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Questão de Português — Sujeito — FUNDATEC 2024

PortuguêsSujeito
Código
qa605546
Banca
FUNDATEC
Órgão
CM Viamão
Ano
2024
Cargo
Ag ( )

“Tenho medo de nunca mais ser feliz como fui até agora”

 

Por Martha Medeiros

 

Já contei em entrevistas e talvez em alguma crônica, mas já que ninguém lembra de nada mesmo, vou contar outra vez. Tive um diário quando era adolescente, onde escrevi sobre meus 14, 15, 16 anos. Quando fiz 17, em uma determinada página daquela que já me parecia uma longa existência, registrei: “Tenho medo de nunca mais ser feliz como fui até agora”. Chego a me comover com tamanha inocência.

 

Aos 17, eu era virgem. Nunca tinha saído do Brasil. Ainda não trabalhava. Não sabia o que seria quando crescesse. Não havia tido nenhum namoro que durasse mais do que duas semanas. Não havia sofrido, a não ser as angústias de qualquer adolescente. O que eu havia vivido de tão fenomenal até ali? Uma infância tranquila, confidências com as amigas, danças em festas, fins de semana na praia, shows e cinema, beijocas e paixonites. Quando passei a acreditar que não viveria nada mais empolgante que isso, envelheci. Ao terminar de escrever aquela frase absurda, meus ombros encurvaram e duas pantufas acolheram meus pés.

 

Velhice é quando o que ficou para trás torna-se superior ao que está por vir. Talvez aconteça com quem está chegando perto dos 90 anos: a improbabilidade de novas estreias conduz a um estado natural de nostalgia. Talvez, eu disse. Pode nunca acontecer: há pessoas que, mesmo com muita idade, estão focadas nos 10 minutos seguintes, onde novas estreias as aguardam. Uma tatuagem no pulso. Passar o aniversário em outro país. Escrever poemas eróticos. Fazer amizade com alguém 20 anos mais moço e mais inquieto. Mudar radicalmente de opinião (não há prazo para aprender sobre aquilo que não dominamos tanto assim). Uma emoção represada que enfim deságua. É tudo vida em frente.

 

Olhar para trás aos 17 anos? Apego ás idealizações, covardia, medo. Olhar para trás aos 50, também, mesmo reconhecendo que é cansativo fazer planos e estar sempre a postos para os imprevistos. Eu mesma não vejo a hora de dar minha missão como cumprida e me instalar numa rede com vista para o mar, onde ficarei lembrando de tudo o que vivi dos 17 até aqui, e não foi pouca coisa. Tenho um patrimônio respeitável de acontecimentos na minha biografia de cidadã comum, e não acharia ruim viver de recordações entre um gole e outro de vinho. Mas as pantufas estariam ao pé da rede, e uma bengala também, já que viver de lembrança não tonifica os músculos.

 

Então sigo me prontificando a incluir páginas extras no meu diário sem fim. Quando fico tentada a achar que o melhor da vida já passou, como estupidamente achei aos 17 anos (“ninguém é sério aos 17 anos”, escreveu Rimbaud), lembro que o dia de ontem é pré-história e listo as virgindades em mim que ainda aguardam serem rompidas. Amanhã mesmo posso vir a fazer algo que nunca fiz.

 

(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2024/04/tenhomedo-

de-nunca-mais-ser-feliz-como-fui-ate-agora-clv5rsiiu01ro013wi4hpng0j.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Para responder às questões 08 e 09, considere o seguinte trecho, retirado do texto: “Aos 17, eu era virgem”.   No fragmento, o sujeito é classificado como:
  1. ASimples.
  2. BComposto.
  3. COculto.
  4. DIndeterminado.
  5. EOração sem sujeito.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Simples.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classificação do sujeito em "Aos 17, eu era virgem"

Gabarito: letra A. No fragmento, o sujeito é simples, pois possui um único núcleo: o pronome "eu". A oração é "eu era virgem", em que "eu" exerce a função de sujeito determinado e simples. A banca explora a confusão com o sujeito oculto, mas aqui o sujeito está explícito no texto, não elíptico.

