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Questão de Português — Orações Subordinadas Substantivas — FUNDATEC 2024

PortuguêsOrações Subordinadas Substantivas
Código
qa607357
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Londrina
Ano
2024
Cargo
Proc ( )

STJ na luta contra o juridiquês

 

Por Superior Tribunal de Justiça

 

Se o idioma oficial do Brasil é o português, a língua predominante na Justiça, ao longo dos tempos, tem sido o "juridiquês" – uma mistura de palavreado técnico com estilo rebuscado e doses abundantes de termos em latim, muito ao gosto dos profissionais do direito, mas de difícil compreensão para o público leigo.

 

No dia a dia dos processos, uma norma que se aplica a situações passadas(A) tem efeito ex tunc; a repetição de uma situação jurídica é bis in idem; e, se for apenas para argumentar, pode-se dizer ad argumentandum tantum. E nem só de latim vive a complicação: denúncia virou exordial increpatória; inquérito policial, caderno indiciário; petição inicial, peça incoativa.

 

Ciente da importância da informação para o exercício da cidadania, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem adotado, ao longo do tempo, uma série de medidas para levar o conhecimento sobre as decisões judiciais para além dos profissionais especializados, tornando mais abrangente sua comunicação com a sociedade – o que inclui a opção por uma linguagem bem diferente daquela que se consagrou no cotidiano forense(B).

 

A mais recente iniciativa da corte nessa direção foi o lançamento de uma nova ferramenta em seu portal na internet, destinada a facilitar a compreensão dos julgamentos pelo público não familiarizado com a linguagem jurídica: agora, as notícias trazem um resumo simplificado, que apresenta o ponto principal da matéria(C) em termos acessíveis para o leigo e está disponível em um ícone logo abaixo do título de cada texto.

 

A medida está alinhada com as diretrizes do Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples, lançado em dezembro de 2023 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mas integra uma política de aproximação com o cidadão que o STJ já vem seguindo há bastante tempo.

 

A simplificação da linguagem é uma preocupação constante da Secretaria de Comunicação Social (SCO), em respeito à Política de Comunicação Institucional do STJ, especialmente ao disposto em seus artigos 11 e 13, que exigem clareza, precisão, qualidade e acessibilidade na divulgação de informações sobre as decisões, a jurisprudência, os serviços, os projetos e as ações da corte.

 

Atenta às necessidades de democratização da informação, a SCO tem apresentado, em suas diferentes plataformas, produtos que facilitam a compreensão da atividade(D) jurisdicional pelo público não especializado.

 

O Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples materializa os esforços para atender a Estratégia Nacional do Poder Judiciário 2021-2026, especificamente no que diz respeito à adoção de uma linguagem direta e compreensível pelo público leigo, tanto nas decisões judiciais quanto nas comunicações em geral.

 

Ao anunciar o pacto durante o 17º Encontro Nacional do Poder Judiciário, em Salvador, o ministro Luís Roberto Barroso – presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do CNJ – apontou a relevância de aprimorar a comunicação com os jurisdicionados. "A linguagem codificada e inacessível torna-se um instrumento de e...clusão; precisamos ser capazes de usar uma linguagem mais compreensível e inclusiva para todas as pessoas", declarou.

 

O pacto dispõe que o uso de vocabulário técnico(E) não deve representar uma barreira ao entendimento das decisões judiciais. Assim, simplificar a linguagem nas decisões, sem deixar de lado a precisão técnica, passa a ser mais um dos desafios da magistratura para ampliar o acesso à Justiça e à informação – direitos previstos na Constituição Federal de 1988.

 

(Disponível em: www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/2024/24032024-STJ-na-luta contra-o-juridiques-e-por-uma-comunicacao-mais-eficiente-com-a-sociedade.aspx – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa na qual a palavra sublinhada, “que”, NÃO tenha sido utilizada como pronome relativo.
  1. A“uma norma que se aplica a situações passadas” .
  2. B“bem diferente daquela que se consagrou no cotidiano forense” .
  3. C“um resumo simplificado, que apresenta o ponto principal da matéria” .
  4. D“produtos que facilitam a compreensão da atividade”.
  5. E“O pacto dispõe que o uso de vocabulário técnico”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — “O pacto dispõe que o uso de vocabulário técnico”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O "que" pronome relativo × conjunção integrante

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única em que o "que" NÃO é pronome relativo, mas sim conjunção integrante, pois introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta ("que o uso de vocabulário técnico não deve representar uma barreira"). Nas demais alternativas, o "que" retoma um termo antecedente e exerce função sintática dentro da oração adjetiva — marca típica do pronome relativo.

