão de compreensão (recorrência): a resposta deve ser encontrada literalmente no texto, sem inferências ou deduções. Cada assertiva deve ser verificada diretamente no que está escrito.

O texto e o movimento argumentativo

O texto de Fabrício Carpinejar discorre sobre a tradição de nomes compostos em sua família, explicando suas origens e significados. O autor descreve a prática como uma forma de homenagear parentes, perpetuar o legado familiar e até mesmo como um recurso para mitigar perdas diante da mortalidade infantil. A passagem central para esta questão está no terceiro parágrafo:

"Os nomes das pessoas mais antigas são compridos como fazendas. São extensos como estradas."

Aqui, o autor estabelece uma comparação explícita entre os nomes e elementos do mundo físico (fazendas e estradas), o que sustenta a assertiva III.

A técnica de resolução

Para cada assertiva, pergunte: o texto autoriza esta afirmação? Se a assertiva exigir algo que não está escrito, ou se restringir o que o texto diz, ela está errada. A assertiva I usa a palavra "gêmeos" sem o complemento "de nome", o que muda o sentido: o texto fala de "gêmeos do cartório" (pessoas com nomes iguais), não de gêmeos biológicos. A assertiva II usa "apenas", um termo absoluto que restringe indevidamente: o texto menciona nomes compostos tanto no lado paterno quanto no materno.

Análise das assertivas
  • 1I — "gêmeos" (troca de conceito)
    • Texto: "gêmeos de nome"
    • Incorreta
  • 2II — "apenas" (restrição indevida)
    • Texto: nomes compostos nos dois lados
    • Incorreta
  • 3III — comparação explícita
    • Texto
      • "compridos como fazendas", "extensos como estradas"
    • Correta
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A assertiva I está incorreta. O texto diz: "Eu acho bonita a existência desses seres gêmeos de nome. Gêmeos do cartório." A expressão "gêmeos de nome" refere-se a pessoas que compartilham o mesmo nome, não a gêmeos biológicos. A assertiva I afirma que o autor tem postura positiva sobre "a existência de gêmeos", o que é uma troca de conceito: o texto fala de "gêmeos de nome", não de gêmeos em geral. Portanto, a assertiva I é falsa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A assertiva II está incorreta. O texto afirma: "Do tronco materno, minha mãe é Maria Elisa Carpi, minha tia é Cléa Ana Carpi." Isso mostra que o lado materno também tem nomes compostos. A assertiva II diz "Apenas o lado paterno da família do autor apresenta nomes compostos", o que é uma restrição indevida: o texto menciona nomes compostos em ambos os lados da família. Portanto, a assertiva II é falsa.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A assertiva III está correta. O texto afirma: "Os nomes das pessoas mais antigas são compridos como fazendas. São extensos como estradas." Isso é uma comparação explícita entre os nomes e fazendas/estradas. A assertiva III diz exatamente isso: "O autor compara os nomes das pessoas mais antigas com longas fazendas e estradas." Portanto, a assertiva III é verdadeira.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A assertiva I está incorreta (como visto na Alternativa A), e a assertiva II também está incorreta (como visto na Alternativa B). Portanto, a combinação "Apenas I e II" é falsa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A assertiva II está incorreta (como visto na Alternativa B), e a assertiva III está correta. Portanto, a combinação "Apenas II e III" é falsa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "gêmeos de nome" e "gêmeos" (troca de conceito) e a restrição indevida com "apenas" (generalização). Fique atento a termos absolutos como "apenas", "sempre", "todos" — eles costumam restringir o que o texto diz.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, sublinhe as palavras-chave do texto e compare com as assertivas. Se a assertiva usar um termo mais amplo ou mais restrito que o do texto, ela está errada.

Conclusão: Apenas a assertiva III está correta, portanto o gabarito é a letra C. Lembre-se: a resposta deve estar literalmente no texto, sem extrapolações ou restrições.

Gabarito: letra C

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