Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — Avança SP 2024
Português›Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa606280
Banca
Avança SP
Órgão
SAEP Pirassununga
Ano
2024
Cargo
Hidro ( )
Solidários na porta
Vivemos a civilização do automóvel, mas
atrás do volante de um carro o homem se
comporta como se ainda estivesse nas cavernas.
Antes da roda. Luta com seu semelhante pelo
espaço na rua como se este fosse o último
mamute. Usando as mesmas táticas de
intimidação, apenas buzinando em vez de rosnar
ou rosnando em vez de morder.
O trânsito em qualquer grande cidade do
mundo é uma metáfora para a vida competitiva
que a gente leva, cada um dentro do seu próprio
pequeno mundo de metal tentando levar
vantagem sobre o outro, ou pelo menos tentando
não se deixar intimidar. E provando que não há
nada menos civilizado que a civilização. Mas há
uma exceção. Uma pequena clareira de
solidariedade no jângal. É a porta aberta. Quando
o carro ao seu lado emparelha com o seu e
alguém põe a cabeça para fora, você se prepara
para o pior. Prepara a resposta. “É a sua!” Mas
pode ter uma surpresa.
— Porta aberta!
— O quê?
Você custa a acreditar que nem você nem
ninguém da sua família está sendo xingado. Mas
não, o inimigo está sinceramente preocupado
com a possibilidade da porta se abrir e você cair
do carro.
A porta aberta determina uma espécie de
trégua tácita. Todos a apontam. Vão atrás,
buzinando freneticamente, se por acaso você não
ouviu o primeiro aviso. “Olha a porta aberta!” é
como um código de honra, um intervalo nas
hostilidades. Se a porta se abrir e você cair
mesmo na rua, aí passam por cima. Mas
avisaram. Quer dizer, ainda não voltamos ao
estado animal.
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio
século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo:
Objetiva, 2020.
Leia o texto para responder à questão Considere o excerto a seguir para responder à questão Vivemos a civilização do automóvel, mas atrás do volante de um carro o homem se comporta como se ainda estivesse nas cavernas. Antes da roda. Luta com seu semelhante pelo espaço na rua como se este fosse o último mamute. Na primeira sentença do excerto, a conjunção “mas” desempenha um papel relacionado à coesão textual. Trata-se de um recurso coesivo:
Areferencial catafórico.
Breferencial anafórico.
Csequencial de oposição.
Dsequencial de adição.
Esequencial de explicação.
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GabaritoC — sequencial de oposição.
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Coesão Sequencial e o Valor do "Mas"
Gabarito: letra C. A conjunção "mas" estabelece uma relação de oposição entre as ideias, sendo um mecanismo de coesão sequencial — que organiza a progressão do texto por meio de conectivos. No excerto, "mas" contrapõe a ideia de vivermos na "civilização do automóvel" à constatação de que, no trânsito, o homem se comporta como "nas cavernas".
O comando pede que você identifique o papel coesivo da conjunção "mas" na primeira sentença. Isso é uma questão de coesão sequencial, pois trata da relação lógica que o conectivo estabelece entre orações, e não de retomada de termos (coesão referencial).
No trecho:
"Vivemos a civilização do automóvel, mas atrás do volante de um carro o homem se comporta como se ainda estivesse nas cavernas."
O "mas" liga duas orações coordenadas, introduzindo uma quebra de expectativa: espera-se que a civilização traga civilidade, mas o comportamento é primitivo. Essa é a função típica das conjunções adversativas (mas, porém, contudo, todavia), que expressam oposição ou contraste.
A coesão sequencial é responsável por estabelecer a continuidade lógica do texto, principalmente por meio de conectivos. Já a coesão referencial ocorre quando pronomes ou expressões retomam (anáfora) ou antecipam (catáfora) termos. Aqui, "mas" não retoma nem antecipa nada; ele conecta ideias, marcando oposição.
Coesão textual
1Referencial
Anáfora (retoma)
Catáfora (antecipa)
2Sequencial
Conectivos ligam orações
Adição (e, nem)
Oposição (mas, porém)
Explicação (porque, pois)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Referencial catafórico seria um elemento que antecipa uma informação que virá depois (ex.: "Isto é o que importa: estudar"). O "mas" não faz referência a nenhum termo; ele apenas liga orações. Erro: troca de conceito — confunde coesão sequencial com referencial.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Referencial anafórico retoma algo já dito (ex.: "Comprei um carro. Ele é azul"). O "mas" não retoma nenhum termo anterior. Erro: troca de conceito — mesma confusão da alternativa A.
Alternativa C — ✅ Correta
Sequencial de oposição é exatamente o papel do "mas": ele é uma conjunção coordenativa adversativa que liga orações estabelecendo contraste. No texto, opõe "civilização do automóvel" ao comportamento "nas cavernas". Gabarito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Sequencial de adição seria expresso por "e", "nem", "também". O "mas" não soma ideias; ele as contrapõe. Erro: troca de conceito — confunde adversativa com aditiva.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Sequencial de explicação seria expresso por "porque", "pois", "visto que". O "mas" não explica, não dá causa; ele opõe. Erro: troca de conceito — confunde adversativa com explicativa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece alternativas de coesão referencial (anáfora/catáfora) para testar se você sabe que conectivos como "mas" pertencem à coesão sequencial, não à referencial.
PEGA ESSA DICA!
Ao ver uma conjunção, pergunte: ela retoma/antecipa um termo (referencial) ou liga orações estabelecendo relação lógica (sequencial)? Se liga orações, identifique o valor: oposição, adição, causa, conclusão etc.
Gabarito: letra C — o "mas" é um mecanismo de coesão sequencial que expressa oposição.