O comando

A questão pede que você identifique a alternativa em que o "que" NÃO foi usado como pronome relativo. Isso significa que você deve reconhecer a função morfossintática da palavra "que" em cada contexto. O pronome relativo é uma classe de palavra que retoma um termo anterior (o antecedente) e, ao mesmo tempo, exerce uma função sintática na oração que introduz (sujeito, objeto, adjunto etc.). Já a conjunção integrante apenas liga a oração subordinada substantiva à principal, sem exercer função sintática própria — ela é um mero conectivo, podendo ser substituída por "isso".

O texto

O texto-base trata da luta do STJ contra o "juridiquês", ou seja, a adoção de uma linguagem mais simples e acessível ao público leigo. As alternativas trazem trechos do texto em que a palavra "que" aparece sublinhada. A tarefa é classificar cada ocorrência: pronome relativo (iniciando oração adjetiva) ou conjunção integrante (iniciando oração substantiva).

A técnica

Para distinguir, use o teste da substituição: se o "que" puder ser substituído por "o qual", "a qual", "os quais", "as quais" (ou por "isso"), é pronome relativo. Se puder ser substituído por "isso" (e não por "o qual"), é conjunção integrante. Outra pista: o pronome relativo sempre tem um antecedente (substantivo ou pronome) a que se refere; a conjunção integrante não tem antecedente, apenas introduz uma oração que funciona como termo da principal.

Análise das alternativas

"Que"
  • 1Pronome relativo
    • Retoma antecedente
    • Exerce função sintática
    • Substituível por "o qual"
  • 2Conjunção integrante
    • Sem antecedente
    • Só liga orações
    • Substituível por "isso"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"uma norma que se aplica a situações passadas"

O "que" retoma "norma" e exerce função de sujeito da oração "se aplica a situações passadas". Pode ser substituído por "a qual": "uma norma a qual se aplica...". Portanto, é pronome relativo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"bem diferente daquela que se consagrou no cotidiano forense"

O "que" retoma "daquela" (pronome demonstrativo) e exerce função de sujeito da oração "se consagrou no cotidiano forense". Pode ser substituído por "a qual": "daquela a qual se consagrou...". Portanto, é pronome relativo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"um resumo simplificado, que apresenta o ponto principal da matéria"

O "que" retoma "resumo simplificado" e exerce função de sujeito da oração "apresenta o ponto principal da matéria". Pode ser substituído por "o qual": "um resumo simplificado, o qual apresenta...". Portanto, é pronome relativo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"produtos que facilitam a compreensão da atividade"

O "que" retoma "produtos" e exerce função de sujeito da oração "facilitam a compreensão da atividade". Pode ser substituído por "os quais": "produtos os quais facilitam...". Portanto, é pronome relativo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"O pacto dispõe que o uso de vocabulário técnico"

O "que" não retoma nenhum termo anterior; ele apenas introduz a oração subordinada substantiva objetiva direta "que o uso de vocabulário técnico não deve representar uma barreira", que completa o sentido do verbo "dispõe" (quem dispõe, dispõe algo). Pode ser substituído por "isso": "O pacto dispõe isso". Portanto, é conjunção integrante.

Conclusão

A banca pediu a alternativa em que o "que" NÃO é pronome relativo. A única que apresenta conjunção integrante é a letra E. As demais (A, B, C, D) são pronomes relativos, pois retomam um antecedente e exercem função sintática.

PEGA ESSA DICA!

Ao se deparar com o "que", pergunte: "retoma um termo anterior?" Se sim, é pronome relativo. Se não, e puder ser trocado por "isso", é conjunção integrante.

Gabarito: letra E

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