O comando da questão

A questão pede a classificação do sujeito no trecho destacado. Isso é uma tarefa de análise sintática — não de interpretação de texto. Você deve identificar o termo que funciona como sujeito da oração e, em seguida, classificá-lo quanto ao número de núcleos (simples ou composto) e quanto à sua determinação (determinado, oculto, indeterminado ou inexistente).

O texto e a oração em foco

No trecho "Aos 17, eu era virgem", temos:

  • Sujeito: "eu" (pronome pessoal do caso reto)

  • Verbo: "era" (verbo de ligação)

  • Predicativo do sujeito: "virgem"

O sujeito "eu" é facilmente identificável, está explícito na oração e possui um único núcleo — o pronome "eu". Portanto, é um sujeito simples.

A técnica para classificar o sujeito

Para classificar o sujeito, siga estes passos:

  1. Encontre o verbo da oração.

  2. Pergunte ao verbo: "Quem?" ou "O quê?" — a resposta é o sujeito.

  3. Identifique o núcleo do sujeito (a palavra mais importante, que pode ser um substantivo, pronome, numeral ou palavra substantivada).

  4. Classifique: se tiver um núcleo → simples; se tiver dois ou mais → composto; se não estiver explícito, mas for identificável pela desinência ou contexto → oculto; se não for possível identificar → indeterminado; se não houver sujeito possível → oração sem sujeito.

No caso, o verbo é "era". Perguntando "quem era virgem?", a resposta é "eu". O núcleo é "eu", um único pronome. Logo, sujeito simples.

Análise das alternativas

Sujeito
  • 1Quanto ao núcleo
    • Simples (1 núcleo)
    • Composto (2+ núcleos)
  • 2Quanto à determinação
    • Determinado
      • Explícito
      • Oculto (elíptico)
    • Indeterminado
    • Inexistente (oração sem sujeito)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O sujeito é simples porque apresenta um único núcleo: o pronome "eu". Não há outro termo que se some a ele para formar um núcleo composto. A oração é curta e direta: "eu era virgem".

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. O sujeito composto exige dois ou mais núcleos, como em "João e Maria eram virgens". No trecho, há apenas um núcleo ("eu"), portanto não pode ser composto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. O sujeito oculto (ou desinencial) é aquele que não está explícito na oração, mas pode ser identificado pela desinência verbal ou pelo contexto. Exemplo: "(Nós) Estudamos muito". No trecho, o sujeito "eu" está explícito, escrito na oração. Portanto, não é oculto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. O sujeito indeterminado é aquele que não se pode identificar, nem pela desinência, nem pelo contexto. Ocorre com verbo na 3ª pessoa do plural sem referência ("Roubaram meu carro") ou com "se" + verbo intransitivo/transitivo indireto ("Vive-se bem aqui"). No trecho, o sujeito é perfeitamente identificável: "eu". Portanto, não é indeterminado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A oração sem sujeito (sujeito inexistente) ocorre com verbos impessoais, como fenômenos da natureza ("Choveu"), "haver" no sentido de existir ("Há pessoas"), "fazer" indicando tempo ("Faz dois anos"), entre outros. No trecho, o verbo "era" exige um sujeito, que está presente ("eu"). Portanto, há sujeito.

Conclusão

A alternativa correta é a letra A, pois o sujeito "eu" é simples — um único núcleo, explícito na oração. As demais alternativas confundem o conceito de sujeito simples com outras classificações, mas a presença do pronome "eu" elimina qualquer dúvida.

NÃO CAIA NESSA!

Ao classificar o sujeito, sempre pergunte ao verbo "quem?" ou "o quê?". Se a resposta estiver explícita na oração, o sujeito é determinado; se tiver um núcleo, é simples. Não confunda sujeito oculto (elíptico) com sujeito explícito.

Gabarito: letra A

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