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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — Avança SP 2024

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
qa606298
Banca
Avança SP
Órgão
SAEP Pirassununga
Ano
2024
Cargo
Serv Limp ( )

Eu, Tarzan

 

Uma das cenas mais inverossímeis e mais fascinantes da literatura mundial é do Tarzan aprendendo a ler nos livros de seu pai. Todos conhecem a história — pelo menos todos os que, como eu, devoravam os livros do Tarzan. Lord e Lady Greystoke são abandonados por marinheiros amotinados em algum ponto da costa oriental da África.

 

Constroem uma casa sobre árvores na qual colocam seus pertences, inclusive os livros do lorde, e dentro da qual a lady dá à luz um filho. Os pais morrem pouco depois do nascimento da criança, que é criada por orangotangos. Um dia o jovem Tarzan resolve examinar o interior da cabana onde nasceu e descobre os livros do pai. Através de um processo de associações e deduções, Tarzan aprende a ler e a escrever, sozinho, não fosse ele um aristocrata.

 

O autor dos livros do Tarzan, Edgar Rice Burroughs, acreditava que, mesmo criado por orangotangos, um lorde inglês era um lorde inglês, dotado de um intelecto superior, e isso bastava para explicar a sua incrível autoalfabetização. Mas sempre achei que foi muita sorte do Tarzan seu pai não ser, por exemplo, um latinista.

 

Tarzan aprendeu inglês nos livros deixados pelo pai e pôde comunicar-se com outros humanos com facilidade desde o seu primeiro encontro com a civilização. Mas, e se tivesse aprendido latim? Não conseguiria se comunicar com ninguém, salvo pessoas que sabem latim. Pessoas, reconhecidamente, pouco tolerantes com as limitações alheias, e está aí — ou melhor, está lá, no passado — meu professor de latim que não me deixa mentir.

 

— Esse Tarzan, francamente. É um selvagem!

 

— Sei o que você quer dizer. Esse seu hábito de comer carne crua com as mãos, rosnando, o sangue escorrendo pelos cantos da boca...

 

— Não, não. Isso eu nem tinha notado. Mas ele é fraquíssimo nas declinações!

 

Enfim, a história de Tarzan e do seu aprendizado é uma boa metáfora para a importância de uma biblioteca, e de uma biblioteca adequada, na Educação. E também sugere a importância do fortuito na vida das pessoas. Pois como seria se, em vez dos livros que ajudaram Tarzan a descobrir coisas básicas — como o nome de tudo e o fato de que ele era um homem e não um animal —, ele tivesse descoberto grossos tomos filosóficos na cabana? Pode-se imaginar até o primeiro diálogo entre Tarzan e sua futura companheira.

 

— Eu, ser ontológico enquanto entidade histórica, você, Jane.

 

Não, Tarzan descobriu nos livros deixados pelo pai o que toda biblioteca deve ser, uma mistura do prático e do maravilhoso. É o lugar onde começamos a nos conhecer.

 

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Leia o texto para responder à questão     Considere o excerto a seguir para responder à questão:   Não, Tarzan descobriu nos livros deixados pelo pai o que toda biblioteca deve ser, uma mistura do prático e do maravilhoso.   A pessoa gramatical que corresponde à conjugação do verbo “descobriu”, que ocorre no excerto apresentado, é:
  1. A1ª pessoa do singular.
  2. B2ª pessoa do singular.
  3. C3ª pessoa do singular.
  4. D1ª pessoa do plural.
  5. E2ª pessoa do plural.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — 3ª pessoa do singular.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pessoa Gramatical do Verbo "Descobriu"

Gabarito: letra C. O verbo "descobriu" está na 3ª pessoa do singular (ele/ela), pois sua desinência número-pessoal -iu corresponde a essa pessoa, como se vê no paradigma do pretérito perfeito do indicativo: eu descobri, tu descobriste, ele descobriu. No texto, o sujeito é Tarzan — "Tarzan descobriu nos livros deixados pelo pai" —, e a forma verbal concorda com esse sujeito de 3ª pessoa.

A questão é de gramática aplicada ao texto: pede que você reconheça a pessoa gramatical (1ª, 2ª ou 3ª) da forma verbal "descobriu", e não que interprete o sentido do trecho. A resposta está na morfologia do verbo: a desinência número-pessoal é o elemento que indica a pessoa. No pretérito perfeito do indicativo, a terminação -iu é exclusiva da 3ª pessoa do singular (ele/ela). Basta conjugar mentalmente o verbo descobrir nesse tempo para confirmar.

A armadilha da banca está em confundir pessoa gramatical com pessoa do discurso ou com o referente textual. O texto fala de Tarzan (3ª pessoa), mas isso não muda a flexão: o verbo continua na 3ª pessoa porque concorda com o sujeito "Tarzan". Alternativas que citam 1ª ou 2ª pessoa (eu, tu, nós, vós) ignoram a desinência e se baseiam em quem narra ou em quem lê — o que não é o critério.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar a pessoa de um verbo, pergunte: quem pratica a ação? Se for "ele/ela", é 3ª pessoa do singular. Conjugue o verbo no tempo em que está (aqui, pretérito perfeito do indicativo) e observe a terminação: -i (eu), -ste (tu), -u (ele), -mos (nós), -stes (vós), -ram (eles).

Pessoa gramatical do verbo
  • 1Definida pela desinência número-pessoal
    • -i (eu)
    • -ste (tu)
    • -u (ele/ela)
    • -mos (nós)
    • -stes (vós)
    • -ram (eles/elas)
  • 2Não confundir com
    • Pessoa do discurso (narrador/leitor)
    • Referente textual
  • 3Caso "descobriu"
    • Desinência -iu
    • 3ª pessoa do singular
    • Concorda com sujeito "Tarzan"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A 1ª pessoa do singular (eu) teria a forma "descobri", não "descobriu". A desinência -i marca a 1ª pessoa no pretérito perfeito. A alternativa confunde a pessoa do narrador (que escreve "eu") com a pessoa do verbo — erro clássico de troca de conceito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A 2ª pessoa do singular (tu) teria a forma "descobriste", com desinência -ste. "Descobriu" não corresponde a essa pessoa. A alternativa extrapola ao pensar no leitor ("tu", quem lê), mas o verbo não está flexionado para essa pessoa.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A forma "descobriu" é a 3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo do verbo descobrir. No texto, o sujeito é Tarzan ("Tarzan descobriu nos livros deixados pelo pai"), e a concordância verbal confirma: sujeito de 3ª pessoa exige verbo na 3ª pessoa. A desinência -iu é a marca dessa pessoa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A 1ª pessoa do plural (nós) teria a forma "descobrimos", com desinência -mos. "Descobriu" não concorda com "nós". A alternativa restringe indevidamente o alcance, pois o texto não traz sujeito de 1ª pessoa do plural.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A 2ª pessoa do plural (vós) teria a forma "descobristes", com desinência -stes. "Descobriu" não corresponde a essa pessoa. A alternativa tangencia o tema ao pensar em "vós" (arcaico), que não aparece no texto.

Conclusão: a resposta é a letra C, pois a desinência -iu e a concordância com o sujeito "Tarzan" provam que o verbo está na 3ª pessoa do singular. Para acertar, lembre-se: pessoa gramatical é definida pela flexão do verbo, não pelo contexto narrativo.

Gabarito: letra C

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