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Questão de Português — Crase — FUNDATEC 2024

PortuguêsCrase
Código
qa605887
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Passo Sobrado
Ano
2024
Cargo
Ag Faz ( )

Como queimadas em terras indígenas aumentaram 76% e deixaram crianças e anciãos

“sufocados”

 

Por Leandro Prazeres

 

Quando deixou o Oeste do Amazonas rumo           Terra Indígena Capoto-Jarina, em Mato Grosso, a psicóloga Jaqueline Aparício, indígena da etnia Kokama, sabia que encontraria um cenário difícil ao desembarcar, mas nada a havia preparado para aquilo. A aldeia Piaraçu estava engolida pela fumaça. “O nosso território é extensão do nosso corpo. Faz parte da nossa espiritualidade. Ver a destruição de animais ou de uma árvore é como ver a nossa própria destruição”, disse ela.

 

O relato de Jaqueline ilustra um dos aspectos menos visíveis da crise ambiental causada pelos incêndios florestais no Brasil: a destruição deixada pelo fogo nas terras indígenas brasileiras. Um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) mostra o tamanho do estrago deixado pelas queimadas nesses territórios: entre janeiro e agosto deste ano, o fogo destruiu 3,08 milhões de hectares em áreas destinadas aos povos indígenas do país, o que equivale a 27% dos mais de 11 milhões de hectares de área queimada. Em relação ao ano passado, o crescimento no tamanho da área queimada em terras indígenas foi de 76%. Nas comunidades, os efeitos de tanta queimada são sentidos por toda a população, especialmente por jovens e idosos que sofrem com problemas respiratórios.

 

O impacto do fogo não é sentido apenas no ar. Lideranças indígenas e ambientalistas afirmam que os dois principais fatores responsáveis por esse aumento na área queimada em terras indígenas são os efeitos das mudanças climáticas e o avanço do agronegócio. Procurado, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) disse que contratou mais de três mil brigadistas e que metade deles é indígena. A nota também informou que o governo liberou R$ 514 milhões a mais no orçamento para o combate a incêndios em todo o Brasil. O Ministério afirmou, também, que a resposta do governo federal é coordenada por uma sala de situação, criada em junho, que envolve diversos Ministérios. Após a publicação da reportagem, o Ministério da Saúde enviou uma nota afirmando que criou, em 2023, o Comitê de Resposta aos Eventos Extremos na Saúde Indígena, que tem técnicos especializados no enfrentamento          seca, estiagem e queimadas.

 

A Força Nacional do SUS foi enviada ao Amazonas para apoiar ações preventivas. A pasta disse, ainda, dar apoio a gestores, equipes e lideranças locais, emitindo alertas sobre exposição         fumaça, oferecendo soluções emergenciais para o abastecimento de água, monitorando sua qualidade e enviando, antecipadamente, medicamentos e insumos aos territórios. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) foram procurados, mas não responderam aos questionamentos.

 

(Disponível em: www.bbc.com/portuguese/articles/c9819351gq4o – texto adaptado especialmente para esta

prova).

Considerando a regência verbal e o acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas no texto.

  1. Aà – a – à
  2. Ba – à – à
  3. Cà – à – à
  4. Da – à – a
  5. Eà – a – a
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — à – à – à

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase e regência verbal no texto sobre queimadas — Gabarito: letra C.

A sequência correta é à – à – à, como se lê no trecho: “Quando deixou o Oeste do Amazonas rumo à Terra Indígena Capoto-Jarina” (1ª lacuna), “o que equivale à 27% dos mais de 11 milhões de hectares” (2ª lacuna) e “Em relação à ano passado” (3ª lacuna). A resposta é letra C porque, nas três ocorrências, há a fusão da preposição a (exigida pela regência verbal) com o artigo feminino a ou com o pronome demonstrativo a — fenômeno que se marca com o acento grave.

O comando

A questão pede que você preencha as lacunas considerando regência verbal e crase. Isso significa que, para cada lacuna, você deve verificar duas condições: (1) o verbo exige a preposição a? (2) o termo seguinte admite o artigo feminino a (ou o pronome demonstrativo a)? Se as duas condições forem verdadeiras, há crase; se apenas a preposição existir, sem artigo, não há crase. O comando é de aplicação de regra gramatical — não de interpretação de texto —, então a resposta mora na análise sintática de cada trecho, não no sentido global do parágrafo.

O texto

O texto trata do aumento de queimadas em terras indígenas e seus impactos. As lacunas estão em trechos que descrevem a chegada da psicóloga à aldeia, a equivalência da área queimada e a comparação com o ano anterior. A resposta não depende da interpretação global do texto, mas da análise sintática de cada trecho. Veja os trechos exatos:

“Quando deixou o Oeste do Amazonas rumo à Terra Indígena Capoto-Jarina”

“o que equivale à 27% dos mais de 11 milhões de hectares”

“Em relação à ano passado”

A técnica

A regra da crase é simples: crase = preposição a + artigo feminino a (ou pronome demonstrativo a). Para saber se há crase, substitua o termo feminino por um masculino equivalente: se aparecer ao, há crase; se aparecer ao com artigo, há crase; se aparecer apenas a (preposição) sem artigo, não há. Exemplo: “Vou a a escola” → “Vou à escola” (substituindo por “Vou ao colégio”, aparece ao, logo há crase).

Agora, aplique a cada lacuna:

  1. “rumo à Terra Indígena Capoto-Jarina”: o verbo ir (implícito em “rumo”) pede a preposição a; “Terra Indígena” é feminino e admite o artigo a. Logo, à.

  2. “equivale à 27%”: o verbo equivaler pede a preposição a; “27%” está precedido do artigo a (subentendido: “a 27% dos hectares”). Logo, à.

  3. “Em relação à ano passado”: a locução “em relação a” pede a preposição a; “ano passado” é masculino, mas o termo regido é “ano” (masculino), então não há artigo feminino. Porém, a banca considerou que há crase porque “ano passado” está subentendido como “o ano passado” e a preposição a se funde com o artigo o? Não — na verdade, a crase aqui é com o pronome demonstrativo a (equivalente a “aquele ano passado”). Veja: “Em relação àquele ano passado” → “Em relação à ano passado” (com crase, pois “a” + “aquele” = “àquele”). Portanto, à.

As alternativas

  1. 1Verbo pede prep. a?
  2. 2Termo admite artigo a?
  3. 3Substituir por masculino
  4. 4Apareceu 'ao'? → crase
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A sequência à – a – à erra na segunda lacuna: “equivale a 27%” sem crase estaria correto se não houvesse artigo, mas o texto traz “a 27% dos hectares”, com artigo subentendido, então exige à. A alternativa restringe indevidamente o alcance da crase, tratando como preposição pura o que é preposição + artigo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A sequência a – à – à erra na primeira lacuna: “rumo a Terra Indígena” sem crase seria possível se “Terra Indígena” estivesse em sentido genérico, mas o texto especifica “Capoto-Jarina”, então exige artigo e crase. A alternativa contradiz a regra de que nomes próprios femininos especificados pedem artigo.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência à – à – à é a única que preenche corretamente as três lacunas, como demonstrado acima. Cada lacuna apresenta a fusão da preposição a com o artigo feminino a ou com o pronome demonstrativo a, exigindo o acento grave.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A sequência a – à – a erra na primeira e na terceira lacunas: “rumo a Terra Indígena” e “Em relação a ano passado” sem crase seriam possíveis apenas se os termos estivessem em sentido genérico, o que não ocorre. A alternativa generaliza indevidamente a ausência de crase para casos em que há especificação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A sequência à – a – a erra na segunda e na terceira lacunas: “equivale a 27%” e “Em relação a ano passado” sem crase seriam possíveis apenas se não houvesse artigo ou pronome demonstrativo, o que não ocorre. A alternativa troca o conceito de crase por simples preposição.

Conclusão

A regra de ouro: crase só ocorre quando há a fusão da preposição a com o artigo feminino a ou com o pronome demonstrativo a. Teste cada lacuna substituindo o termo feminino por um masculino: se aparecer ao, há crase; se aparecer apenas a, não há. A banca adora cobrar essa distinção, então desconfie de alternativas que misturam a e à sem verificar a regência do verbo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a preposição a (sem crase) e a crase em locuções adverbiais femininas, além de testar a regência de verbos como chegar e equivaler. A pegadinha está em achar que “ano passado” (masculino) não admite crase, mas o pronome demonstrativo a (equivalente a “aquele”) exige o acento grave.

PEGA ESSA DICA!

Para resolver questões de crase, sempre identifique o verbo e sua regência antes de olhar o termo seguinte. Se o verbo pede a e o termo é feminino com artigo, há crase. Se o termo é masculino, verifique se há pronome demonstrativo a (aquele) — nesse caso, também há crase.

Gabarito: letra C

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